Saúde

Casos de câncer terão aumento de 77% até 2050 segundo a OMS; entenda

Relatório da organização destaca a falta de financiamento adequado e disparidades no tratamento em nível mundial

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Vithor Laureano
Casos de câncer terão aumento de 77% até 2050 segundo a OMS; entenda

Antecipando o Dia Mundial do Câncer (04), a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou nesta quinta-feira (01) um alerta sobre a crescente carga global da doença. Com base nas estimativas mais recentes, o relatório destaca não apenas o aumento nos casos, mas também a disparidade no acesso a serviços essenciais.

As projeções para 2050 apontam mais de 35 milhões de novos casos, o que representa um aumento de 77%. O impacto será mais severo em países de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), onde a incidência deve aumentar em 142%. Enquanto os países de IDH alto experimentarão o maior aumento absoluto, com um adicional de 4,8 milhões de casos previstos.

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"Este aumento não será uniformemente sentido entre os países de diferentes níveis de IDH. Aqueles com menos recursos sofrerão mais", destaca o Dr. Freddie Bray, da IARC.

Em 2022, foram registrados 20 milhões de novos casos e 9,7 milhões de mortes por câncer. A preocupação é acentuada pela constatação de que a maioria dos países, de acordo com os resultados de uma pesquisa da OMS em 115 nações, não financia adequadamente os serviços prioritários e cuidados paliativos, como parte da cobertura universal de saúde (UHC).

O câncer de pulmão liderou as estatísticas, com 2,5 milhões de novos casos em 2022, seguido pelo câncer de mama (2,3 milhões) e colorretal (1,9 milhão). A mortalidade também foi encabeçada pelo câncer de pulmão, responsável por 1,8 milhão de mortes, seguido pelo colorretal (900.000) e câncer de fígado (760.000). A incidência e mortalidade variam por gênero, com o câncer de mama predominante entre as mulheres e o câncer de pulmão entre os homens.

O relatório revela desigualdades alarmantes em termos de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em países com IDH alto, uma em cada 12 mulheres é diagnosticada com câncer de mama, enquanto em países de IDH baixo, a taxa cai para uma em cada 27 mulheres. No entanto, a mortalidade é mais alta nos países de IDH baixo, destacando a urgência de melhorar o acesso ao diagnóstico e tratamento nessas regiões.

A pesquisa global da OMS sobre Pacotes de Benefícios de Saúde (HBP) revela disparidades significativas. Apenas 39% dos países incluem o manejo básico do câncer em seus serviços de saúde financiados, enquanto apenas 28% abordam cuidados paliativos. Serviços relacionados ao câncer de pulmão eram de 4 a 7 vezes mais propensos a serem incluídos em países de alta renda, e a radioterapia era quatro vezes mais provável de ser coberta.

O relatório conclui que, apesar dos avanços na detecção precoce e tratamento, a disparidade persiste e apela à ação imediata para abordar as desigualdades globais no tratamento do câncer.

*Sob supervisão de Lucas Cyrino

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