Membros do grupo de coação de Vorcaro seguem soltos, diz PF
Polícia diz que pai do ex-banqueiro, deve seguir preso para não fazer contato com integrantes não identificados d’A Turma, que podem ter relação com milicianos


Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master | Divulgação
A investigação da Polícia Federal sobre o esquema que teria sido montado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e seus familiares para intimidar adversários e quem tentasse impedi-lo de seguir operando fraudes no sistema financeiro aponta que entre quatro e seis integrantes do grupo que ficou conhecido como “A Turma” ainda não foram identificados.
Os agentes sabem apenas que eles estão no Rio de Janeiro e, de acordo com a apuração, têm envolvimento com o jogo do bicho e com milicianos.
“Em que pese não haja ainda a identificação dessas pessoas, é possível inferir, conforme
será demonstrado na presente representação, que se tratam possivelmente de policiais, milicianos e/ou operadores do jogo do bicho”, diz um trecho do inquérito da Polícia Federal.
A falta de identificação desses integrantes do que a Polícia Federal classifica como “organização criminosa que atua de forma ostensiva” é um dos argumentos para defender a manutenção da prisão do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, e também do primo, Felipe Vorcaro.
Segundo a PF, Henrique poderia fazer contato com esses membros não identificados d’A Turma se fosse liberado da cadeia.
A divulgação das informações sobre a investigação envolvendo o pai do ex-banqueiro foi autorizada pelo ministro André Mendonça (STF), relator do processo, nesta terça-feira (16). A Segunda Turma do STF discute a pertinência da manutenção da prisão também nesta terça.
Ameaça
Para reforçar a tese de que os contratados por Vorcaro são milicianos, os investigadores citam a ameaça sofrida, em 2024, pelo capitão Luis Felippe Woyceichoski. Em depoimento à PF, Woyceichoski disse que ele e sua família foram ameaçados de morte por sete milicianos contratados por Vorcaro.
De acordo com o depoimento, as ameaças foram feitas porque o capitão mantinha filmagens do barco e do diário de bordo que mostravam irregularidades que colocavam em risco a integridade da embarcação e de passageiros.
O barco seria de propriedade de Vorcaro. Woyceichoski foi contratado para acompanhar a construção da embarcação e também para trazê-la da Itália para o Brasil. Após as ameaças, o capitão foi demitido da empresa que prestava serviço a Vorcaro e precisou fugir de Angra dos Reis, onde morava com a família.
As declarações de Woyceichoski foram reforçadas pela chefe de comissários de bordo da embarcação denominada Solar 1, Tatiana Carta. Ela afirmou à PF que estranhou que um grupo de sete homens procurou o capitão da embarcação usando roupas paramilitares e com tom agressivo.
























