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Saúde

Espera por transplante de córnea dobra no Brasil e chega a quase 4 anos em alguns estados

Mais de 31 mil brasileiros aguardam pelo procedimento, que tem o maior tempo de espera dos últimos 10 anos

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O tempo de espera por cirurgia de transplante de córnea no Brasil dobrou. Em alguns estados, a fila pode chegar a quase quatro anos. Atualmente, mais de 31 mil pacientes aguardam para realizar o procedimento.

De acordo com o Ministério da Saúde, são 31.240 brasileiros na fila. A média nacional de espera é de 374 dias, o maior tempo registrado nos últimos 10 anos.

O cenário mais grave é no Rio de Janeiro, onde a fila pode chegar a 1.424 dias, cerca de quatro anos. Já estados como Ceará (58 dias), Santa Catarina (164 dias) e São Paulo (247 dias) conseguiram manter prazos menores.

A fila aumentou durante a pandemia, quando as cirurgias eletivas ficaram suspensas por seis meses. Segundo a Sociedade Brasileira de Córnea, outros fatores também contribuem para a demora, como dificuldades na organização dos sistemas estaduais e valores defasados repassados pelo SUS, o que limita o número de atendimentos.

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Aline Moryama, coordenadora do Comitê de Banco de Olhos, explica: “realmente, a maioria dos procedimentos realizados nessa parte da doação e de processamento nos bancos de olhos não tem aumento desde 2008, alguns desde 2009. Mas tivemos neste ano a publicação de um decreto aumentando o valor de dois itens dessa missão de procedimentos que são realizados em banco de olhos e no processo de doação”.

Outro obstáculo para aumentar o número de córneas disponíveis é a falta de informação das famílias sobre o desejo da pessoa em ser doadora e sobre como o procedimento funciona.

Muitas vezes há receio sobre possíveis alterações estéticas. No entanto, o resultado é natural, afirma Aline: “geralmente é retirada a córnea e o globo ocular com aquela parte branca que também pode ser usada em alguns tipos de transplantes. Às vezes as famílias ficam com receio de que possa haver algum aspecto que constranja, mas o aspecto final é muito natural”.

Apesar dos desafios, o Brasil continua sendo referência internacional em transplantes de córnea.

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