Master usou corretora para operar com RioPrevidência
Investigação aponta que o banco de Daniel Vorcaro seguiu recebendo aportes do Fundo de Previdência dos servidores até um mês antes de ser preso


Sede do Banco Master, em São Paulo | Divulgação/Rovena Rosa/Agência Brasil
O dono do Banco Master conseguiu, através da corretora Planner, seguir recebendo dinheiro dos servidores do governo do Rio de Janeiro até outubro de 2025, um mês antes da Polícia Federal (PF) prender, pela primeira vez, Daniel Vorcaro. É o que diz relatório da PF usado pelo ministro André Mendonça (STF) para autorizar operação nesta terça-feira (26), que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-governador Claudio Castro (PL-RJ) e também na sede da corretora no Rio de Janeiro.
A investigação aponta que a Planner Corretora de Valores foi usada, pela primeira vez, para que o banco de Vorcaro conseguisse dinheiro da RioPrevidência em 16 de fevereiro de 2024. Conforme a PF, essa negociação ocorreu sem nenhum registro que justificasse a intermediação. Os aportes feitos por meio da corretora se acentuaram depois de dezembro de 2024 e seguiram até outubro de 2025, um mês antes do Master ser liquidado e do banqueiro ser preso pela PF, em novembro do ano passado.
Os agentes sustentam que o uso da corretora para receber os recursos dos servidores do governo do Rio de Janeiro foi repleto de irregularidades. Nas palavras dos investigadores, a corretora tinha "dupla função no esquema", servia de barreira e álibi para que as autoridades não desconfiassem das operações e propiciava o aumento das taxas de corretagem, com potencial incremento da retribuição financeira aos operadores da fraude.
O que chamou atenção também foi um curto intervalo de tempo, entre operações diretas e intermediadas pela Planner, para fazer os aportes. O que para a PF indica que a corretora era usada ainda para pagar uma "taxa" aos envolvidos no desvio de recursos da RioPrevidência.
No total, a PF aponta que foram investidos R$ 3,6 bilhões da Rio Previdência no Banco Master. A Planner, em nota, sustenta que intermediou aproximadamente R$ 500 milhões da operação. A corretora diz também que a atuação foi regular e seguiu o que prevê o processo de credenciamento conduzido pela própria Rio Previdência. Na nota, a Planner sustenta que fez a intermediação do recebimento dos valores no primeiro semestre de 2024 e que está contribuindo com as investigações.
Leia nota da defesa de Castro:
"A defesa do ex-governador Cláudio Castro informa que ainda não teve acesso aos autos do processo na íntegra e, portanto, não pode comentar detalhes de elementos que desconhece na totalidade.
A defesa nega de forma categórica qualquer relação pessoal indevida entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro. Os contatos entre ambos aconteceram em agendas oficiais, institucionais e também em encontros sociais e de networking, comuns ao exercício da função pública e à relação com representantes do setor empresarial, sem qualquer tratativa ilícita, favorecimento ou recebimento de benefício pessoal.
A defesa esclarece ainda que Cláudio Castro não conhece o citado Ricardo apontado como suposto intermediário ou elo entre ele e Daniel Vorcaro.
Também não procede a informação de que viagens, passagens ou despesas pessoais de Cláudio Castro tenham sido custeadas por Daniel Vorcaro, assim como não houve qualquer tipo de benefício pessoal recebido pelo ex-governador.
Todos os investimentos realizados pelo Rioprevidência seguiram fluxos técnicos, jurídicos e administrativos próprios da autarquia, dentro dos limites aprovados pelo Conselho de Administração e em conformidade com as regras previstas na Resolução CMN nº 4.963/2021, em operações conduzidas com instituição autorizada e supervisionada pelo Banco Central.
Cláudio Castro jamais integrou qualquer comitê de investimentos do Rioprevidência, não participava das decisões técnicas da carteira da autarquia e nunca exerceu função operacional relacionada aos investimentos realizados pelo instituto, o que demonstra a autonomia técnica dos executivos e órgãos internos responsáveis pelas análises e deliberações.
Assim que surgiram questionamentos sobre operações envolvendo o Banco Master, o próprio ex-governador determinou a adoção imediata de medidas de apuração e controle, incluindo o afastamento da presidência do Rioprevidência e a instauração de procedimento interno pela Controladoria-Geral do Estado.
Cabe ainda ressaltar que, em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de fundo administrado pelo Banco Master, garantindo a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro.
As compras de Letras Financeiras do Banco Master foram encerradas ainda em 2024. Não houve novos aportes após determinação do TCE-RJ. O Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025, sem qualquer prejuízo ao Rioprevidência, e o Fundo Revolution teve pedido de resgate realizado pela autarquia em janeiro de 2026.
Importante destacar que todos os recursos investidos nos fundos ligados ao Banco Master que foram integralmente recuperados já foram ressarcidos ao caixa do Estado. Parte desses valores, inclusive, foi utilizada para garantir o pagamento da folha previdenciária.
A defesa reafirma sua confiança no completo esclarecimento dos fatos e no trabalho das instituições."

























