Saúde

Canetas emagrecedoras falsas? Saiba como se proteger

Especialistas alertam para os riscos de medicamentos falsificados para emagrecimento e explicam por que ainda não existem versões genéricas

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Brazil Health
17/07/2026, 16:01 • Atualizado em 17/07/2026, 16:01
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Medicamentos para emagrecimento falsificados representam riscos à saúde e não substituem produtos originais | Reprodução/Magnific

Medicamentos para emagrecimento falsificados representam riscos à saúde e não substituem produtos originais | Reprodução/Magnific

Os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida transformaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Com resultados expressivos na perda de peso e grande repercussão nas redes sociais, eles passaram a despertar o interesse de milhões de pessoas. Mas esse sucesso também trouxe um problema preocupante: o aumento da oferta de produtos falsificados, vendidos pela internet ou em canais não autorizados como se fossem equivalentes aos medicamentos originais.

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Muitos pacientes me perguntam por que não existem versões genéricas de Ozempic ou Mounjaro mais baratas. A resposta passa por um conceito importante e pouco conhecido: a patente farmacêutica.

Por que a patente existe?

A patente é um mecanismo legal que garante à empresa que desenvolveu um medicamento o direito exclusivo de fabricá-lo e comercializá-lo por um período determinado. Isso ocorre porque o desenvolvimento de um novo medicamento exige anos de pesquisa, milhares de pacientes em estudos clínicos e investimentos que podem chegar a bilhões de dólares.

Durante esse período de exclusividade, outras empresas não podem produzir cópias legítimas do medicamento. Portanto, quando uma substância ainda está protegida por patente, não existem versões genéricas aprovadas e equivalentes disponíveis no mercado.

Isso é particularmente importante no caso dos medicamentos mais modernos para obesidade e diabetes. O fato de uma caneta ser oferecida por um preço muito inferior ao do produto original deve servir como um sinal de alerta, especialmente quando sua origem é desconhecida.

Os riscos dos produtos falsificados

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que medicamentos falsificados representam um problema crescente de saúde pública. Esses produtos podem conter quantidade inadequada do princípio ativo, substâncias diferentes das declaradas na embalagem, impurezas ou até mesmo nenhum ingrediente terapêutico.

No caso das medicações injetáveis para emagrecimento, os riscos são ainda maiores. Uma dose incorreta pode causar efeitos adversos importantes, como náuseas intensas, vômitos, desidratação, alterações metabólicas e, em situações mais graves, necessidade de atendimento hospitalar.

Também existe o risco de contaminação durante a produção ou o armazenamento inadequado. Produtos injetáveis exigem rigoroso controle de qualidade, condições específicas de conservação e processos industriais altamente padronizados. Quando isso não ocorre, a segurança do paciente fica seriamente comprometida.

Além disso, muitas pessoas acabam adiando um tratamento adequado ao acreditar que estão usando um medicamento eficaz, quando, na realidade, receberam um produto sem qualquer garantia de qualidade.

Como se proteger

Uma dúvida comum é a diferença entre medicamento original, genérico, biossimilar e produto falsificado.

O medicamento original é aquele desenvolvido pela empresa que criou a molécula e realizou todos os estudos necessários para comprovar sua eficácia e segurança. O genérico, por sua vez, só pode ser produzido após o fim da patente e precisa demonstrar equivalência ao produto de referência.

Já os produtos falsificados não passam pelos processos regulatórios exigidos pelas autoridades sanitárias. Eles apenas se apresentam como se fossem medicamentos legítimos, sem qualquer garantia de qualidade, segurança ou eficácia.

Para se proteger, algumas medidas são fundamentais: adquirir medicamentos somente em farmácias e estabelecimentos autorizados, desconfiar de preços muito abaixo do praticado no mercado, evitar compras por redes sociais ou sites sem identificação clara e nunca utilizar produtos de origem desconhecida.

O enorme interesse pelos novos medicamentos para emagrecimento é compreensível, mas a busca por alternativas mais baratas não pode colocar a saúde em risco. Quando falamos de medicamentos injetáveis, especialmente aqueles ainda protegidos por patente, segurança e procedência são aspectos tão importantes quanto a própria eficácia do tratamento.

Nenhum resultado na balança justifica o uso de um produto sem garantia de qualidade. Em medicina, o tratamento correto começa com uma decisão simples, mas fundamental: saber exatamente o que estamos colocando no nosso organismo.

*Dr. Alfredo Salim Helito, Head nacional de Clínica Médica da Brazil Healt

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