Trump decide adiar viagem à China por conta da guerra com Irã
Presidente norte-americano iria à Pequim no final de março, mas visita deve acontecer apenas em abril


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu adiar sua viagem à China por conta da guerra contra o Irã. Em declaração na segunda-feira (16), o republicano afirmou que pediu à Pequim para prorrogar a visita, inicialmente prevista para 31 de março, por um mês.
“Estamos falando com a China. Pedimos para adiar isso por cerca de um mês, e estou ansioso para me encontrar com ele [Xi Jinping]. Estamos com uma guerra acontecendo. Acho importante que eu esteja aqui. Então pode ser que a gente fique um pouco atrasado, mas não muito”, disse.
Mais cedo, Trump havia pedido ajuda à China para garantir a segurança no Estreito de Ormuz — parcialmente fechado pelo Irã devido ao conflito. A ideia do republicano é criar uma colisão para reabrir a rota marítima, bem como conter ataques iranianos contra petroleiros, visando assegurar os preços do petróleo.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou, no entanto, que o adiamento da viagem de Trump não visa pressionar Pequim a acatar o pedido. Segundo ele, a decisão ocorre por questões logísticas. “O presidente quer permanecer em Washington para coordenar a guerra, e viajar ao exterior em um momento como este pode não ser o ideal”, disse, em entrevista à CNBC.
Entenda
Rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o fim de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma operação coordenada contra o Irã. Os ataques iranianos contra embarcações estrangeiras preocupam o mercado, que teme possíveis interrupções prolongadas no fornecimento mundial de petróleo, pressionando a economia.
Em meio ao cenário, Trump pediu ajuda a países aliados para garantir a passagem de petroleiros no estreito, alertando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enfrentará um futuro “muito ruim” se os países não cooperarem. O pedido também foi feito para China, Japão e Coreia do Sul. "É mais do que apropriado que as pessoas que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, disse.
O pedido, no entanto, vem sendo rejeitado pelos países, que temem uma escalada do conflito. Governos como Austrália, Reino Unido, Alemanha, Grécia e União Europeia descartaram participação militar na operação. O mesmo ocorreu com o Japão, que disse não ter planos imediatos para enviar forças marítimas à região. A China, por sua vez, evitou responder o pedido, pedindo apenas a redução das tensões.









