Covid 19: Nova variante Cicada não indica tendência de maior gravidade, diz especialista
Virologista explica que a cepa é observada mas, até o momento, não tem impacto significativo para o controle da doença

Naiara Ribeiro
A nova variante da Covid-19, apelidada de “Cicada” (cigarra, em português), tem ganhado espaço nos noticiários. A cepa BA.3.2 já foi identificada em mais de 20 países, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Até o momento, não há registros de casos no Brasil.
As pesquisas sobre o tema têm crescido no Google, na comparação com os últimos 12 meses. Os dados são do Google Trends, ferramenta que exibe os termos mais populares no buscador. O termo "covid-19", que teve uma última alta de interesse em meados de fevereiro, registra aumento de buscas na última semana. Veja:
Em entrevista ao SBT News, o virologista da USP Paulo Eduardo Brandão afirmou que a nova variante não apresenta maior gravidade em relação às demais. A avaliação está alinhada ao posicionamento da Rede Global de Vírus (GVN), uma coalizão internacional com mais de 90 centros de excelência em mais de 40 países. A entidade monitora a BA.3.2 e informa que, até agora, não há evidências que indiquem motivo para alarme ou preocupação pública elevada. A recomendação da vacinação segue como principal preventivo à doença.
O virologista explicou o que a diferencia das outras cepas: "Ela é uma linhagem dentro da Ômicron, que começou a surgir em 2021. Como esperado para esse vírus, tem várias mutações no genoma, mas não traz preocupação adicional em termos de saúde pública. Não representa um risco maior do que a Covid-19 já apresenta. É uma variante de interesse, que está sendo observada, mas sem impacto significativo nas tendências da doença", disse.
Além disso, o especialista detalha o que é o chamado “maior escape imunológico”, termo que tem sido usado ao se referir à variante. “Esse termo acaba sendo um pouco mal usado porque o vírus pode escapar dos anticorpos. Em algumas linhagens, os anticorpos não se ligam tão bem ao vírus, como ocorre nessa nova variante. Mas o sistema imune não é formado só por anticorpos, há também outras células de defesa que participam do processo. No fim, as vacinas continuam cumprindo o papel de proteger contra a doença grave, inclusive contra essa variante. Ela não tem um escape imunológico suficiente para fugir da proteção da vacinação.”
Segundo o virologista, não há indicação de que a variante provoque uma nova onda de casos graves.
“Ela não tem nenhuma gravidade a mais do que as outras variantes. Não há nenhum padrão que indique isso.”
Sobre o interesse científico, Brandão afirma que o foco está em entender o comportamento da variante. “O interesse é entender como essa variante acumulou tantas mutações em pouco tempo. O nome ‘cicada’ vem de cigarra, porque esses insetos passam anos no subsolo e depois surgem de forma repentina. Foi algo parecido: a variante ficou em níveis baixos e, de repente, começou a aparecer com mais frequência. Isso pode ter acontecido porque ela estava incubada em pacientes crônicos ou imunossuprimidos e, então, passou a se espalhar mais rapidamente. Também mostra que a estrutura científica criada desde o início da pandemia continua funcionando para monitorar novas variantes.”








