Saúde

Cegueira: deficiência visual poderia ser evitada na maior parte dos casos; saiba mais

Visão é um dos sentidos mais valorizados pelas pessoas, mas também um dos mais negligenciados

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Deficiência visual poderia ser evitada na maior parte dos casos | Freepik

A visão é um dos sentidos mais valorizados pelas pessoas, mas também um dos mais negligenciados quando se trata de cuidados com a saúde. Enquanto muitos cuidam regularmente dos dentes, da alimentação ou fazem exames de sangue, muita gente só procura um oftalmologista quando a visão já está seriamente comprometida.

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Cegueira evitável: um desafio silencioso

Segundo dados recentes, 34% dos brasileiros nunca fizeram uma consulta com um oftalmologista. Isso significa que 1 em cada 3 pessoas vive sem saber como está a própria saúde ocular, um risco que pode levar à perda visual irreversível, muitas vezes evitável com diagnóstico precoce.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 80% dos casos de cegueira no mundo poderiam ser evitados ou tratados se detectados a tempo. No entanto, o que vemos é o oposto: milhões de pessoas vivem com deficiência visual por conta de doenças que evoluíram sem acompanhamento médico adequado.

Principais causas de cegueira evitável

  • Catarata: principal causa de cegueira reversível no mundo. A cirurgia é simples e eficaz, mas milhares de pessoas ainda têm a visão comprometida por falta de acesso ou informação;
  • Glaucoma: doença silenciosa, sem sintomas no início, que pode levar à cegueira irreversível se não for tratada;
  • Retinopatia diabética: afeta pessoas com diabetes e também evolui de forma silenciosa, exigindo acompanhamento periódico.

Erros refrativos não corrigidos, como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, podem prejudicar muito a qualidade de vida, mas são facilmente corrigidos com óculos, lentes ou cirurgia.

Por que tantas pessoas não procuram o oftalmologista?

As razões são variadas:

  • Falta de informação: muitas pessoas acreditam que só precisam procurar o oftalmologista quando a visão "piora muito";
  • Acomodação com o uso de óculos antigos: indivíduos se adaptam à baixa visão e não percebem que poderiam enxergar melhor;
  • Acesso limitado: em algumas regiões do país, há dificuldade de acesso a serviços oftalmológicos públicos;
  • Prioridades invertidas: frequentemente, outras áreas da saúde ou compromissos são priorizados por falta de tempo ou recursos.

O impacto de não cuidar da visão

A deficiência visual afeta diretamente a qualidade de vida, a autonomia, a produtividade e a saúde mental. Crianças com dificuldades visuais apresentam baixo rendimento escolar. Adultos podem ter problemas para trabalhar, dirigir e ler. Idosos com perda de visão correm mais risco de quedas, depressão e isolamento.

E tudo isso poderia ser evitado com uma simples consulta periódica.

Consultas regulares: garantia de saúde ocular

Consultar o oftalmologista não é necessário apenas para quem usa óculos. A visão pode parecer boa, mas diversas doenças não apresentam sintomas iniciais. Por isso, o acompanhamento regular é fundamental, mesmo na ausência de queixas.

A recomendação geral é:

  • Crianças: avaliação no primeiro ano de vida e depois regularmente durante a fase escolar;
  • Adultos jovens: pelo menos uma consulta a cada dois anos, se não houver sintomas;
  • A partir dos 40 anos: visitas anuais para rastrear doenças como glaucoma, catarata e degeneração da retina;
  • Pessoas com doenças crônicas como diabetes ou hipertensão: acompanhamento mais frequente.

Ver bem é viver melhor

A saúde dos olhos merece tanto cuidado quanto qualquer outra parte do corpo. A boa notícia é que, com prevenção, informação e acesso, é possível reduzir drasticamente os casos de cegueira evitável no Brasil e no mundo.

Se você está lendo este texto e não se lembra da última vez que foi ao oftalmologista, talvez esse seja o sinal que faltava.

*Fábio Medina Rocha é oftalmologista credenciada pelo CRM MG 42220

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