Endividamento cresce e Brasil bate novo recorde histórico em março
Pesquisa da CNC mostrou que mais de 80% das famílias possuem alguma dívida; cenário é pressionado pela alta do petróleo


Camila Stucaluc
O número de brasileiros com dívidas a pagar registrou recorde em março de 2026. É o que mostra a pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que contabilizou 80,4% de endividados no mês – maior patamar desde 2010, início da série histórica.
O novo recorde ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que vem impulsionando o aumento do preço do petróleo. Somado aos juros altos (Selic), a alta dos preços do diesel e combustíveis em geral tem gerado incerteza inflacionária, reduzindo o poder de compra e forçando o uso de crédito para despesas básicas.
“A elevada taxa Selic é, há meses, um desafio para quem empreende e para quem consome. A redução gradativa dos juros começou, mas ainda vemos um aumento do nível de famílias endividadas, pois levaremos meses até que o alívio do aperto monetário faça efeito”, aponta o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Segundo a pesquisa, o avanço do endividamento foi impulsionado pelas famílias de maior renda (acima de 5 salários mínimos), que preferem utilizar o crédito como estratégia para manter o padrão de consumo sem desmobilizar capital próprio. Para aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos, o índice chegou a 69,9% em março.
Entre as principais modalidades de dívidas, o cartão de crédito segue liderando o ranking, sendo utilizado por cerca de 85% do total de devedores. Em seguida, estão os carnês, o crédito pessoal e os financiamentos de casa e de carro.
Inadimplência
Apesar do volume recorde de endividados, os índices de inadimplência apresentaram sinais de estabilização: o percentual de dívidas em atraso permaneceu em 29,6% em março, estável em relação a fevereiro. O número, contudo, está acima dos 28,6% de março de 2025, evidenciando o efeito negativo do ciclo de alta da Selic na maior parte do ano passado.
Dentro dessa estatística, o grupo que declara não ter condições de pagar as contas atrasadas recuou para 12,3% (queda de 0,3 p.p. no mês). No aspecto subjetivo da pesquisa, o total de pessoas que se consideram “muito endividadas” teve ligeira melhora, caindo para 16,0%. Já a média da renda comprometida com dívidas caiu para 29,6%, valor inferior aos 29,9% registrados um ano antes.









