Doenças renais: caso do ator Jackson Antunes acende alerta e reforça cuidados com o rim; saiba como se prevenir
Especialistas alertam que exames simples podem identificar precocemente a perda de função dos rins e evitar a progressão para quadros mais graves


Camilly Rosaboni
O recente transplante renal do ator Jackson Antunes — conhecido por trabalhos como O Rei do Gado (1996), Pantanal (2022) e 2 Filhos de Francisco (2005) — reacende o alerta para um problema que afeta milhões de pessoas: as doenças renais crônicas. Muitas vezes silenciosas, elas podem evoluir sem sintomas até estágios avançados, quando as opções de tratamento se tornam mais complexas e invasivas, como a hemodiálise ou o transplante.
O ator passou pelo procedimento no fim de 2025, após receber a doação de um rim compatível da esposa, Cristiana Britto. Desde então, Antunes tem usado as redes sociais para reforçar a importância do cuidado com a saúde renal e da prevenção dessas doenças.
Dados globais da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que cerca de uma em cada dez pessoas adultas apresenta algum grau de doença renal crônica. No Brasil, estimativas apontam para aproximadamente 10 milhões de pessoas com a condição — muitas ainda sem diagnóstico —, sendo que pouco mais de 1% já depende de diálise (procedimento médico que substitui a função dos rins).
“A doença renal crônica ocorre quando há perda progressiva da função dos rins, responsáveis por filtrar o sangue, eliminar toxinas e equilibrar líquidos e minerais. Problemas como hipertensão e diabetes respondem por grande parte dos casos”, explica Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior. O especialista destaca que muitos quadros podem ser controlados antes de chegar ao transplante renal, como no caso de Antunes.
Diagnóstico precoce pode evitar progressão da doença
Segundo Mukamal, a atenção à função renal nos estágios iniciais pode ser determinante para o sucesso do tratamento. “Se identificarmos a perda de função nos estágios 2 ou 3, temos ferramentas para frear a progressão. O segredo está na atenção, no cuidado e no monitoramento constante, idealmente com uma equipe multidisciplinar.”
Check-ups regulares, exames laboratoriais — como a dosagem de creatinina —, aliados a ferramentas de análise de dados e ao acompanhamento por equipes multidisciplinares (nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e médicos), são estratégias fundamentais. A educação em saúde, especialmente voltada ao controle da hipertensão e do diabetes, também tem papel decisivo.
Especialistas recomendam ainda medidas preventivas no dia a dia, como controlar a pressão arterial e os níveis de glicose, reduzir o consumo de sal, evitar o uso indiscriminado de medicamentos, manter um peso saudável e praticar atividade física regularmente. Além disso, exames simples de sangue e urina são capazes de detectar alterações precoces e orientar intervenções antes que a doença avance.
“Preservar a função renal é zelar pela vida e pela qualidade do envelhecimento. Quando a doença se agrava, o paciente passa a depender de hemodiálise ou de um transplante renal”, conclui Mukamal, ao destacar que a combinação de prevenção, rastreamento e acompanhamento clínico é a forma mais eficaz de reduzir o impacto das doenças renais na população.








