Enem e vestibulares: estudar mais pode render menos
Especialista alerta que sono, alimentação, atividade física e momentos de descanso também fazem parte da preparação para as provas
Brazil Health
Na reta final para o Enem e os vestibulares, sono e descanso também fazem parte da preparação | José Cruz/Agência Brasil
À medida que o Enem e os principais vestibulares se aproximam, aumenta também a pressão sobre os estudantes. São meses de conteúdo acumulado, simulados e revisões, acompanhados por uma sensação bastante comum: ainda falta estudar alguma coisa. É justamente nessa reta final que muitos jovens começam a sacrificar sono, alimentação adequada, atividade física e momentos de descanso para ganhar mais algumas horas diante dos livros.
Do ponto de vista médico, essa estratégia merece atenção. O cérebro não funciona separado do restante do organismo. Memória, concentração, raciocínio e capacidade de tomar decisões dependem também das condições físicas e emocionais em que o estudante se encontra. Não adianta ter acumulado conhecimento durante meses e chegar à prova exausto, sonolento ou incapaz de manter a atenção durante várias horas.
🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.
O sono costuma ser uma das primeiras coisas sacrificadas quando o calendário aperta. A conta parece simples: dormir duas horas mais tarde significa ganhar duas horas para estudar. Fisiologicamente, porém, não funciona exatamente assim.
Durante o sono ocorrem processos importantes relacionados à consolidação da memória e ao aprendizado. Para adolescentes entre 13 e 18 anos, a recomendação é de oito a dez horas de sono por noite. Dormir pouco repetidamente pode prejudicar atenção, memória, humor e disposição no dia seguinte.
Por isso, estudar até duas ou três horas da manhã, dormir quatro ou cinco horas e tentar compensar o cansaço no dia seguinte não é uma boa estratégia. Depois de determinado ponto, o jovem pode continuar lendo páginas e resolvendo exercícios, mas isso não significa que esteja assimilando adequadamente aquele conteúdo.
É importante entender que o sono não representa horas retiradas da preparação. Ele faz parte dela.
Quando o estudante começa a dormir menos, frequentemente aumenta também o consumo de café e bebidas energéticas. A cafeína reduz temporariamente a sensação de sonolência, mas existe uma diferença importante entre permanecer acordado e estar efetivamente atento e em condições de aprender.
Em excesso, a cafeína pode provocar palpitações, ansiedade, desconforto gastrointestinal e dificuldade para dormir. O jovem dorme pouco, toma mais cafeína para estudar no dia seguinte e pode novamente ter dificuldade para dormir à noite. Cria-se um ciclo que, em vez de melhorar o rendimento, aumenta o cansaço.
Uma coisa é manter o consumo de café ao qual o organismo já está habituado. Outra é recorrer a grandes quantidades de cafeína ou energéticos para vencer o sono. Se o corpo está pedindo descanso, simplesmente mascarar esse sinal não resolve o problema.
A preocupação deve ser ainda maior com medicamentos estimulantes utilizados sem indicação médica na tentativa de melhorar a concentração ou aumentar o número de horas de estudo. Medicamento não deve ser usado como ferramenta para permanecer acordado ou estudar mais.
Atividade física e alimentação
A atividade física também costuma desaparecer da agenda quando a prova se aproxima. Não é necessário começar uma rotina intensa de exercícios justamente agora, mas também não faz sentido transformar os últimos meses de preparação em um período de sedentarismo absoluto.
Uma caminhada, um esporte que o jovem já pratica ou qualquer atividade habitual podem ajudar a interromper longos períodos sentado e aliviar a tensão. A ideia não é acrescentar mais uma obrigação à rotina, mas preservar hábitos que fazem bem ao organismo.
O mesmo vale para a alimentação. Não existe alimento, vitamina ou suplemento capaz de melhorar a memória de uma hora para outra. É muito mais importante manter refeições regulares, hidratação adequada e evitar passar muitas horas sem comer porque é preciso terminar mais um capítulo.
À medida que a prova se aproxima, menos sentido faz experimentar dietas diferentes, suplementos ou alimentos aos quais o organismo não esteja acostumado. Na semana do exame, rotina e simplicidade são boas escolhas.
Ansiedade tem limite
É natural que um jovem fique ansioso diante de uma prova que representa anos de estudo e pode definir seu ingresso em uma universidade. Não devemos transformar qualquer nervosismo em doença. Existe, porém, uma diferença entre a ansiedade esperada e sintomas que começam a comprometer a vida cotidiana.
Insônia persistente, palpitações frequentes, alterações importantes do apetite, dores de cabeça recorrentes, sintomas gastrointestinais, crises de ansiedade ou dificuldade para manter as atividades habituais merecem atenção. Quando a tensão começa a comprometer o sono, a alimentação, o estudo ou a própria rotina, pode ser necessário procurar avaliação profissional.
