Pressão estética impulsiona uso de canetas emagrecedoras entre idosos
Geriatras alertam: é preciso avaliação, plano personalizado e acompanhamento para evitar perda de força e complicações


Brazil Health
A pressão estética associada à magreza, historicamente direcionada aos mais jovens, passou a atingir também a população idosa. A exposição constante a padrões corporais idealizados e a associação entre peso e vitalidade têm levado homens e mulheres acima dos 60 anos a buscar intervenções medicamentosas para reduzir medidas em curto prazo.
Nesse contexto, cresceram as prescrições das chamadas canetas emagrecedoras, originalmente indicadas para o tratamento do diabetes tipo 2 e posteriormente aprovadas para obesidade. Entre os principais fármacos utilizados estão:
· Semaglutida, comercializada como Wegovy e Ozempic
· Tirzepatida, vendida como Mounjaro e Zepbound
Essas substâncias atuam em receptores hormonais relacionados ao controle da fome e da saciedade, promovendo:
· Redução do apetite
· Atraso no esvaziamento gástrico
· Sensação prolongada de saciedade
· Perda média de 10% a 20% do peso corporal quando associadas a mudanças no estilo de vida
Embora os resultados sejam consistentes em diversos perfis de pacientes, a terceira idade apresenta características clínicas que exigem cautela.
Impacto sobre massa muscular e doenças crônicas
O envelhecimento está associado à diminuição progressiva da massa muscular, fenômeno conhecido como sarcopenia. A perda de peso acelerada pode intensificar esse processo, comprometendo força, equilíbrio e mobilidade.
Entre os principais riscos para idosos estão:
· Redução significativa de massa muscular
· Aumento da incidência de quedas e fraturas
· Desidratação decorrente de náuseas e menor ingestão alimentar
· Distúrbios hidroeletrolíticos
· Comprometimento da função renal
· Descompensação de doenças como diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca
· Deficiências nutricionais, incluindo vitamina B12
A menor reserva fisiológica característica dessa faixa etária torna o organismo mais vulnerável a efeitos adversos e oscilações metabólicas.
Avaliação clínica e acompanhamento estruturado
O início do tratamento deve ser precedido por avaliação médica detalhada, com análise do estado nutricional e da composição corporal, preferencialmente por bioimpedância. A prescrição deve integrar:
· Plano alimentar individualizado
· Programa de exercícios com foco na preservação de massa muscular
· Monitoramento periódico de parâmetros clínicos e laboratoriais
· Acompanhamento multidisciplinar com geriatra ou endocrinologista, nutricionista e educador físico
Também há preocupação com versões manipuladas ou de origem duvidosa, que podem conter impurezas ou formulações diferentes das aprovadas em estudos clínicos.
O uso dessas medicações pode ter indicação adequada em determinados casos, desde que inserido em estratégia terapêutica estruturada. Na terceira idade, a redução de peso precisa estar alinhada à manutenção da funcionalidade, da estabilidade clínica e da qualidade de vida.
* Julianne Pessequillo é geriatra, clínica geral especializada em Longevidade Saudável e membro da Brazil Health









