São Paulo registra primeiro caso de sarampo em 2026
Criança de 6 meses teve diagnóstico confirmado após viagem à Bolívia; Secretária da Saúde do estado reafirma que vacinação é principal forma de prevenção


Naiara Ribeiro
Uma criança de 6 meses de idade é a primeira paciente com sarampo confirmada na cidade de São Paulo neste ano. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). A Secretaria Municipal de Saúde afirma que não houve caso secundário ou disseminação na capital.
Segundo a pasta estadual, a criança, do sexo feminino, não tem histórico de vacinação e viajou para a Bolívia em janeiro deste ano.
O caso foi notificado à Secretaria em fevereiro e confirmado por exames laboratoriais neste mês. O Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo emitiu um alerta na última segunda-feira (9). No ano passado, foram registrados dois casos importados da doença no território paulista.
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo.
A Secretaria de Estado da Saúde informou que monitora continuamente o cenário epidemiológico da doença. Em caso de dúvidas, a população pode acessar o portal Vacina 100 Dúvidas, que reúne as perguntas mais frequentes sobre vacinação, efeitos colaterais, eficácia dos imunizantes, doenças imunopreveníveis e os riscos da não vacinação.
Em nota ao SBT News, o Ministério da Saúde afirma que em 2026, mais de 510 mil doses da vacina contra o sarampo foram enviadas ao estado de São Paulo, das quais 177,5 mil já foram aplicadas.
Veja a nota completa:
"O Brasil segue livre da circulação endêmica do sarampo e mantém o status mesmo após as Américas perderem a certificação regional devido a surtos em países como Estados Unidos, Canadá e México. Em 2025, o Ministério da Saúde interrompeu a transmissão de casos importados no país após resposta rápida de vigilância, vacinação e bloqueio, estratégia reconhecida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Em 2026, até o momento, foi confirmado um caso importado em São Paulo: uma criança de seis meses, moradora da zona norte da capital, com histórico recente de viagem a La Paz, na Bolívia, país com surto ativo da doença. Como resposta, foi realizado bloqueio vacinal na região, com mais de 600 doses aplicadas entre janeiro e fevereiro. Essa mesma estratégia foi adotada em 2025 quando foi registrado caso importado dos Estados Unidos no estado, com bloqueio efetivo a partir das ações do Ministério da Saúde em conjunto com a gestão local.
Em janeiro, o Ministério da Saúde também realizou um Dia D de vacinação na capital paulista para reforçar a proteção da população. Para proteger a população nas áreas de fronteira com a Bolívia, o Brasil intensificou a vacinação contra o sarampo nos estados fronteiriços e doou mais de 640 mil doses ao país vizinho.
Em 2025, a cobertura vacinal em São Paulo foi de 90,44% para a primeira dose e 83,14% para a segunda. Em 2026, mais de 510 mil doses foram enviadas ao estado, das quais 177,5 mil já foram aplicadas.
A vacina é a principal forma de prevenção e está disponível no país para pessoas de 12 meses a 59 anos. O Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, mantém vigilância ativa, com rastreamento de contatos e reforço da vacinação para evitar novos casos."
O que é o sarampo?
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Apesar dos avanços no controle e na prevenção por meio da vacinação, a doença ainda representa um desafio para a saúde pública, especialmente em regiões com baixas taxas de imunização.
Caracterizada por sintomas que podem ser confundidos com os de outras doenças virais, a doença exige atenção para ser identificada e tratada adequadamente.
O sarampo pode levar a complicações como pneumonia (infecção no pulmão), otite média aguda (infecção no ouvido) e encefalite aguda (inflamação no cérebro). Segundo o Ministério da Saúde, a doença também pode levar à morte: de 1 a 3 a cada 1.000 crianças doentes podem morrer em decorrência de complicações.
Sintomas
Os principais sinais e sintomas do sarampo são manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre alta, acima de 38,5°C, acompanhadas de um ou mais dos seguintes sintomas:
- Tosse seca
- Irritação nos olhos (conjuntivite)
- Nariz escorrendo ou entupido
- Mal-estar intenso
Entre três e cinco dias após o início dos sintomas, é comum surgirem manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas, que depois se espalham pelo restante do corpo.
Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade.
Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos utilizados servem apenas para aliviar os sintomas da doença. A orientação, em caso de suspeita, é não se medicar sem recomendação médica e procurar o serviço de saúde mais próximo.
Transmissão e prevenção
A transmissão do vírus do sarampo ocorre de pessoa para pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas no corpo.
Por ser uma doença extremamente contagiosa, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.
O sarampo é uma doença prevenível por vacinação. Os critérios de indicação da vacina são revisados periodicamente pelo Ministério da Saúde e levam em conta fatores como características da doença, idade, histórico de infecção, ocorrência de surtos e outros aspectos epidemiológicos.
Vacinação e quem deve se vacinar contra o sarampo
No SUS, há três tipos de vacinas disponíveis que protegem contra o sarampo:
- Dupla viral: Protege contra os vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para bloqueio vacinal em situações de surto
- Tríplice viral: Protege contra os vírus do sarampo, caxumba e rubéola
- Tetra viral: Protege contra os vírus do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora)
Todas as pessoas de 12 meses a 59 anos de idade têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as orientações do Calendário Nacional de Vacinação.
- Crianças: a vacinação contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. A administração da primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade (tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola) e a segunda aos 15 meses (tetra viral– sarampo, caxumba, rubéola e varicela)
- Pessoas de 5 até 29 anos: devem tomar duas doses da vacina com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. A pessoa que comprovar 2 doses da vacina tríplice viral será considerada vacinada
- Pessoas de 30 a 59 anos de idade: devem tomar uma dose da vacina. A pessoa que comprovar 1 dose da tríplice viral será considerada vacinada
De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a dose no puerpério.
Já os trabalhadores da saúde devem receber duas doses da tríplice viral, independentemente da idade, de acordo com a situação vacinal. É considerado vacinado o profissional que comprovar duas doses da vacina.