A família também precisa ter cuidado. Comparações com outros estudantes, cobranças permanentes e a ideia de que o resultado de uma única prova determinará todo o futuro podem aumentar uma pressão que já é naturalmente grande.
Saber parar também faz parte da preparação
Talvez uma das decisões mais difíceis aconteça justamente na véspera. Depois de meses estudando, sempre haverá mais alguma coisa que poderia ser revista: uma fórmula, um capítulo, uma data, um exercício. É preciso reconhecer, entretanto, que o conhecimento que será utilizado na prova foi construído ao longo de meses. Algumas horas adicionais dificilmente compensarão aquilo que não foi aprendido durante esse período.
Isso não significa que seja proibido fazer uma revisão breve se isso deixa o estudante mais seguro. O problema é transformar a véspera em uma última maratona, continuar estudando até a noite e chegar ao exame com a mente sobrecarregada.
É importante estabelecer uma hora para parar. Depois disso, vale conversar com a família, ouvir música, assistir a um filme, caminhar ou simplesmente descansar. A mente também precisa sair, por algumas horas, daquele estado permanente de prova, revisão e cobrança.
Saber parar faz parte da preparação. Existe um momento em que continuar estudando deixa de acrescentar conhecimento e passa apenas a aumentar o cansaço e a ansiedade.
Também não devemos criar a obrigação de ter uma “noite perfeita” de sono antes da prova. O estudante pode deitar pensando que precisa dormir oito horas e começar a olhar o relógio, ficando cada vez mais ansioso porque o sono não vem. Mais importante é preservar uma boa rotina nos dias anteriores e tentar manter os horários aos quais o organismo já está habituado.
No dia do exame, vale o mesmo princípio. Não há necessidade de permanecer até o último minuto cercado de resumos, fórmulas e anotações tentando colocar mais informações na cabeça. Depois de meses de preparação, chega a hora de confiar no trabalho realizado.
O Enem e os vestibulares exigem concentração durante várias horas. Para enfrentar essa maratona, conhecimento é fundamental, mas não é a única coisa que importa. Chegar descansado, alimentado, hidratado e com a mente menos sobrecarregada também faz parte da preparação. Às vezes, na reta final, saber quando fechar o livro pode ser tão importante quanto saber quando abri-lo.
* Alfredo Salim Helito, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e head nacional de Clínica Médica da Brazil Health
Enem e vestibulares: estudar mais pode render menosEspecialista alerta que sono, alimentação, atividade física e momentos de descanso também fazem parte da preparação para as provasSaúde2026-10-13T16:01:54.638ZÀ medida que o Enem e os principais vestibulares se aproximam, aumenta também a pressão sobre os estudantes. São meses de conteúdo acumulado, simulados e revisões, acompanhados por uma sensação bastante comum: ainda falta estudar alguma coisa. É justamente nessa reta final que muitos jovens começam a sacrificar sono, alimentação adequada, atividade física e momentos de descanso para ganhar mais algumas horas diante dos livros. Do ponto de vista médico, essa estratégia merece atenção. O cérebro não funciona separado do restante do organismo. Memória, concentração, raciocínio e capacidade de tomar decisões dependem também das condições físicas e emocionais em que o estudante se encontra. Não adianta ter acumulado conhecimento durante meses e chegar à prova exausto, sonolento ou incapaz de manter a atenção durante várias horas. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Dormir também faz parte do estudo O sono costuma ser uma das primeiras coisas sacrificadas quando o calendário aperta. A conta parece simples: dormir duas horas mais tarde significa ganhar duas horas para estudar. Fisiologicamente, porém, não funciona exatamente assim. Durante o sono ocorrem processos importantes relacionados à consolidação da memória e ao aprendizado. Para adolescentes entre 13 e 18 anos, a recomendação é de oito a dez horas de sono por noite. Dormir pouco repetidamente pode prejudicar atenção, memória, humor e disposição no dia seguinte. Por isso, estudar até duas ou três horas da manhã, dormir quatro ou cinco horas e tentar compensar o cansaço no dia seguinte não é uma boa estratégia. Depois de determinado ponto, o jovem pode continuar lendo páginas e resolvendo exercícios, mas isso não significa que esteja assimilando adequadamente aquele conteúdo. É importante entender que o sono não representa horas retiradas da preparação. Ele faz parte dela. Café e energético não substituem descanso Quando o estudante começa a dormir menos, frequentemente aumenta também o consumo de café e bebidas energéticas. A cafeína reduz temporariamente a sensação de sonolência, mas existe uma diferença importante entre permanecer acordado e estar efetivamente atento e em condições de aprender. Em excesso, a cafeína pode provocar palpitações, ansiedade, desconforto gastrointestinal e dificuldade para dormir. O jovem dorme pouco, toma mais cafeína para estudar no dia seguinte e pode novamente ter dificuldade