Saúde

Vacinas contra covid-19 podem ajudar no tratamento de câncer? Estudo diz que sim

Pesquisadores identificaram que imunizantes do tipo mRNA ajudam o sistema imunológico a agir contra células cancerígenas

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Murillo Otavio
24/10/2025, 15:15 • Atualizado em 27/10/2025, 20:43
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Vacinas contra covid-19 podem ajudar no tratamento de câncer? Estudo diz que sim

Vacinas contra covid-19 podem ajudar no tratamento de câncer? Estudo diz que sim

Um estudo conduzido por pesquisadores do MD Anderson Cancer Center e da Universidade do Texas descobriu que algumas vacinas contra a covid-19 podem auxiliar pacientes com câncer em tratamento por imunoterapia.

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Apresentada no Congresso de Oncologia de Berlim e publicada na revista Nature, a pesquisa indica que vacinas do tipo mRNA — como as desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e Moderna — podem “estimular” células e torná-las mais sensíveis ao tratamento contra o câncer.

🔍A imunoterapia é um tratamento que estimula o próprio sistema imunológico do paciente a combater doenças, especialmente o câncer. Em vez de atacar diretamente as células doentes, como ocorre na quimioterapia, ela fortalece as defesas naturais do organismo para reconhecer e destruir células cancerígenas.

O estudo aponta que, em alguns pacientes, a imunoterapia deixa de ser eficaz porque certas células não conseguem identificar o tumor. Nesse sentido, os pesquisadores observaram que a vacina contra a covid-19 pode “redefinir” o sistema imunológico, ajudando essas células a voltar a reconhecer o câncer e combatê-lo.

Segundo o estudo, o mRNA, molécula que ensina o corpo a produzir a proteína do coronavírus, provoca uma reação chamada onda de interferon tipo I, que torna as células cancerígenas mais “visíveis” ao sistema imunológico. Assim, elas passam a exibir fragmentos de proteínas tumorais, permitindo que o corpo aprenda a atacá-las.

“Esses pacientes vacinados aumentaram a expressão de uma proteína chamada PD-L1 no tumor. O PD-L1 funciona como uma ‘capa de invisibilidade’, que camufla as células tumorais e impede que o sistema imunológico as reconheça. As drogas anti-PD-L1, como o pembrolizumabe, retiram essa capa. Quando há mais PD-L1, o alvo da imunoterapia se torna mais claro e o tratamento mais eficaz”, explicou o coautor do estudo, Dr. Adam Grippin, do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas.

Os pesquisadores destacaram que o mesmo efeito não foi observado em pessoas que receberam vacinas contra gripe ou pneumonia no mesmo período, o que reforça que o benefício é específico da tecnologia mRNA.

Para Grippin, a descoberta amplia as estratégias contra a resistência ao tratamento. “Já sabíamos da importância dos anti-PD-L1, mas agora entendemos que pacientes vacinados apresentam respostas melhores a esse tipo de imunoterapia”, concluiu.

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Os efeitos na prática

Os cientistas analisaram mais de 880 pacientes tratados entre 2015 e 2022 e descobriram que quem recebeu a vacina de mRNA contra a Covid até 100 dias antes ou depois do início da imunoterapia apresentou resultados significativamente melhores.

Entre os pacientes com câncer de pulmão em estágio avançado, a sobrevida média aumentou de 20,6 para 37,3 meses.

Já a taxa de sobrevivência em três anos passou de 30,8% para 55,7%. Nos casos de melanoma metastático, o risco de morte foi reduzido em quase 60%.

Em testes com camundongos, os pesquisadores americanos reproduziram a fórmula da vacina da Pfizer e observaram que ela ativa fortemente o interferon, uma molécula que age como um “alarme” para o sistema imunológico.

Essa reação inflamatória controlada estimula uma cadeia de células de defesa e faz com que tumores antes “frios”, se tornem “quentes”, reagindo melhor aos medicamentos.

Nos pacientes humanos, o efeito foi semelhante. Em 2.300 amostras de exames de câncer de pulmão, aqueles vacinados até 100 dias antes da coleta apresentaram 24% mais PD-L1 nos tumores e tinham 29% mais chances de alcançar o nível necessário para receber imunoterapia isolada, sem precisar de quimioterapia.

“O estudo também aponta que existe um momento ideal para a vacinação”, destacou a pesquisadora Stefani. “Quanto mais recente e forte for a resposta imunológica, melhor tende a ser o resultado do tratamento contra o câncer.”

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