Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil | Reprodução SBT
Adotar um ato de reciprocidade comercial contra o tarifaço dos Estados Unidos (EUA) contra produtos do Brasil não é o que o empresariado brasileiro deseja. Esta é a avaliação do presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto. Em entrevista ao Central de Notícias do SBT News, Neto defendeu a ampliação do diálogo entre os dois países para afastar o risco deuma escalada das tensões político-comerciais com o governo Donald Trump.
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Segundo o representante da Amcham, há um consenso no setor de que responder com aumento tarifário não é efetivo. Além dos aumentos do custos de insumos importados pela indústria brasileira, a principal preocupação é uma escalada "político-comercial" nas relações entre Brasil e EUA.
"O Brasil representa hoje menos de 2,5% do que os Estados Unidos exportam para o mundo, ou seja, essas medidas podem não ter capacidade de alterar a equação do lado americano. O custo para o Brasil, de qualquer medida de reciprocidade, tende a ser alto. No setor de bens, o Brasil importa hoje um conjunto de insumos e matérias-primas para a agricultura, para a pecuária e para a indústria que, ao colocar tarifas, vai encarecer o setor produtivo brasileiro e a vida dos consumidores - o Brasil importa gasolina, medicamentos... Mas o principal argumento é que uma medida de reciprocidade tende a levar a uma escalada político-comercial na relação entre Brasil e Estados Unidos", afirmou Abrão Neto.
"Este tipo de escalada não interessa às empresas no Brasil. Se hoje a gente está no grupo com tarifas mais altas, de 37%, se esta tarifa aumenta mais, isso não é desejável do lado empresarial".
Canais para desbloquear as negociações
Ao menos 25% do que o Brasil exporta terá uma sobretaxa de 37,5%, segundo o representante da Amcham, que é uma sobretaxa "bastante substancial" e afasta o Brasil dos demais países. "Só a China tem uma taxa maior que a brasileira", adverte. Em relação aos bens industriais "80% de tudo que o Brasil vende para os EUA entra nessa categoria e não há, no curto prazo, substitutos para absorver essa qualidade e a quantidade desses produtos", avalia.
Por outro lado, Abrão Neto acredita na capacidade e espaço para o país negociar, já que a guerra comercial de Trump - sob a justificativa de trabalho forçado - atinge cerca de 60 dos parceiros comerciais, que representam 99% de tudo que os EUA importam. "É uma política que está e seguirá em curso, mas o Brasil tem que se movimentar para melhorar sua posição."
Neto explicou que, no curto prazo, não não há expectativa de reversão do tarifaço, sobretudo das taxas de 25%, principalmente em ano eleitoral - tanto no Brasil como nos EUA . Mas o diálogo não precisa ser retomado só depois das eleições, segundo Neto. Seria possível "preparar o terreno tecnicamente" para um acordo que seja bom para as duas nações, saindo do mérito das tarifas e negociando pontos em comum, em que as duas nações saiam ganhando. Ele cita minerais críticos, propriedade intelectual e energia.
"Se o Brasil discutir com os Estados Unidos apenas tarifas, eu acho que muito dificilmente nós conseguiríamos sair desse impasse. Mas se trouxer pra mesa outros elementos, como minerais críticos, energia, propriedade intelectual e outras questões que geram ganhos em comum, isso pode ajudar a melhorar e começar a construir uma rampa, para sair dessa posição que nós estamos".
Segundo o presidente da Amcham, a situação do Brasil é bem diferente dos meses de julho, agosto e setembro do ano passado, quando os canais de comunicação com o governo Trump estavam obstruídos.
"Este não é o caso agora. Existe diálogo entre os dois governos. Nos últimos dois meses, nós vimos uma intensificação desses contatos, sobretudo do Itamaraty e Ministério de Comércio Exterior, do lado brasileiro, e o USTR, do lado americano. Há uma forma de dar continuidade. Mas é preciso que essas conversas se intensifiquem e o envolvimento presidencial é inevitável", argumenta.
Neto enfatiza que não há outro caminho para reverter ou mitigar a situação do Brasil além do caminho das negociações, que deve incluir a Presidência da República.
