Economia

Tarifa afeta US$7,2 bi dos US$38 bi de exportação Brasil-EUA

ApexBrasil prepara plano de R$ 130 milhões para diversificar mercados a ser anunciado em agosto; São Paulo terá maior impacto

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Caio Barcellos
17/07/2026, 15:27 • Atualizado em 17/07/2026, 17:31
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 Laudemir Müller vai comandar a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) | Reprodução Apex Brasil/YouTube

Laudemir Müller vai comandar a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) | Reprodução Apex Brasil/YouTube

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos atingirá US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo levantamento apresentado nesta sexta-feira (17) pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

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De acordo com o presidente da entidade, Laudemir Müller, o valor corresponde a cerca de 19% dos US$ 38 bilhões exportados pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025. São Paulo será o Estado mais afetado em valores absolutos, com aproximadamente US$ 3 bilhões em vendas sujeitas à nova cobrança.

A sobretaxa entrará em vigor na próxima quarta-feira (22) e alcançará 2.375 produtos brasileiros. Mercadorias embarcadas antes dessa data poderão ficar livres da cobrança, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.

Müller classificou a decisão dos Estados Unidos como “absurda” e afirmou que nem mesmo empresas e entidades norte-americanas dos setores envolvidos apoiam as tarifas.

“Não há uma entidade ou uma empresa americana que esteve junto conosco que defenda a tarifa. Pelo contrário, todo mundo trabalhou com a isenção”, disse em entrevista coletiva na sede da ApexBrasil.

Segundo ele, os efeitos variam conforme o setor da economia e o estado. Em Santa Catarina, 68% das exportações destinadas aos Estados Unidos serão alcançadas pela tarifa. São Paulo e Santa Catarina concentram juntos 52% do valor total atingido.

Três frentes de atuação

A ApexBrasil pretende atuar em três frentes. A primeira será reforçar o trabalho do escritório da agência nos Estados Unidos, que continuará auxiliando associações e empresas brasileiras e norte-americanas na apresentação de informações técnicas à Washington para tentar ampliar a lista de produtos isentos.

A segunda será estimular o crescimento das exportações de setores que ficaram fora da nova cobrança. A lista de exceções incluiu 85 produtos, entre eles itens dos setores de mel e pescado.

Os 85 itens correspondem ao aumento da lista final em comparação com a relação provisória divulgada em junho. No total, 699 produtos exportados pelo Brasil ficaram isentos da tarifa adicional de 25%, o equivalente a US$ 22,8 bilhões ou 60,5% das vendas brasileiras aos Estados Unidos em 2025.

A terceira frente será a diversificação dos mercados compradores, com o plano de R$ 130 milhões que será detalhado em agosto. A cifra será destinada a ações como missões comerciais, participação em feiras e visitas de potenciais compradores estrangeiros. A previsão é que 57 entidades setoriais participem do programa.

Müller afirmou que a diversificação não foi iniciada agora. Das 2.400 empresas exportadoras aos Estados Unidos apoiadas pela ApexBrasil, 72% acrescentaram pelo menos um novo destino às vendas entre junho de 2025 e maio de 2026.

“Nós vamos continuar esse trabalho para aumentar a isenção. Dois, nós vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira dos setores que foram isentos. E três, nós vamos trabalhar e anunciar um plano de diversificação para os mercados”, afirmou.

O programa deverá atender desde alimentos e bebidas até segmentos industriais. Entre os setores citados estão frutas, proteínas, café, mel, alimentos processados, cosméticos, plásticos, calçados, materiais elétricos e máquinas.

Müller adiantou que a Europa deverá receber atenção especial por causa do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A estratégia também deverá buscar compradores nos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e na Ásia Central -especialmente no Uzbequistão e no Cazaquistão, países que apresentam crescimento econômico "impressionante" segundo Müller.

Segundo o presidente da agência, países da Ásia Central têm procurado fornecedores brasileiros e apresentam potencial de consumo em razão do crescimento populacional e da elevada proporção de jovens.

A agência também informou que as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram US$ 2,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, houve aumento de US$ 3,1 bilhões nas vendas para a Europa, de US$ 2,5 bilhões para a Índia e de US$ 10,5 bilhões para a China.

Isenções aumentaram

A ApexBrasil afirmou que trabalhou diretamente com 20 setores durante a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

A agência apoiou empresas e associações na produção de estudos, dados técnicos e manifestações apresentadas às autoridades dos Estados Unidos.

Na avaliação inicial, US$ 20,7 bilhões em exportações brasileiras ficariam isentos. Na decisão final, o valor dos produtos fora da cobrança aumentou para US$ 22,8 bilhões.

Entre os principais grupos acrescentados às exceções estão ferro fundido (US$ 1,39 bilhão exportado em 2025), peixes e lagostas (US$ 176,6 milhões), couros (US$ 142,4 milhões; produtos de madeira (US$ 134,3 milhões), hidróxido de alumínio (US$ 122,7 milhões), obras de arte (US$ 98,8 milhões) e mel (US$ 97,8 milhões).

Apenas a pasta química de madeira para dissolução era o produto que aparecia entre as exceções provisórias e qu foi retirado da lista final. As exportações brasileiras desse item aos Estados Unidos somaram US$ 96,1 milhões em 2025 e passarão a pagar a tarifa de 25%.

Mesmo assim, Müller disse que a agência continuará atuando para ampliar as exceções e reduzir os efeitos da tarifa sobre empresas brasileiras e norte-americanas.

Construção dos EUA será afetada

A ApexBrasil estima que as tarifas também provocarão aumento de custos para empresas e consumidores dos Estados Unidos, especialmente no setor de construção civil.

Cerca de 30% da madeira importada pelos norte-americanos para uso na construção vem do Brasil. Desse volume, 70% é exportado pelo Paraná. O produto passará a pagar a tarifa adicional de 25%.

“Isso é ruim para a empresa do Paraná que trabalha nesse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos Estados Unidos. Isso é ruim para a construção civil. Isso é ruim para quem vai comprar casa”, declarou Müller.

O presidente da agência também citou o granito. O Brasil responde por 36% das importações norte-americanas do produto, amplamente utilizado na construção.

De acordo com ele, as empresas dos Estados Unidos não conseguirão substituir imediatamente fornecedores brasileiros, o que pode elevar os custos de materiais e pressionar a inflação norte-americana.

“É evidente que quem trabalha com construção vai ter um impacto. E é evidente que quem compra casa nos Estados Unidos também vai ter um impacto. Então, muitas vezes a gente fala de café da manhã, enfim, mas aqui também estamos falando de indústria, estamos falando de construção. Então, [as tarifas] não têm sentido”, destacou.

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