Lula avalia ligar para Delcy Rodríguez e Donald Trump na volta do recesso
Presidente reorganiza agenda em Brasília e estuda contatos diretos com Venezuela e Estados Unidos


Murilo Fagundes
Após retornar a Brasília nesta terça (6), depois do recesso no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia fazer ligações telefônicas para a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As conversas são desenhadas em meio ao cenário de tensão diplomática envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos, acompanhado de perto pelo governo brasileiro.
Segundo apuração do SBT News, a iniciativa busca manter canais de diálogo abertos com os dois governos em um momento de instabilidade regional e amparar o presidente com informações de momento. Além disso, no caso de Trump, Lula aproveitaria a oportunidade para tratar de outras demandas, como as sanções da Lei Magnitsky que ainda restam.
Mais cedo, durante sessão do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos, em Washington, o embaixador brasileiro Benoni Belli utilizou, pela primeira vez, a palavra “sequestro” para se referir à captura de Nicolás Maduro. Foi uma mudança nos posicionamentos do Brasil, que, até o momento, não recorria ao termo.
Apesar disso, os diplomatas brasileiros seguem cautelosos e sem nominar Trump nem Maduro em suas intervenções.
Na mesma sessão, o representante do Brasil afirmou que ações em território venezuelano violam princípios da Carta das Nações Unidas, como a proibição do uso da força e o respeito à autodeterminação dos povos, sem citar diretamente autoridades norte-americanas.
A posição brasileira não foi unânime entre os países do bloco. O embaixador da Argentina reiterou a visão do presidente Javier Milei de que houve violação de princípios internacionais por parte do regime de Nicolás Maduro, enquanto o representante dos Estados Unidos negou qualquer invasão ou interferência na Venezuela.
Internamente, uma ala do governo defende que a crise da Venezuela seja tratada prioritariamente pelo Itamaraty em busca de blindar o presidente de possíveis reações negativas em ano eleitoral. Ainda assim, Lula avalia que o contato direto com os dois governos pode contribuir para preservar o papel do Brasil como interlocutor regional em meio ao impasse.









