Reposição hormonal aumenta risco de trombose? Entenda
Especialista explica que é necessário fazer uma avaliação individual para equilibrar segurança e qualidade de vida na menopausa
Brazil Health
Especialista relação entre reposição hormonal e trombose | Freepik
Durante muito tempo, a menopausa foi quase uma sentença de que a vida havia terminado. Muitas mulheres carregam não apenas a dor de já não se sentir tão útil em uma sociedade que cultua a juventude e que, por muito tempo, atribuiu o valor da mulher à sua capacidade reprodutiva. Sem contar o fato de carregar em silêncio as dores e os desconfortos que acompanham a privação hormonal.
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A terapia de reposição hormonal existe há muitas décadas. Ainda assim, seu acesso sempre foi um tanto limitado: não apenas pelo desconhecimento e pelo medo de efeitos colaterais reais, mas também pelo lugar de invisibilidade e silêncio que a menopausa ocupou durante tanto tempo.
E um dos grandes limitadores de seu uso sempre foi o risco de trombose – uma condição séria que deve, sempre que possível, ser evitada.
Mas eis que os tempos mudaram.
A mulher tem conquistado espaços e assumido o protagonismo da própria vida. Para muitas, é justamente nesta fase que os sonhos voltam a ter atenção. No entanto, às vezes falta disposição, falta energia, chega à insônia. O corpo parece não acompanhar a vontade de viver tudo o que ainda existe pela frente.
O que mudou: mais informação e opções mais seguras
A boa notícia é que, junto com as conquistas da mulher, a ciência também avançou. Hoje, temos opções mais seguras e tratamentos capazes de aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres.
E a terapia de reposição hormonal passa a ganhar espaço nas rodas de conversa, nas redes sociais e nos consultórios médicos.
Então, significa que a reposição hormonal deve ser indicada para todas as mulheres?
Indicada não. Considerada, sim!
Porque, embora os avanços sejam indiscutíveis e o estrogênio transdérmico esteja associado a um risco de trombose menor do que o estrogênio oral, isso não significa que o risco seja zero.
Também não significa que toda mulher com algum fator de risco deva ser automaticamente privada dos benefícios do tratamento.
Risco de trombose: decisão precisa ser personalizada
Ter tido uma trombose, ter familiares de primeiro grau que já tiveram trombose, receber o diagnóstico de uma trombofilia ou conviver com fatores de risco comuns, como obesidade e diabetes, significa, necessariamente, receber a sentença de que a terapia hormonal nunca será possível?
Essa decisão exige uma avaliação muito criteriosa e totalmente personalizada.
Afinal, trombose é uma condição multifatorial, e seu risco é dinâmico. Por isso, uma avaliação individualizada ajuda a compreender riscos reais e ponderar entre o que é risco e os potenciais benefícios para, assim, definir, sempre que possível, a estratégia mais segura para cada mulher.
Falar sobre esse assunto e trazer para discussão os benefícios, sem esquecer de possíveis riscos, é o primeiro passo para que decisões conscientes e embasadas sejam construídas da forma mais segura possível.
Cautela, sim. Medo sem avaliação, não.
** Patricia Lima Junqueira é hematologista com especialização em Trombose e Hemostasia pelo HCFMUSP
Reposição hormonal aumenta risco de trombose? EntendaEspecialista explica que é necessário fazer uma avaliação individual para equilibrar segurança e qualidade de vida na menopausa
Saúde2026-08-28T14:55:44.036ZDurante muito tempo, a menopausa foi quase uma sentença de que a vida havia terminado. Muitas mulheres carregam não apenas a dor de já não se sentir tão útil em uma sociedade que cultua a juventude e que, por muito tempo, atribuiu o valor da mulher à sua capacidade reprodutiva. Sem contar o fato de carregar em silêncio as dores e os desconfortos que acompanham a privação hormonal. A terapia de reposição hormonal existe há muitas décadas. Ainda assim, seu acesso sempre foi um tanto limitado: não apenas pelo desconhecimento e pelo medo de efeitos colaterais reais, mas também pelo lugar de invisibilidade e silêncio que a menopausa ocupou durante tanto tempo. E um dos grandes limitadores de seu uso sempre foi o risco de trombose – uma condição séria que deve, sempre que possível, ser evitada. Mas eis que os tempos mudaram. A mulher tem conquistado espaços e assumido o protagonismo da própria vida. Para muitas, é justamente nesta fase que os sonhos voltam a ter atenção. No entanto, às vezes falta disposição, falta energia, chega à insônia. O corpo parece não acompanhar a vontade de viver tudo o que ainda existe pela frente. O que mudou: mais informação e opções mais seguras A boa notícia é que, junto com as conquistas da mulher, a ciência também avançou. Hoje, temos opções mais seguras e tratamentos capazes de aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres. E a terapia de reposição hormonal passa a ganhar espaço nas rodas de conversa, nas redes sociais e nos consultórios médicos. Então, significa que a reposição hormonal deve ser indicada para todas as mulheres? Indicada não. Considerada, sim! Porque, embora os avanços sejam indiscutíveis e o estrogênio transdérmico esteja associado a um risco de trombose menor do que o estrogênio oral, isso não significa que o risco seja zero. Também não significa que toda mulher com algum fator de risco deva ser automaticamente privada dos benefícios do tratamento. Risco de trombose: decisão precisa ser personalizada Ter tido uma trombose, ter familiares de primeiro grau que já tiveram trombose, receber o diagnóstico de uma trombofilia ou conviver com fatores de risco comuns, como obesidade e diabetes, significa, necessariamente, receber a sentença de que a terapia hormonal nunca será possível? Essa decisão exige uma avaliação muito criteriosa e totalmente personalizada. Afinal, trombose é uma condição multifatorial, e seu risco é dinâmico. Por isso, uma avaliação individualizada ajuda a compreender riscos reais e ponderar entre o que é risco e os potenciais benefícios para, assim, definir, sempre que possível, a estratégia mais segura para cada mulher. Falar sobre esse assunto e trazer para discussão os benefícios, sem esquecer de possíveis riscos, é o primeiro passo para que decisões conscientes e embasadas sejam construídas da forma mais segura possível. Cautela, sim. Medo sem avaliação, não. ** Patricia Lima Junqueira é hematologista com especialização em Trombose e Hemostasia pelo HCFMUSPSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/reposicao-hormonal-aumenta-risco-de-trombose-entenda