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Saúde

Dia Mundial do Autismo: quais são os níveis e como identificar? Veja perguntas e respostas

Autismo não é uma condição única e engloba uma variedade de manifestações, pontua especialista; entenda os sinais de alerta e como tratar

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TEA: o que é e como ele pode ser diagnosticado e tratado? | Freepik
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Hoje, no Dia Mundial do Autismo, o SBT News entrevistou especialistas para entender a complexidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e os desafios enfrentados por indivíduos e famílias ao longo de todo o processo de diagnóstico e tratamento.

+ Autismo: quais são os direitos e o que pode melhorar para quem tem o transtorno no Brasil?

No Brasil, a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que pelo menos dois milhões de pessoas tenham o transtorno. O número de atendimento ambulatoriais pelo SUS cresceu cerca de 30% entre 2023 e 2024: o número foi de 14.841.301 para 18.870.736.

Para Alice Tufo, psicóloga especializada em TEA, não precisamos mais de apenas conscientização da condição, mas sim pensar na garantia de direitos para pessoas com esse diagnóstico.

"Já passamos da fase da conscientização do autismo. As pessoas já sabem de sua existência. O que precisamos é do conhecimento de cada característica, dos níveis de TEA. A sociedade precisa fugir dessa visão capacitista e parar de ver quem tem o transtorno como pessoas sem potência e autonomia", ressalta.

Ela pontua que o autismo não é uma condição única, mas um espectro que engloba uma variedade de manifestações, desde as mais leves até as mais intensas, com diferentes necessidades de apoio.

Classificação dos níveis de autismo: o que isso significa?

Atualmente, os níveis de autismo são definidos com base no grau de suporte necessário para a pessoa. O DSM-5, manual utilizado para diagnóstico psicológico, passou a classificar o autismo em três níveis:

  • Nível 1: Requer suporte;
  • Nível 2: Requer suporte substancial;
  • Nível 3: Requer suporte muito substancial.
"Os níveis de autismo são definidos a partir do grau de independência e autonomia do paciente. Apesar dos níveis, não existe autismo pior ou melhor, mas sim graus de suporte diferentes. O que muda, na prática, são as horas de intervenção de acordo com o nível definido", explica Alice.

A classificação considera o impacto do autismo nas áreas de comunicação social e comportamentos restritos e repetitivos: "A criança brincar sempre da mesma forma ou repetir continuamente uma atividade", ressalta (veja mais detalhes abaixo).

O nível 3, por exemplo, é destinado àquelas pessoas que precisam de maior apoio para realizar as atividades cotidianas do dia a dia, como escovar os dentes e tomar banho, mas todos os níveis precisam de alguma forma de suporte especializado.

Sinais iniciais de autismo: o que observar?

Os pais e cuidadores devem ficar atentos a sinais relacionados à comunicação, socialização e comportamentos repetitivos.

"A pergunta que deve ser feita é: qual é o impacto desses comportamentos na vida da criança. Tem algum comportamento que está trazendo um grande prejuízo? Se a resposta for sim, vale procurar ajuda profissional", ressalta Tufolo.

A cada fase do desenvolvimento infantil surgem sinais específicos.

Por exemplo, em bebês de até 6 meses, a falta de sorriso social, contato visual reduzido e desinteresse por rostos humanos podem ser sinais de alerta.

Já entre 6 e 12 meses, a ausência de respostas ao nome e de gestos simples é motivo de atenção. Entre 1 e 2 anos, o atraso na fala e a falta de interação social também são indicativos importantes. Nesse caso, não determina o autismo, porque pode ser confundido com outro diagnóstico, mas pode ser considerado um sinal de alerta.

Dos 2 aos 3 anos, aparece a dificuldade na formação de frases simples e pouco interesse por crianças e brincadeira, além da repetição de brincadeiras.

"No entanto, esses são sinais de alerta que podem indicar autismo, mas que devem ter o diagnóstico final de um profissional especializado", explica.

Conforme a criança cresce, dificuldades com a formação de frases e a interação com outras crianças podem surgir, sinalizando a necessidade de avaliação profissional.

Diagnóstico precoce ajuda?

Há um protocolo que define que o diagnóstico pode acontece a partir dos 18 meses de vida. No entanto, segundo Alice, ele pode acontecer antes ou depois dessa faixa-etária.

