Saúde

Como é feita a avaliação dos órgãos que serão transplantados no Brasil?

Caso inédito no Brasil de transplante de órgãos contaminados com HIV veio a público; sorologia é um dos exames feitos para avaliar viabilidade da doação

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Wagner Lauria Jr., Vicklin Moraes
11/10/2024, 19:28 • Atualizado em 14/10/2024, 17:49
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Como é feita a avaliação para transplante de órgãos? | Freepik

Como é feita a avaliação para transplante de órgãos? | Freepik

Um caso inédito no Brasil de transplante de órgãos contaminados com HIV para seis pacientes no Rio de Janeiro veio a público nesta sexta-feira (11).

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O caso foi descoberto após um paciente, que recebeu um coração, começar a passar mal cerca de 9 meses após o transplante. Depois de uma série de exames, ele testou positivo para HIV. A notificação foi feita no dia 10 de setembro.

A Secretaria Estadual de Saúde descobriu, então, que pelo menos dois doadores eram soropositivos, mas o exame feito pelo PCS Lab – empresa privada que presta serviços para a SES-RJ – não detectou o vírus e liberou os órgãos para os transplantes.

O PCS Lab foi contratado pelo governo do estado em dezembro de 2023, em um processo de licitação de R$ 11 milhões. Segundo a SES, o serviço foi suspenso após a descoberta dos pacientes infectados e, com isso, os exames para transplantes passaram a ser realizados pelo HemoRio.

A pasta informou, ainda, que está "realizando um rastreio com a reavaliação de todas as amostras de sangue armazenadas dos doadores, a partir de dezembro de 2023, data da contratação do laboratório".

O SBT News está em contato com a PCS Lab para um posicionamento e atualizará este conteúdo quando tiver retorno.

Como é feita a avaliação dos órgãos que serão transplantados no Brasil?

De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), no processo de avaliação se o transplante do órgão é ou não viável, um dos principais exames realizados é a sorologia, que além de detectar o vírus HIV, é responsável por diagnosticar doenças como Covid-19, sífilis, dengue, herpes, raiva, hepatites, dentre outras.

Em alguns casos é necessário a realização da biópsia do órgão para descartar outras doenças, como câncer.

Depois são feitos os exames de compatibilidade entre doador e receptor como o HLA, um exame de sangue que avalia a compatibilidade genética entre ambos, além do Painel de Reatividade de Anticorpos (PRA), que analisa a probabilidade de o receptor rejeitar o novo órgão.

O crossmatch, no caso do transplante cardíaco, é o teste final de compatibilidade imunológica entre o doador e o receptor, de acordo com artigo publicado na Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Os laboratórios que fazem os exames precisam ser credenciados e autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Central de Transplantes de cada estado.

Doadores falecidos e vivos

No caso de doares já falecidos, é preciso que seja constatada a morte encefálica, que se caracteriza pela interrupção da irrigação sanguínea ao cérebro e a morte celular do Sistema Nervoso Central (SNC).

Eles podem doar órgãos como rins, coração, pulmão, pâncreas, fígado e intestino, segundo a Biblioteca Virtual de Saúde.

Já no caso de doadores vivos, é possível doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões

Ainda de acordo com a Biblioteca Virtual de Saúde, para avaliar o uso de partes do corpo para transplante é necessário avaliar o estado de saúde com exames físicos e laboratoriais, além da idade do doador. O único sem restrições é a córnea.

Veja o limite de idade para doação de cada órgão

Rim - Até 75 anos;

Fígado - Até 70 anos;

Válvulas cardíacas - Até 65 anos

Pele e ossos - Até 65 anos

Pulmão e coração - Até 55 anos;

Pâncreas - Até 50 anos;

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