Saúde

Alta de casos de Mpox coincide com Carnaval, mas não há risco de pandemia, diz virologista

Brasil registra 140 casos confirmados da doença em 2026; SP e RJ concentram maior número de diagnósticos

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Emanuelle Menezes
10/03/2026, 15:59 • Atualizado em 10/03/2026, 16:02
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Mpox | Reprodução/Freepik

Mpox | Reprodução/Freepik

O Brasil registrou 140 casos confirmados de mpox em 2026, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde divulgados nesta segunda-feira (9). Além disso, o país contabiliza 9 casos prováveis e 539 suspeitos da doença.

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O aumento das notificações ocorreu logo após o período do Carnaval, o que levanta a hipótese de que as aglomerações tenham contribuído para a transmissão do vírus. Apesar do crescimento dos registros, especialistas afirmam que o cenário ainda está longe de representar uma pandemia (saiba mais abaixo).

Entre os 149 casos confirmados e prováveis, a maior parte foi registrada em São Paulo (93) e Rio de Janeiro (18). Outros estados também apresentam ocorrências, como Minas Gerais (11) e Rondônia (11).

Não há óbitos registrados este ano. Em 2025, a pasta registrou 1.079 casos de mpox no país, com dois óbitos.

Casos cresceram após o Carnaval

Dados epidemiológicos do Ministério da Saúde indicam aumento das notificações nas semanas seguintes às festas. Em 2026, o carnaval ocorreu dos dias 14 a 17 de fevereiro. Naquela semana (semana epidemiológica 7), a pasta registrou 15 casos de mpox. Na semana epidemiológica 9, ou seja, de 1º a 7 de março, foram contabilizados 27 casos – um aumento de 80%.

Dados epidemiológicos indicam aumento das notificações nas semanas seguintes ao Carnaval | Reprodução/Ministério da Saúde
Dados epidemiológicos indicam aumento das notificações nas semanas seguintes ao Carnaval | Reprodução/Ministério da Saúde

Para o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Universidade de São Paulo (USP), o crescimento pode estar relacionado ao período de incubação do vírus e ao maior contato entre pessoas durante a folia.

"A doença tem um período de incubação de até 21 dias, ou seja, três semanas. A pessoa se infecta e pode levar três semanas para ter sintomas. Isso coincide perfeitamente com o Carnaval", afirmou em entrevista ao News Primeira Edição.

Segundo ele, o aumento de interações sociais típicas dessa época pode explicar parte das novas infecções registradas nas semanas seguintes.

Apesar do alerta internacional após a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificar uma nova variante do vírus mais transmissível na África, o especialista afirma que o cenário atual no Brasil não indica risco de pandemia.

"Não tem comparação com o que a gente vê com o Covid. Não tem uma taxa de transmissão tão eficiente, não tem um número de casos tão grande", disse Brandão. "Não há uma perspectiva de que vá se tornar uma pandemia", acrescentou.

O que é a mpox

A mpox é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. É uma doença zoonótica, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos – principalmente por roedores silvestres infectados. Hoje, porém, a principal forma de transmissão ocorre entre pessoas.

Segundo o Ministério da Saúde, o contágio acontece principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais, como pus e sangue das feridas e secreções respiratórias em situações de contato próximo e prolongado. Também é possível a infecção por meio de objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.

Sintomas, diagnóstico e tratamento

Os sintomas costumam aparecer entre três e 16 dias após o contato com o vírus e podem chegar a 21 dias. As lesões na pele geralmente surgem poucos dias depois da febre, mas podem aparecer antes.

Os sinais mais comuns são:

  • erupções ou lesões na pele;
  • febre;
  • ínguas (linfonodos inchados);
  • dor de cabeça;
  • dores no corpo;
  • calafrios;
  • fraqueza.

A transmissão do vírus pode ocorrer desde o início dos sintomas até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas.

Não há, até o momento, um medicamento específico amplamente disponível para tratar a mpox. O atendimento é voltado para aliviar os sintomas. Na maioria dos casos, a doença evolui de forma leve a moderada e dura entre duas e quatro semanas.

A vacinação, segundo o Ministério da Saúde, é direcionada a grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença. Podem se vacinar:

  • pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão (CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses), especialmente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais;
  • profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus;
  • pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação da vigilância em saúde.

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