Saúde

Epilepsia: como lidar com a doença para ter vida saudável

Controle de crises, medicação e riscos de cada atividade influenciam decisões sobre trabalho, habilitação, exercícios e planejamento familiar.

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A epilepsia é um distúrbio que afeta o sistema nervoso central | Magnific (Freepik

A epilepsia é um distúrbio que afeta o sistema nervoso central | Magnific (Freepik

Ter epilepsia não significa, por si só, ser incapaz para o trabalho. O que determina se uma atividade é segura e adequada é a combinação entre o tipo de crise (crises convulsivas e com alteração da consciência são mais incapacitantes do que aquelas em que não há perda da consciência), a frequência e o grau de controle da doença (quanto mais frequentes e menos controladas, mais incapacitantes), os efeitos da medicação (alguns medicamentos podem causar sonolência excessiva ou lentificação do pensamento) e os riscos específicos do trabalho.

Algumas profissões apresentam maior risco, como as ligadas à aviação e ao transporte de passageiros. Trabalhos em altura, como em andaimes, telhados e na limpeza de fachadas, ou com prensas e serras industriais são outros exemplos.

Epilepsia e direção de veículos

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Em relação à direção de veículos, pessoas com epilepsia podem obter ou renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), desde que cumpram os critérios médicos e sejam consideradas aptas. A principal referência é a Resolução CONTRAN nº 927/2022, que regulamenta os exames de aptidão física e mental, incluindo critérios específicos para candidatos com epilepsia.

Esses critérios são diferentes para quem faz uso de medicamentos e para quem está em processo de retirada da medicação. Vale lembrar que a permissão é somente para a categoria B. Em países como a Índia e a China, não é permitido dirigir veículos quando a pessoa tem epilepsia.

Exercícios físicos: benefícios e cuidados

A prática regular de exercício físico traz benefícios importantes para pessoas com epilepsia e, em geral, é recomendada. A maioria dos esportes pode ser praticada com as precauções adequadas.

Entre os principais benefícios estão:

  • Melhor controle das crises: alguns estudos sugerem que a atividade física pode ajudar a reduzir a frequência das crises em determinadas pessoas. No entanto, as evidências ainda não permitem garantir esse efeito para todos, e o exercício não substitui a medicação.
  • Menos estresse, ansiedade e sintomas depressivos: a atividade física pode melhorar o humor, ajudar a lidar com o estresse e promover o bem-estar emocional.
  • Melhora da condição física: aumenta a força muscular, a resistência cardiovascular e a capacidade funcional, além de ajudar a controlar o peso e reduzir o risco de outras doenças.
  • Melhor sono e qualidade de vida: o exercício regular pode contribuir para um sono mais consistente, melhorar a atenção e a memória e favorecer a participação social, reduzindo o isolamento. Em geral, as atividades de menor risco incluem caminhadas e corridas em locais seguros, longe de estradas, ginástica em academias com supervisão e voleibol, entre outras. Atividades de maior risco, como mergulho, paraquedismo, escalada e surfe, devem ser evitadas.

Relacionamentos e planejamento familiar

As pessoas com epilepsia podem casar, constituir família e ter uma vida conjugal plena. A epilepsia não impede, por si só, o casamento civil nem retira da pessoa a capacidade de amar, estabelecer relações afetivas ou assumir compromissos. Uma pessoa com epilepsia pode ter uma relação afetiva saudável e satisfatória. No entanto, alguns aspectos merecem atenção: o apoio mútuo e a comunicação ajudam a lidar com o medo de ter crises.

A epilepsia não impede uma vida sexual satisfatória, embora algumas pessoas possam ter dificuldades relacionadas à própria doença ou aos medicamentos. Autonomia: ter epilepsia não significa precisar de supervisão permanente ou ser incapaz de cuidar de si. Planejamento familiar: quem deseja ter filhos pode, em geral, fazê-lo, mas deve discutir com o neurologista os medicamentos e os cuidados necessários antes de uma gravidez.

É importante frisar que os medicamentos nunca devem ser interrompidos durante a gravidez. Alguns, como o ácido valproico ou valproato de sódio, apresentam maior risco de causar malformações no feto. Se houver necessidade de trocar o medicamento, isso deve ser feito antes da gravidez.

**Fábio Barreto Cabral é neurologista

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