Saúde

Comer alimentos torrados faz mal à saúde? Entenda

Preparo de alimentos pode propiciar a formação de compostos potencialmente cancerígenos — inclusive no churrasco

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Brazil Health
06/12/2024, 19:18 • Atualizado em 06/12/2024, 20:39
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Preparo de alimentos em altas temperaturas pode propiciar formação de compostos potencialmente cancerígenos | Freepik

Preparo de alimentos em altas temperaturas pode propiciar formação de compostos potencialmente cancerígenos | Freepik

Os casos de câncer vêm aumentando e muitos estão ligados a fatores como industrialização e urbanização. Os estudos também têm avaliado a relação entre hábitos alimentares e o desenvolvimento da doença para tentar identificar o que tem contribuído para o aparecimento e ajudar na prevenção da doença.

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Uma das dúvidas é: alimentos mais torrados, ou carbonizados, têm relação com o aumento das chances de desenvolver a doença?

A resposta exige uma análise cuidadosa de quais são esses alimentos, como são preparados e o impacto dos compostos químicos formados durante o processo de preparo das refeições.

Quais são os riscos?

Existem evidências de que a alimentação tem um papel importante tanto para o desenvolvimento quanto para a prevenção de algumas neoplasias. Porém, os estudos desses quesitos enfrentam certas limitações.

A maior dificuldade é estimar as porções, os tipos de alimentos e sua forma de preparo para correlacionar quais, de fato, são os compostos que oferecem risco e em qual quantidade podem ter um papel carcinogênico e gerar prejuízos à saúde dos indivíduos.

O desenvolvimento do câncer, de forma direta ou indireta, não pode ser atribuído a um único fator ou alimento, mas a uma combinação de vários fatores, ligados a dieta e também a outros hábitos de estilo de vida, como tabagismo, alcoolismo, obesidade, sedentarismo e também fatores genéticos que têm relação com o aparecimento desta condição.

Dentre os relacionados à dieta, destaca-se o processo de preparo e consumo de alguns alimentos, que predispõe a formação de compostos potencialmente cancerígenos, segundo o estudo de "Dieta e câncer: um enfoque epidemiológico", publicado na Revista de Nutrição.

Veja exemplos

1. Consumir frequentemente alimentos em conserva ou processados, contendo grandes quantidades de nitratos e nitritos (ver no rótulo da embalagem, na lista de ingredientes), pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de estômago e esôfago. Esses compostos aumentam a produção de radicais livres, promovendo lesão celular, o que está relacionado à formação tumoral;

2. O preparo de carnes submetidas a altas temperaturas — como fritura ou churrasco — promove a formação de compostos potencialmente cancerígenos, como aminas heterocíclicas (AHs), formadas quando os aminoácidos (componentes das proteínas) e a creatina (substância presente nos músculos) reagem sob altas temperaturas, e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), que são formados quando a gordura ou os sucos da carne entram em contato com a fonte de calor, gerando fumaça que adere à superfície dos alimentos.

O que fazer?

Tais práticas de preparo têm sido desaconselhadas por especialistas em oncologia devido ao aumento do risco para o desenvolvimento de neoplasias, com base em estudos que mostraram que esses compostos, em altas quantidades e ingeridos frequentemente, podem causar alterações prejudiciais à saúde.

Entretanto, ainda é possível incluir alimentos grelhados ou assados sem comprometer a saúde.

Aqui estão algumas dicas:

1. Evitar queimar os alimentos, cozinhando em temperaturas moderadas;

2. Preferir métodos de cocção indiretos, cozinhando os alimentos primeiramente no forno ou micro-ondas e, após isso, na grelha, também virando as carnes com frequência, reduzindo o tempo de exposição ao calor direto;

3. Marinar as carnes à base de limão, vinagre ou ervas, podendo reduzir a formação de aminas heterocíclicas;

4. Escolher cortes magros, reduzindo a quantidade de gordura, o que resulta em menos fumaça e, consequentemente, reduz a formação de hidrocarbonetos.

Mais frutas e hortaliças, menos risco de câncer

Evidências epidemiológicas mostram que o consumo de frutas e hortaliças, fontes ricas em fitoquímicos, minerais e vitaminas, entre outros componentes benéficos à saúde humana, tem um resultado efetivo na prevenção de diversas formas de câncer. Com base em uma análise cuidadosa de pesquisas epidemiológicas mundiais, pode-se supor que o aumento na ingestão de frutas e hortaliças promove a redução da incidência global de câncer, que varia entre 7% e 31%, mesmo que ainda não haja uma justificativa clara do determinante anticarcinogênico.

O consumo de alimentos carbonizados, isoladamente, como outras práticas, de dieta ou não relacionadas à alimentação, não é um fator determinante para o desenvolvimento de neoplasias, mas também não deve ser tratado como algo inofensivo. Embora a ciência ainda esteja analisando os dados, a prevenção é sempre a melhor estratégia e gera melhores resultados para a saúde e o bem-estar. Ao adotar práticas culinárias conscientes e equilibrar os hábitos alimentares com alimentos ricos em fibras, frutas, vegetais e grãos integrais, é possível minimizar os riscos e promover uma saúde duradoura.

Cozinhar e se alimentar com prazer e responsabilidade é a chave para desfrutar de uma boa saúde sem comprometer o bem-estar. Afinal, a verdadeira prevenção começa nas escolhas que fazemos diariamente.

Luis Eduardo Werneck – CRM 9638 PA RQE 73414 - Diretor clínico do Grupo Oncológica do Brasil

Carolina Werneck – CRM SP-247652 - Médica do Grupo Oncológica do Brasil

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