Petróleo supera US$ 100, mas mercado limita perdas globais
Alta da commodity após ação dos EUA contra o Irã pressiona inflação e juros, mas bolsas indicam que risco geopolítico já está, em parte, no preço dos ativos


Exame.com
O avanço do petróleo para acima de US$ 100 por barril após o bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos não foi acompanhado por uma reação proporcional nos mercados globais.
Apesar da escalada geopolítica, as bolsas recuaram de forma limitada, indicando que investidores já absorveram boa parte do risco no preço dos ativos, de acordo com fontes consultadas pela CNBC.
Os principais índices da Ásia caíram cerca de 1%, e os futuros de Nova York operaram com perdas inferiores a esse patamar.
A leitura predominante é de que o mercado passou a tratar o episódio mais como um evento de curto prazo do que como uma ruptura estrutural.
Pressão política
O estrategista de investimentos da Global X ETFs, Billy Leung, disse à CNBC que investidores interpretam as medidas recentes como pressão política, o que ajuda a entender a reação do mercado.
"Os mercados atingiram o pico da incerteza. A reação já não é tão extrema como antes."
Billy Leung, estrategista de investimentos da Global X ETFs
A gestora de portfólio líder da Ten Cap, Jun Bei Liu, afirmou que o pico de estresse já pode ter ficado para trás, após a forte alta do índice que mede a volatilidade esperada das bolsas americanas, VIX, há semanas.
"Vimos o VIX subir algumas semanas atrás, e esse foi provavelmente o pico do medo e da onda de vendas... daqui para frente, o mercado está realmente tentando se reequilibrar", detalhou ao canal.
Inflação e efeitos
Apesar da resistência das bolsas, o efeito na economia já está em curso. O petróleo mais caro pressiona a inflação e complica a queda dos juros no curto prazo.
O yield do Treasury de dez anos já subiu mais de 333 pontos-base desde o início do conflito, e o índice do dólar (DXY) acumula alta de cerca de 1,4%, conforme dados compilados pela CNBC.
Diretor global de Investimentos do Standard Chartered Bank, Steve Brice esclareceu ao canal que esse ambiente tende a manter pressão sobre juros e câmbio, embora avalie que o movimento não deve ser permanente.
"Consideramos esses fenômenos temporários, pois acreditamos que os EUA estão buscando maneiras de reduzir a tensão."
Steve Brice, diretor global de Investimentos do Standard Chartered Bank
Leung pontuou, neste cenário, que a legislação estadunidense limita a continuidade das ações sem aval do Congresso, o que pode aumentar a pressão sobre o governo Donald Trump. Já há discussões para restringir esses poderes.









