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Itamaraty diz acompanhar investigação sobre brasileiros acusados de assassinato e tortura na Ucrânia

Ministério das Relações Exteriores explica que "repartições consulares", como a Embaixada do Brasil em Kiev, "não estão habilitadas a conduzir investigações"

Imagem da noticia Itamaraty diz acompanhar investigação sobre brasileiros acusados de assassinato e tortura na Ucrânia
Bruno Gabriel Leal da Silva e outros brasileiros da unidade chamada Advanced | Reprodução/SBT
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O Itamaraty afirmou que "tem ciência e acompanha a investigação conduzida por autoridades ucranianas" sobre o caso de brasileiros acusados de assassinato e tortura na guerra entre Rússia e Ucrânia. O jornalista Sérgio Utsch, correspondente do SBT no país europeu, revelou em reportagens que uma unidade chamada Advanced, vinculada ao Exército local e comandada por brasileiros que se juntaram voluntariamente a forças locais, seria responsável pela morte do pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva, de 28 anos, em dezembro.

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Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que a Embaixada do Brasil em Kiev "dialoga ativamente com as autoridades locais acerca do engajamento voluntário de brasileiros no conflito russo-ucraniano e permanece à disposição para prestar assistência consular à comunidade brasileira na Ucrânia".

Autoridades do governo ucraniano disseram ao SBT News em nota que a morte está sendo apurada como "um potencial crime".

Bruno Gabriel Leal da Silva morreu na noite do dia 28 de dezembro do ano passado. Ele teria sido torturado por outros brasileiros membros do Batalhão Advanced | Reprodução/SBT
Bruno Gabriel Leal da Silva morreu na noite do dia 28 de dezembro do ano passado. Ele teria sido torturado por outros brasileiros membros do Batalhão Advanced | Reprodução/SBT

Utsch apurou que, antes de ser encontrado morto, Leal da Silva procurou o serviço consular da embaixada, denunciando maus-tratos e retenção de passaporte. Ele chegou a receber orientações do que fazer para deixar a Ucrânia imediatamente, mas não apareceu mais. O cônsul do Brasil chegou também a se reunir com representantes da ouvidoria militar do país.

Em nota, o Itamaraty explicou que "nos termos da legislação internacional e nacional, repartições consulares não estão habilitadas a conduzir investigações, cabendo-lhes, no entanto, acompanhar os processos conduzidos pelas autoridades locais".

"No que tange ao caso concreto mencionado, o Itamaraty tem ciência e acompanha a investigação conduzida por autoridades ucranianas, permanecendo em contato com órgãos militares — inclusive a Ouvidoria Militar da Ucrânia — e civis ucranianos responsáveis pelo tema", acrescentou o ministério.

Uma testemunha que está sob proteção policial em um país da União Europeia revelou a Utsch que o comandante da unidade brasileira na Ucrânia, Leanderson Paulino, autorizou a sessão de tortura que provocou a morte do pernambucano. Ele também seria o líder de um esquema que inclui retenção de passaportes, apropriação de salários e até ocultação de corpos.

Daniel Reis, de 29 anos, tornou-se um delator, já prestou depoimento a autoridades policiais e agora é uma das testemunhas mais importantes na investigação.

Segundo ele, corpos de brasileiros eram deliberadamente abandonados nos campos de batalha para que o comando continuasse recebendo os salários. Esta acusação é confirmada por outras testemunhas ouvidas pelo SBT News. Agora, porém, a acusação parte de um dos integrantes mais influentes na Unidade Advanced, considerado um dos braços direitos e homem de confiança de Paulino.

Leia nota do Itamaraty:

"A Embaixada do Brasil em Kiev dialoga ativamente com as autoridades locais acerca do engajamento voluntário de brasileiros no conflito russo-ucraniano e permanece à disposição para prestar assistência consular à comunidade brasileira na Ucrânia.

Recorde-se que, nos termos da legislação internacional e nacional, repartições consulares não estão habilitadas a conduzir investigações, cabendo-lhes, no entanto, acompanhar os processos conduzidos pelas autoridades locais.

No que tange ao caso concreto mencionado, o Itamaraty tem ciência e acompanha a investigação conduzida por autoridades ucranianas, permanecendo em contato com órgãos militares - inclusive a Ouvidoria Militar da Ucrânia - e civis ucranianos responsáveis pelo tema.

A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seguinte seção do Portal Consular do Itamaraty: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/assistencia-consular

Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros."

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