Volta das férias: por que o inchaço demora a desaparecer em algumas pessoas
Segundo médico, entre os fatores está a mudanças no estilo de vida


SBT News
O fim das férias costuma trazer de volta a rotina, os horários fixos e as longas horas sentado ou em pé no trabalho. Mas, para muitas pessoas, um incômodo insiste em permanecer mesmo depois do descanso: o inchaço nas pernas, pés e tornozelos.
Segundo o cirurgião vascular Caio Focássio, o sintoma não é apenas consequência de "exageros pontuais" das férias. Ele está diretamente ligada a mudanças no estilo de vida e à forma como o corpo reage ao calor e à retomada da rotina.
Durante o período de descanso, é comum haver alteração na alimentação, com maior consumo de sal, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados, que favorecem a retenção de líquidos.
Além disso, viagens longas, muitas horas sentado em carros, aviões ou ônibus e redução da atividade física regular prejudicam o retorno venoso, fazendo o sangue circular com mais dificuldade das pernas para o coração.
"O sistema venoso depende muito do movimento muscular", explica Focássio, que é membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
"Quando a pessoa passa das férias ativas ou desorganizadas para uma rotina mais sedentária no trabalho, o inchaço pode demorar dias ou até semanas para regredir", acrescenta.
Outro fator importante é o chamado calor residual. Mesmo após o fim das férias, as altas temperaturas continuam atuando sobre os vasos sanguíneos, provocando dilatação das veias e dificultando o retorno do sangue.
O calor mantém a vasodilatação. Isso, segundo o médico, favorece o acúmulo de líquidos nos membros inferiores, especialmente em quem já tem predisposição a varizes ou insuficiência venosa.
Quando procurar ajuda?
Na maioria dos casos, o inchaço tende a melhorar com a retomada gradual de hábitos saudáveis: hidratação adequada, redução do consumo de sal, prática regular de exercícios e pausas ao longo do dia para movimentar as pernas. No entanto, alguns sinais merecem atenção.
"Se o inchaço for persistente, vier acompanhado de dor, vermelhidão, sensação de calor local ou assimetria entre as pernas, é fundamental procurar avaliação médica para descartar problemas circulatórios mais sérios, como a trombose", orienta Focássio.
O médico acrescenta que o inchaço não deve ser normalizado quando se torna frequente. Muitas vezes, ele é o primeiro sinal de que a circulação precisa de atenção.









