Economia

Galípolo indica juros ‘restritivos’ por mais tempo

Presidente do Banco Central afirmou que falta de clareza sobre origem da pressão inflacionária exige cautela da autoridade monetária

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Reprodução/YouTube

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Reprodução/YouTube

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24) que a resiliência da economia e do mercado de trabalho, somada às expectativas de inflação desancoradas, exigem a manutenção da taxa de juros em nível "restritivo” por um período maior do que o esperado pelo mercado.

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Segundo Galípolo, ainda é "bastante complexo" para o BC separar o quanto da inflação tem vindo de choques de oferta e o quanto reflete uma atividade econômica mais aquecida. Por isso, disse que o Banco Central seguirá adotando uma postura que depende de dados concretos para identificar com mais clareza a tendência da economia. As declarações foram feitas durante participação no Expert XP 2026, em São Paulo.

“Aqui no Brasil [...] a gente precisa de uma dose de remédio muito mais elevada do que os nossos pares, mas o efeito é esse: a gente vai seguir acompanhando os dados com a convicção de que o cenário atual demanda a taxa de juros em patamar restritivo", afirmou.

Para o presidente do Banco Central, os próprios movimentos dos operadores de mercado e as projeções de expectativa sobre a inflação não trazem clareza sobre como deve caminhar a inflação no curto e médio prazo. “São decisões que estão sendo tomadas hoje que estão alcançando esse horizonte, de 2028 ou há nessas projeções uma expectativa sobre algo que ainda será feito?", questionou Galípolo.

Sobre o impacto da retomada do conflito entre Irã e Estados Unidos e o fechamento da rota de tráfego marítimo no Mar Vermelho, o presidente do BC evitou fazer projeções e se limitou a dizer que a autoridade monetária acompanha diariamente a evolução do cenário.

O Comitê de Política Monetária (Copom) volta a se reunir no início de agosto para definir o novo patamar da taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano. A expectativa majoritária no mercado era de um corte de 0,25 ponto percentual, mas altas recentes na cotação do petróleo de referência deixaram em xeque se o ritmo de cortes se manterá nos próximos meses.

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