para dormir à noite. Cria-se um ciclo que, em vez de melhorar o rendimento, aumenta o cansaço. Uma coisa é manter o consumo de café ao qual o organismo já está habituado. Outra é recorrer a grandes quantidades de cafeína ou energéticos para vencer o sono. Se o corpo está pedindo descanso, simplesmente mascarar esse sinal não resolve o problema. A preocupação deve ser ainda maior com medicamentos estimulantes utilizados sem indicação médica na tentativa de melhorar a concentração ou aumentar o número de horas de estudo. Medicamento não deve ser usado como ferramenta para permanecer acordado ou estudar mais. Atividade física e alimentação A atividade física também costuma desaparecer da agenda quando a prova se aproxima. Não é necessário começar uma rotina intensa de exercícios justamente agora, mas também não faz sentido transformar os últimos meses de preparação em um período de sedentarismo absoluto. Uma caminhada, um esporte que o jovem já pratica ou qualquer atividade habitual podem ajudar a interromper longos períodos sentado e aliviar a tensão. A ideia não é acrescentar mais uma obrigação à rotina, mas preservar hábitos que fazem bem ao organismo. O mesmo vale para a alimentação. Não existe alimento, vitamina ou suplemento capaz de melhorar a memória de uma hora para outra. É muito mais importante manter refeições regulares, hidratação adequada e evitar passar muitas horas sem comer porque é preciso terminar mais um capítulo. À medida que a prova se aproxima, menos sentido faz experimentar dietas diferentes, suplementos ou alimentos aos quais o organismo não esteja acostumado. Na semana do exame, rotina e simplicidade são boas escolhas. Ansiedade tem limite É natural que um jovem fique ansioso diante de uma prova que representa anos de estudo e pode definir seu ingresso em uma universidade. Não devemos transformar qualquer nervosismo em doença. Existe, porém, uma diferença entre a ansiedade esperada e sintomas que começam a comprometer a vida cotidiana. Insônia persistente, palpitações frequentes, alterações importantes do apetite, dores de cabeça recorrentes, sintomas gastrointestinais, crises de ansiedade ou dificuldade para manter as atividades habituais merecem atenção. Quando a tensão começa a comprometer o sono, a alimentação, o estudo ou a própria rotina, pode ser necessário procurar avaliação profissional. A família também precisa ter cuidado. Comparações com outros estudantes, cobranças permanentes e a ideia de que o resultado de uma única prova determinará todo o futuro podem aumentar uma pressão que já é naturalmente grande. Saber parar também faz parte da preparação Talvez uma das decisões mais difíceis aconteça justamente na véspera. Depois de meses estudando, sempre haverá mais alguma coisa que poderia ser revista: uma fórmula, um capítulo, uma data, um exercício. É preciso reconhecer, entretanto, que o conhecimento que será utilizado na prova foi construído ao longo de meses. Algumas horas adicionais dificilmente compensarão aquilo que não foi aprendido durante esse período. Isso não significa que seja proibido fazer uma revisão breve se isso deixa o estudante mais seguro. O problema é transformar a véspera em uma última maratona, continuar estudando até a noite e chegar ao exame com a mente sobrecarregada. É importante estabelecer uma hora para parar. Depois disso, vale conversar com a família, ouvir música, assistir a um filme, caminhar ou simplesmente descansar. A mente também precisa sair, por algumas horas, daquele estado permanente de prova, revisão e cobrança. Saber parar faz parte da preparação. Existe um momento em que continuar estudando deixa de acrescentar conhecimento e passa apenas a aumentar o cansaço e a ansiedade. Também não devemos criar a obrigação de ter uma “noite perfeita” de sono antes da prova. O estudante pode deitar pensando que precisa dormir oito horas e começar a olhar o relógio, ficando cada vez mais ansioso porque o sono não vem. Mais importante é preservar uma boa rotina nos dias anteriores e tentar manter os horários aos quais o organismo já está habituado. No dia do exame, vale o mesmo princípio. Não há necessidade de permanecer até o último minuto cercado de resumos, fórmulas e anotações tentando colocar mais informações na cabeça. Depois de meses de preparação, chega a hora de confiar no trabalho realizado. O Enem e os vestibulares exigem concentração durante várias horas. Para enfrentar essa maratona, conhecimento é fundamental, mas não é a única coisa que importa. Chegar descansado, alimentado, hidratado e com a mente menos sobrecarregada também faz parte da preparação. Às vezes, na reta final, saber quando fechar o livro pode ser tão importante quanto saber quando abri-lo. * Alfredo Salim Helito, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês e head nacional de Clínica Médica da Brazil HealthSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/enem-vestibulares-reta-final-estudo-sono-descanso
Presidenciável do PL negou "salto alto" e clima de "já ganhou" na campanha e também destacou que o pai comemorou avanço da direita no Congresso Nacional