Amcham: reciprocidade a tarifaço pode escalar tensão com EUAPresidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil defende ampliação do diálogo para além das taxas, negociação de minerais críticos e energiaEconomia2026-07-24T19:21:22.013ZAdotar um contra o contra produtos do Brasil não é o que o empresariado brasileiro deseja. Esta é a avaliação do presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto. Em entrevista ao Central de Notícias do SBT News, Neto defendeu a ampliação do diálogo entre os dois países para afastar o risco de uma escalada das tensões político-comerciais com o governo Donald Trump. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Segundo o representante da Amcham, há um consenso no setor de que responder com aumento tarifário não é efetivo. Além dos aumentos do custos de insumos importados pela indústria brasileira, a principal preocupação é uma escalada "político-comercial" nas relações entre Brasil e EUA. "O Brasil representa hoje menos de 2,5% do que os Estados Unidos exportam para o mundo, ou seja, essas medidas podem não ter capacidade de alterar a equação do lado americano. O custo para o Brasil, de qualquer medida de reciprocidade, tende a ser alto. No setor de bens, o Brasil importa hoje um conjunto de insumos e matérias-primas para a agricultura, para a pecuária e para a indústria que, ao colocar tarifas, vai encarecer o setor produtivo brasileiro e a vida dos consumidores - o Brasil importa gasolina, medicamentos... Mas o principal argumento é que uma medida de reciprocidade tende a levar a uma escalada político-comercial na relação entre Brasil e Estados Unidos", afirmou Abrão Neto. , com o governo Trump argumentando ser uma resposta à retaliação canadense anterior. Com a China, a reação contra os EUA levou a uma espiral que chegou a 145% de sobretaxas sobre os produtos impostados pelos EUA. "Este tipo de escalada não interessa às empresas no Brasil. Se hoje a gente está no grupo com tarifas mais altas, de 37%, se esta tarifa aumenta mais, isso não é desejável do lado empresarial". Canais para desbloquear as negociações Ao menos 25% do que o Brasil exporta terá uma sobretaxa de 37,5%, segundo o representante da Amcham, que é uma sobretaxa "bastante substancial" e afasta o Brasil dos demais países. "Só a China tem uma taxa maior que a brasileira", adverte. Em relação aos bens industriais "80% de tudo que o Brasil vende para os EUA entra nessa categoria e não há, no curto prazo, substitutos para absorver essa qualidade e a quantidade desses produtos", avalia. Por outro lado, Abrão Neto acredita na capacidade e espaço para o país negociar, já que a guerra comercial de Trump - - atinge cerca de 60 dos parceiros comerciais, que representam 99% de tudo que os EUA importam. "É uma política que está e seguirá em curso, mas o Brasil tem que se movimentar para melhorar sua posição." Neto explicou que, no curto prazo, não não há expectativa de reversão do tarifaço, sobretudo das taxas de 25%, principalmente em ano eleitoral - tanto no Brasil como nos EUA . Mas o diálogo não precisa ser retomado só depois das eleições, segundo Neto. Seria possível "preparar o terreno tecnicamente" para um acordo que seja bom para as duas nações, saindo do mérito das tarifas e negociando pontos em comum, em que as duas nações saiam ganhando. Ele cita minerais críticos, propriedade intelectual e energia. "Se o Brasil discutir com os Estados Unidos apenas tarifas, eu acho que muito dificilmente nós conseguiríamos sair desse impasse. Mas se trouxer pra mesa outros elementos, como minerais críticos, energia, propriedade intelectual e outras questões que geram ganhos em comum, isso pode ajudar a melhorar e começar a construir uma rampa, para sair dessa posição que nós estamos". Segundo o presidente da Amcham, a situação do Brasil é bem diferente dos meses de julho, agosto e setembro do ano passado, quando os canais de comunicação com o governo Trump estavam obstruídos. "Este não é o caso agora. Existe diálogo entre os dois governos. Nos últimos dois meses, nós vimos uma intensificação desses contatos, sobretudo do Itamaraty e Ministério de Comércio Exterior, do lado brasileiro, e o USTR, do lado americano. Há uma forma de dar continuidade. Mas é preciso que essas conversas se intensifiquem e o envolvimento presidencial é inevitável", argumenta. Neto enfatiza que não há outro caminho para reverter ou mitigar a situação do Brasil além do caminho das negociações, que deve incluir a Presidência da República. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/amcham-reciprocidade-pode-escalar-tensao-politica-com-eua
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