Saúde

Seu sapato pode ser o vilão das dores nos pés, joelhos e coluna

Especialista explica como o uso diário de sapatos inadequados pode causar dores e dá dicas simples para escolher modelos mais seguros

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Brazil Health
29/01/2026, 11:01 • Atualizado em 29/01/2026, 11:01
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fábrica de sapatos - José Luis da Conceição/ A2 FOTOGRAFIA

fábrica de sapatos - José Luis da Conceição/ A2 FOTOGRAFIA

Dores nos pés, sensação de queimação, formigamento, calosidades e até desconforto no joelho e na coluna muitas vezes têm uma origem subestimada: o calçado usado no dia a dia. Embora o sapato seja visto como item de estilo ou necessidade profissional, ele influencia diretamente a forma de caminhar e a distribuição das cargas sobre ossos, articulações e tendões.

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Quando o calçado não respeita a anatomia do pé ou não oferece suporte adequado, o corpo passa a compensar. Repetidas ao longo do dia, essas compensações geram sobrecarga e podem desencadear dores crônicas, inflamações e deformidades progressivas.

Como o calçado interfere no funcionamento do pé

O pé é uma estrutura complexa, formada por ossos, ligamentos, músculos e articulações que atuam em conjunto para absorver impactos e permitir o deslocamento. Calçados muito rígidos, com solado fino ou excessivamente duro, reduzem essa capacidade de amortecimento e transferem a carga para áreas sensíveis, como o antepé e o calcanhar.

Sapatos de bico fino comprimem os dedos, alteram o alinhamento do dedão e favorecem deformidades como o joanete. O uso frequente de salto alto desloca o centro de gravidade, sobrecarrega o antepé, encurta a musculatura da panturrilha e aumenta a pressão sobre joelhos e coluna lombar. Mesmo calçados aparentemente confortáveis, como sandálias muito planas ou chinelos, podem ser prejudiciais quando usados por longos períodos, pois oferecem pouco suporte ao arco do pé.

Sinais de que o sapato está prejudicando seus pés

O corpo costuma emitir sinais claros quando o calçado não é adequado. Dor ao fim do dia, inchaço, queimação na planta do pé e o surgimento de calos ou áreas de pele engrossada são alguns dos primeiros indícios. Em estágios mais avançados, podem surgir tendinites, dor no calcanhar, desconforto no tornozelo e até mudanças na forma de caminhar.

Outro sinal frequente é a dor que melhora ao ficar descalço ou ao trocar o tipo de sapato. Isso indica que o problema não está apenas no pé, mas na interação entre o pé e o calçado. Ignorar esses sinais e manter o uso do mesmo modelo pode levar a quadros mais complexos e exigir tratamento prolongado.

Como escolher melhor o calçado no dia a dia

Escolher um bom calçado vai além da estética. O ideal é optar por modelos que respeitem o formato natural do pé, ofereçam espaço adequado para os dedos, solado com leve amortecimento e boa estabilidade. O suporte ao arco plantar deve ser suficiente para distribuir melhor as cargas durante a caminhada.

Alternar tipos de calçados ao longo da semana também ajuda a evitar sobrecarga repetitiva nos mesmos pontos. Para quem permanece muitas horas em pé ou caminha longas distâncias diariamente, essa alternância é ainda mais importante. Quando há dor persistente, a avaliação com um ortopedista

especialista em pé e tornozelo é fundamental para identificar alterações na pisada e orientar escolhas mais seguras.

Sapato não deve causar dor. Quando isso acontece, o desconforto não é normal nem inevitável. Ajustar o calçado à anatomia do pé é uma das formas mais simples e eficazes de prevenir dores, preservar as articulações e manter a qualidade de vida a longo prazo.

Dra. Marina Melhado - CRM/SP 179.632, RQE 121.033

Ortopedista e traumatologista

Membro da Brazil Health

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