Menopausa: conheça 5 suplementos “inofensivos” que podem virar problema
Entenda por que alguns suplementos, sem orientação, podem piorar sintomas e trazer riscos para a saúde


Brazil Health
Suplementar na menopausa pode ser uma estratégia poderosa. Quando feito com orientação, pode reduzir fogachos, melhorar o sono, combater a inflamação, fortalecer ossos e até aliviar o humor instável. Mas existe um outro lado dessa história que precisa ser dito: suplementar de forma aleatória, sem indicação e sem dosagem correta, pode fazer mais mal do que bem.
Por que a menopausa muda a forma como o corpo reage
Nesta fase da vida, o corpo da mulher está em constante transformação hormonal. Isso significa que ele reage de forma diferente a substâncias – inclusive às naturais. Conheça os 5 suplementos que exigem mais atenção na menopausa: 1. Vitamina D – Essencial, mas perigosa em excesso A vitamina D é fundamental na menopausa para a saúde dos ossos, imunidade e humor. O problema é que ela é lipossolúvel – ou seja, se acumula no organismo. Doses altas sem acompanhamento podem causar hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue), com sintomas como náuseas, fraqueza, pedras nos rins e até alterações cardíacas. Muitas mulheres tomam doses cavalares sem saber o nível que já têm no sangue. O ideal é dosar primeiro, suplementar depois. 2. Melatonina – O sono não volta sozinho com dose alta A queda de estrogênio interfere diretamente na produção de melatonina, e é por isso que os distúrbios de sono são tão comuns na menopausa. A suplementação pode ajudar – mas doses muito altas (acima de 1–2 mg) podem causar sonolência diurna, pesadelos e até piorar o padrão de sono a longo prazo. Além disso, pode interagir com medicamentos para pressão e antidepressivos. Mais não é sempre melhor. 3. Ferro – Quando o ciclo para, a necessidade muda Na pré-menopausa, muitas mulheres têm anemia pelo sangramento intenso. Mas após a menopausa, a necessidade de ferro cai drasticamente. Continuar suplementando sem indicação pode levar ao acúmulo de ferro no organismo – uma condição chamada sobrecarga de ferro – que favorece inflamação, aumenta o risco cardiovascular e sobrecarrega o fígado. Ferro sem anemia confirmada é um risco desnecessário. 4. Fitoestrogênios (Soja, Isoflavonas) – Natural não significa inofensivo As isoflavonas de soja têm ação similar ao estrogênio no corpo e podem aliviar fogachos em algumas mulheres. Mas, justamente por mimetizarem o hormônio, precisam de cuidado: em mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente (mama, ovário, endométrio) ou com miomas, o uso indiscriminado pode ser contraindicado. O fato de ser "natural" não elimina o risco – elimina a negligência. 5. Magnésio – Ótimo aliado, mas na forma e dose certas O magnésio é um dos suplementos mais indicados na menopausa – ajuda no sono, reduz a ansiedade, protege os ossos e melhora a resistência à insulina. O problema está na forma errada (como o óxido de magnésio, pouco absorvido) ou em doses altas que causam diarreia e desconforto intestinal. Em pessoas com doença renal, o excesso pode ser sério. A escolha da forma e da dose faz toda a diferença.
Suplementar, sim – mas com consciência
Suplementar na menopausa pode ser uma estratégia poderosa. Quando feito com orientação, pode reduzir fogachos, melhorar o sono, combater a inflamação, fortalecer ossos e até aliviar o humor instável. Mas existe um outro lado dessa história que precisa ser dito: suplementar de forma aleatória, sem indicação e sem dosagem correta, pode fazer mais mal do que bem.
A menopausa é uma fase que se beneficia muito de um suporte nutricional inteligente. A suplementação certa pode reduzir a inflamação crônica de baixo grau (tão comum nesta transição), melhorar a composição corporal, proteger o coração e os ossos, e tornar os sintomas muito mais leves. Mas para isso funcionar de verdade, é preciso ter clareza sobre o que o seu corpo precisa – e não o que a vizinha, a influencer ou o grupo de WhatsApp recomendam. Antes de iniciar qualquer suplementação, busque orientação de um profissional de saúde que conheça a fisiologia feminina nesta fase. Exames, histórico clínico e sintomas individuais devem guiar as escolhas – não modismos. Você merece uma abordagem personalizada. O seu corpo é único – e ele pede atenção à sua medida. * Tatiana Tais Teixeira Gelezolo é cirurgiã-geral, com pós-graduação em Cirurgia Geral, cirurgia plástica e atualmente é pós-graduanda em Nutrologia









