Saúde

Escala de contágio: quais doenças se espalham mais rápido?

Objetos do dia a dia, conhecidos como fômites, podem se tornar veículos silenciosos de infecção; entenda

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The Conversation
13/08/2025, 15:00 • Atualizado em 13/08/2025, 15:00
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Objetos do dia a dia, conhecidos como fômites, podem se tornar veículos silenciosos de infecção | Freepik

Objetos do dia a dia, conhecidos como fômites, podem se tornar veículos silenciosos de infecção | Freepik

Quando a pandemia da COVID-19 estourou, muitas pessoas recorreram ao filme Contágio (2011), assustadoramente profético, em busca de respostas — ou, pelo menos, de catarse. De repente, seu enredo hipotético parecia muito real. Aclamado por sua precisão científica, o filme ofereceu mais do que suspense – ofereceu lições.

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Uma cena em particular se destaca. A personagem de Kate Winslet dá uma lição concisa sobre o poder infeccioso de vários patógenos – explicando como eles podem ser transmitidos de nossas mãos para os muitos objetos com os quais entramos em contato todos os dias – “maçanetas, bebedouros, botões de elevador e uns aos outros”. Esses objetos do dia a dia, conhecidos como fômites (maçanetas, teclados e talheres), podem se tornar veículos silenciosos de infecção.

Ela também explicou como cada infecção recebe um valor chamado R0 (ou R-nought) com base em quantas pessoas provavelmente serão infectadas por outra. Assim, para um R0 de dois, cada paciente infectado transmitirá a doença a duas outras pessoas. Que, coletivamente, a transmitirão a mais quatro. E assim se desenrola um surto, ou uma epidemia.

A medida R0 indica como uma infecção se espalhará em uma população. Se for maior que um (como visto acima), o resultado é a propagação da doença. Um R0 de um significa que o nível de pessoas infectadas permanecerá estável e, se for menor que um, a doença geralmente desaparecerá com o tempo.

As infecções em circulação se espalham por uma variedade de vias e diferem amplamente em seu grau de contágio. Algumas são transmitidas por gotículas ou aerossóis — como aqueles liberados ao tossir ou espirrar —, enquanto outras se espalham pelo sangue, insetos (como carrapatos e mosquitos) ou alimentos e água contaminados.

Mas se pararmos para pensar em como podemos nos proteger contra o desenvolvimento de uma doença infecciosa, uma lição importante é entender como elas se espalham. E, como veremos, é também uma lição sobre como proteger os outros, não apenas a nós mesmos. Aqui está um resumo de algumas das doenças mais e menos infecciosas do planeta.

Sarampo

Em primeiro lugar entre as mais contagiosas está o sarampo.

O sarampo ressurgiu globalmente nos últimos anos, inclusive em países de alta renda como o Reino Unido e os EUA. Embora vários fatores contribuam para essa tendência, a principal causa é o declínio nas taxas de vacinação infantil. Essa queda foi impulsionada por perturbações como a pandemia da COVID-19 e conflitos globais, bem como pela disseminação de desinformação ou informações erradas sobre a segurança das vacinas.

O número R0 para o sarampo está entre 12 e 18. Se fizermos as contas, dois ciclos de transmissão a partir da primeira pessoa infectada podem levar a 342 pessoas contraindo a doença. É um número impressionante para apenas um paciente, mas, felizmente, o poder protetor da vacinação ajuda a reduzir a disseminação real, diminuindo o número de pessoas suscetíveis à infecção.

O sarampo é extremamente virulento, espalhando-se por meio de minúsculas partículas transportadas pelo ar liberadas em tosses ou espirros. Ele nem mesmo requer contato direto. É tão contagioso que uma pessoa não vacinada pode contrair o vírus apenas entrando em uma sala onde uma pessoa infectada esteve presente duas horas antes.

Pessoas também podem ser infecciosas e espalhar o vírus do sarampo antes de desenvolverem sintomas ou terem qualquer motivo para se isolarem.

Outras doenças infecciosas com altos valores de R0 incluem coqueluche, ou tosse convulsa (12 a 17), varicela (dez a 12) e COVID-19, que varia de acordo com o subtipo, mas geralmente fica entre oito e 12. Embora muitos pacientes se recuperem totalmente dessas doenças, elas ainda podem levar a complicações graves, incluindo pneumonia, convulsões, meningite, cegueira e, em alguns casos, morte.

Baixa propagação, alto risco

No outro extremo do espectro, uma taxa de infecciosidade mais baixa não significa que uma doença seja menos perigosa.

Vejam, por exemplo, a tuberculose (TB), cujo R0 varia entre menos de um e quatro. Essa variação depende de fatores locais, como condições de vida e qualidade dos serviços de saúde disponíveis.

Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a TB também é transmitida pelo ar, mas se propaga mais lentamente, geralmente exigindo contato próximo prolongado com alguém com a doença ativa. Os surtos tendem a ocorrer entre pessoas que compartilham espaços de convivência, como familiares, e em residências, abrigos ou prisões.

O verdadeiro perigo da tuberculose reside na dificuldade de tratamento. Uma vez estabelecida, ela requer uma combinação de quatro antibióticos tomados por um período mínimo de seis meses. Antibióticos padrão, como a penicilina, são ineficazes, e a infecção pode se espalhar além dos pulmões para outras partes do corpo, incluindo cérebro, ossos, fígado e articulações.

Além disso, os casos de TB resistente a medicamentos estão aumentando. Neles, as bactérias não respondem mais a um ou mais dos antibióticos usados no tratamento.

Outras doenças com menor infectividade incluem o vírus Ebola – que é altamente letal, mas para se espalhar requer contato físico próximo com fluidos corporais. Seu R0 varia de 1,5 a 2,5.

Doenças com valores R0 mais baixos – abaixo de um – incluem a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), gripe aviária e lepra. Embora essas infecções sejam menos contagiosas, sua gravidade e possíveis complicações não devem ser subestimadas.

Como prevenir?

A ameaça representada por qualquer doença infecciosa depende não apenas de como ela afeta o corpo, mas também da facilidade com que se espalha. Medidas preventivas como a vacinação desempenham um papel vital – não apenas na proteção das pessoas, mas também na limitação da transmissão para aqueles que não podem receber algumas vacinas – como bebês, mulheres grávidas e pessoas com alergias graves ou sistemas imunes enfraquecidos. Esses indivíduos também são mais vulneráveis a infecções em geral.

É aqui que a imunidade de rebanho se torna essencial. Ao alcançar uma imunidade generalizada na população, ajudamos a proteger as pessoas mais suscetíveis.

* Dan Baumgardt é Professor Sênior da Escola de Fisiologia, Farmacologia e Neurociência da Universidade de Bristol

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