Saúde

Surto de cólera: Sudão registra 172 mortes e mais de 2.500 casos em uma semana; entenda doença

Infecção intestinal é causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados; país africano vê aumento de casos em meio a guerra civil

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Wagner Lauria Jr., com informações da AP
29/05/2025, 17:09 • Atualizado em 29/05/2025, 17:09
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Surto de cólera afeta o Sudão em meio à guerra civil no país africano | Foto AP

Surto de cólera afeta o Sudão em meio à guerra civil no país africano | Foto AP

Um surto de cólera de rápida disseminação atingiu o Sudão, matando 172 pessoas e infectando mais de 2.500 apenas na última semana. O epicentro da crise está na capital, Cartum, e em sua cidade vizinha, Omdurman, onde o colapso da infraestrutura de saneamento e saúde agrava a situação.

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Segundo o Ministério da Saúde do país, mais de 7.700 pessoas já foram diagnosticadas com a doença desde o início do ano — entre elas, mais de mil crianças com menos de quatro anos.

No último dia 23 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta sobre número de casos e mortes por cólera crescendo rapidamente em várias partes do mundo. De janeiro a abril deste ano, mais de 157 mil pessoas ficaram doentes e 2.148 morreram por causa dessa infecção em 26 países.

O surto no país africano ocorre em um contexto de guerra civil entre as Forças Armadas e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF). O conflito já matou pelo menos 24 mil pessoas e deslocou mais de 14 milhões, 4 milhões deles para fora do país. A fome já foi identificada em cinco regiões, principalmente em Darfur.

A OMS classifica a cólera como uma “doença da pobreza”, predominante em locais com infraestrutura precária de saneamento básico.

Além de cólera, o país também registra surtos de dengue (12.900 casos e 20 mortes) e meningite (12 mortes), segundo o Ministério da Saúde.

Como o surto se espalhou

O avanço da cólera está ligado diretamente às condições precárias deixadas pela guerra civil que assola o país desde abril de 2023. Com a recente retomada de Cartum pelas forças militares, cerca de 34 mil pessoas retornaram à região, muitas encontrando suas casas destruídas e sem acesso a água potável.

Grande parte da população está consumindo água contaminada, um canal direto para a propagação da cólera. O Unicef relata que ataques a instalações elétricas interromperam o fornecimento de energia, agravando a escassez de água tratada. Segundo Rania Elsayegh, da organização Médicos pelos Direitos Humanos do Sudão, a população está "bebendo água poluída e usando recipientes sem higiene".

Joyce Bakker, coordenadora dos Médicos Sem Fronteiras, afirma que os centros de tratamento estão lotados. "Muitos pacientes chegam tarde demais para serem salvos. Nossas equipes só veem uma parte do problema — a dimensão real do surto é desconhecida", alertou.

O que é cólera

A cólera é uma infecção intestinal grave causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados com a bactéria Vibrio cholerae. A doença provoca diarreia intensa e desidratação. Se não tratada rapidamente, pode levar à morte em poucas horas. O tratamento consiste em reidratação e antibióticos.

A cólera pode ser prevenida por vacinação em áreas endêmicas (em locais se encontra com frequência o agente causador da doença) e com baixo acesso a saneamento básico, mas o estoque global de vacinas contra a cólera está abaixo do mínimo necessário, dificultando o controle da doença em regiões em crise como o Sudão.

Atualmente há apenas 3,6 milhões de doses, quando o ideal para emergências seria ter pelo menos 5 milhões, segundo a Organização Mundial de Saúde.

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