Embora existam instrumentos que podem identificar sinais precoces do transtorno antes dessa idade, muitos especialistas defendem a importância de acompanhar o desenvolvimento da criança de forma contínua, para garantir que a avaliação seja a mais precisa possível.

A detecção precoce, de acordo com ela, tem grande influência no tipo e na intensidade da intervenção que será adotada, como também no sucesso do tratamento.

Crianças com níveis mais elevados de suporte tendem a ser diagnosticadas mais cedo, o que facilita a implementação de terapias adequadas.

Como é feito o diagnóstico de autismo?

O diagnóstico e a classificação do nível de autismo são feitos por profissionais de saúde especializados, como psiquiatras ou neurologistas, por meio de avaliações clínica.

Não há uma única ferramenta padronizada para esse diagnóstico, mas instrumentos como o ADOS (Autism Diagnostic Observation Schedule) e o ADI-R (Autism Diagnostic Interview-Revised) são amplamente utilizados como suporte.

Basicamente, a ADOS funciona como uma avaliação observacional, que avalia a comunicação, interação social, hábitos e comportamentos dos pacientes. Já a ADI-R é uma entrevista.

Além disso, há conversas com a família, para entender como é o dia a dia do paciente e seus comportamentos durante as atividades diárias, como tomar banho, escovar os dentes, dentre outros, além das interações sociais, na escola e em ambientes públicos no geral. Também podem ser solicitados avaliações de outros profissionais.

"A partir daí, é definido o nível do autismo do paciente e, consequentemente, a quantidade de suporte necessária", ressalta.

Meninos têm mais autismo?

Em muitos casos, meninas com níveis mais leves de autismo podem apresentar comportamentos mais socialmente aceitáveis, o que acaba levando a diagnósticos mais tardios ou até a falta de diagnóstico.

A maior parte dos instrumentos de avaliação foram desenvolvidos a partir de estudos com uma maioria de meninos, o que pode contribuir para a subnotificação do autismo em meninas.

"Hoje é um questionamento se, de fato, acontece mais nos meninos ou se os sintomas estão mascarados nas meninas, que podem ter diagnóstico tardio ou ele nem existir", ressalta.

Como é o tratamento?

As abordagens mais recentes no tratamento de autismo focam em práticas baseadas em evidências científicas, como a Análise Comportamental Aplicada (ABA), que é o tratamento individualizado com metas e objetivos visando a evolução do paciente.

Ele precisa ser multidisciplinar, com diversas especializações envolvidas (psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos), além de contar com a presença da família e ser iniciado o quanto antes, com intervenções personalizadas para cada caso, visando o desenvolvimento de habilidades que possam ser aplicadas no contexto da vida real da criança, e não apenas em um ambiente clínico.

"Não adianta pegar as melhores profissionais do mundo. Se não houver integração com a vida real, conversa e alinhamento com a família, a intervenção será ruim", pontua.

Os desafios das famílias e o acesso ao tratamento

Na avaliação de Alice e da terapeuta ocupacional Alessandra Peres, muitas famílias brasileiras enfrentam desafios como a falta de serviços especializados, custos elevados e longos períodos de espera para diagnóstico, ainda que a rede pública de saúde ofereça auxílio pelo CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) para tratamento da condição.

De acordo com o Ministério da Saúde, até março de 2025, foram habilitados 325 Centros Especializados em Reabilitação (CERs), dos quais 285 ofertam a modalidade intelectual, indicada para o atendimento de pessoas com TEA. Além disso, o país conta com 292 Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPS I), voltados ao cuidado integral de crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes, incluindo o autismo.

"É preciso reduzir o estigma e a falta de informação sobre essa população, o que vai dar suporte para o enfrentamento de discriminação e facilitar o acesso a intervenções especializadas.", ressalta Alessandra

Na sua visão, é fundamental garantir direitos e benefícios que integrem as pessoas com Transtorno Espectro Autista (TEA) na sociedade, proporcionando oportunidades iguais.

Segundo ela, as legislações vigentes, combinadas com as políticas públicas, preveem a inclusão de pessoas autistas em diversas áreas, porém, sua implementação é desafiadora no cenário atual, considerando o conhecimento da população sobre o transtorno, infraestrutura e acesso aos serviços.

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