Economia

Vorcaro pediu ‘carga total’ contra denunciante do Master

Polícia de SP abriu inquérito contra Vladimir Timerman dias depois, a partir de denúncia anônima; delegado afirma que não conhecia teia de Vorcaro

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Nathalia Fruet
Vladimir Timerman. investidor que denunciou Master e Nelson Tanure | Reprodução/redes sociais

Vladimir Timerman. investidor que denunciou Master e Nelson Tanure | Reprodução/redes sociais

O banqueiro Daniel Vorcaro pediu a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que desse um jeito de conseguir a prisão de Vladimir Timerman em junho de 2024. Dias depois, a Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito contra o investidor a partir de uma denúncia anônima, enviada pelos Correios.

Essas informações constam de material sobre as investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master tornadas públicas na terça-feira (26), por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Gestor de fundos na Esh Capital, Timerman tornou-se conhecido por antecipar o esquema fraudulento montado por Vorcaro.

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Mourão, por sua vez, era coordenador d’A Turma, grupo apontado pela PF como uma milícia pessoal do banqueiro e que era responsável por intimidar adversários e quem tentasse denunciar o esquema fraudulento.

Segundo a investigação da PF, Timerman começou a ser monitorado por integrantes d’A Turma em dezembro de 2023, a pedido de Vorcaro, após apresentar uma primeira denúncia sobre o Master ao Ministério Público Federal.

O monitoramento começou depois que subordinados de Vorcaro acessaram de forma ilegal dados sigilosos de inquérito, aberto meses antes, que tinha o banqueiro como alvo.

Em 18 de junho de 2024, Vorcaro enviou para Mourão, o Sicário, uma mensagem dizendo que enquanto Timerman não fosse preso ele não iria parar de fazer acusações contra o dono do Master. À época, Timerman havia apresentado uma segunda denúncia ao MPF.

Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, Vorcaro escreve a Mourão que pediu “carga total no cara [Timerman]” e que “enquanto ele não estiver preso não vai parar”.

Dez dias depois dessa data, a Delegacia Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas, da Polícia Civil de São Paulo, abriu oficialmente uma investigação contra o gestor do fundo.

O delegado Felipe Nakamura, que foi o responsável pelo inquérito, afirma à coluna que determinou o início da apuração depois de receber uma denúncia anônima pelos Correios.

A acusação contra Timerman era de furto qualificado e lavagem de dinheiro por fraudar o mercado de capitais. O Ministério Público de São Paulo pediu arquivamento do inquérito um ano depois, por falta de provas.

O delegado Felipe Nakamura diz que, à época, a Polícia Civil quebrou os sigilos fiscal, bancário e telefônico de Timerman e também fez ações de busca e apreensão em endereços do investidor.

Segundo o delegado, os investigadores vasculharam todas as informações contra o investidor, mas não conseguiram confirmar nenhuma das acusações feitas contra ele.

Devido ao inquérito, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo para estudar se Timerman tinha “reputação ilibada” e que poderia resultar em seu banimento do mercado de capitais –o que acabou não acontecendo.

O delegado diz que nem ele e nem a sua equipe desconfiaram da denúncia anônima que chegou pelos Correios e que, à época, ninguém sabia da teia de contatos e das ilegalidades cometidas por Vorcaro.

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