O ex-chanceler e assessor especial do presidente da República, Celso Amorim, afirmou ao SBT News que não acredita na interferência direta do presidente Donald Trump nas eleições brasileiras, mas não descarta intervenção do que chamou de “setores dos Estados Unidos”.
Amorim contou que na conversa por telefone que Lula manteve com Trump em agosto deste ano, o americano desejou “boa sorte” para o presidente brasileiro e declarou que não iria interferir nas eleições.
“Se você me perguntar se Trump vai determinar, eu diria não. Pela conversa que houve entre os dois, ele explicitamente falou que não quer interferir, desejou boa sorte. Claro que ‘boa sorte’ é uma coisa formal. Você pode interpretar de muitas formas. Mas, de qualquer maneira, não acredito. Agora, se setores nos Estados Unidos vão buscar ter alguma intervenção, seja através das big techs, seja através de outros meios, isso eu não saberia”, avaliou.
“Há uma visão estratégia dos Estados Unidos, que sempre esteve presente, mas que agora está com muita força, de tratar isso aqui como quintal. O presidente (Lula) se referiu a isso (no discurso na ONU), não falou de Estados Unidos, mas disse que há uma tendência de tratar como um quintal, sem respeito. Quer dizer, você vai lá e domina”, disse. Amorim citou ameaças e discursos de Trump sobre outros países e territórios como exemplo do que o Brasil não pode ser alvo.
Amorim recebeu equipe do SBT News no Palácio do Planalto para entrevista exclusiva em que avaliou as repercussões do discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta semana.
Para o ex-chanceler, Lula deu o tom da soberania do Brasil. Ele minimizou o fato de não ter ocorrido nenhum contato pessoal com Trump e que o presidente não viajou com essa expectativa.
Acompanhe a entrevista na programação do SBT, nas redes e na TV.


























