Milei rompe tradição diplomática, diz especialista
Flávia Loss, professora de Relações Internacionais, afirma que postura do presidente argentino foi vergonhosa com ataques a Lula e Moraes
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André Barbeiro , Celso Freitas, Ranier Bragon, Cézar Feitoza
Flávia Loss, professora de relações internacionais do Instituto Mauá | Foto: Reprodução/SBT News
A professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, Flávia Loss, criticou, em entrevista ao Jornal do SBT News, a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PLque oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República. Para a especialista, a atuação do chefe de Estado argentino representa uma ruptura dos padrões diplomáticos entre democracias e pode trazer consequências para a relação entre Brasil e Argentina.
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"A postura do presidente Milei foi vergonhosa. Ele não agiu como chefe de Estado durante sua visita ao Brasil, mas como alguém fazendo campanha eleitoral. Isso é muito ruim para a Argentina e também para a relação entre os dois países", avaliou.
Segundo a especialista, Brasil e Argentina possuem uma parceria estratégica consolidada, principalmente dentro do Mercosul, e não deveriam permitir que divergências ideológicas comprometessem uma relação construída ao longo de décadas.
"A política externa de um país não pode ser refém da ideologia do governo da vez. Governos passam, mas as relações entre os Estados permanecem. O Brasil é o principal parceiro da Argentina no Mercosul e um dos seus maiores parceiros comerciais no mundo."
Flávia também elogiou a reação do Itamaraty, que convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou o representante brasileiro em Buenos Aires para consultas após as declarações de Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
"A resposta do Itamaraty foi firme, mas equilibrada. Era necessário dar uma resposta diplomática, sem colocar em risco uma relação estratégica entre os dois países."
Na avaliação da professora, episódios como esse mostram que a política externa vem sendo cada vez mais contaminada por disputas ideológicas.
"Estamos perdendo os limites da política externa. Ela está deixando de ser uma questão de diplomacia para se tornar uma disputa ideológica. Essa é uma situação grave e que pode repercutir em outros países."
Questionamentos às urnas preocupam
Além das críticas à atuação de Milei, Flávia Loss também contestou as declarações que colocam em dúvida a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Segundo ela, os questionamentos feitos pelo pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não encontram respaldo em evidências e acabam enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas.
A avaliação ocorre após Flávio voltar a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas durante um encontro com embaixadores e diplomatas de mais de 40 países. Na ocasião, o senador também relacionou o sistema eleitoral brasileiro ao da Venezuela e utilizou uma informação que já havia sido considerada falsa pela Justiça Eleitoral para defender mudanças no modelo de votação.
Para a especialista, críticas ao processo eleitoral podem fazer parte do debate público, desde que sejam sustentadas por fatos e evidências.
"A gente sempre recebe observadores internacionais da União Europeia, da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Instituto Carter e de outras instituições. Eles acompanham o processo eleitoral justamente para verificar sua integridade. O problema não é questionar as urnas, mas fazer isso sem apresentar qualquer prova. Quando isso acontece, deixa de ser um debate técnico e passa a ser a disseminação de boatos e fake news", afirmou.
Flávia também comentou a possibilidade de uma missão de representantes do governo dos Estados Unidos acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Na avaliação dela, diante das declarações recentes do presidente Donald Trump e de integrantes de sua administração, a visita poderia reforçar narrativas sem respaldo sobre a lisura das eleições.
"Pelas declarações que já vimos, me parece que o objetivo seria levantar ainda mais suspeitas sobre as urnas eletrônicas, sem qualquer base concreta. Isso enfraquece a democracia em vez de fortalecê-la", disse.
Milei rompe tradição diplomática, diz especialistaFlávia Loss, professora de Relações Internacionais, afirma que postura do presidente argentino foi vergonhosa com ataques a Lula e MoraesPolítica2026-07-27T23:15:39.769ZA professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, Flávia Loss, criticou, em entrevista ao Jornal do SBT News, a que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República. Para a especialista, a atuação do chefe de Estado argentino representa uma ruptura dos padrões diplomáticos entre democracias e pode trazer consequências para a relação entre Brasil e Argentina. "A postura do presidente Milei foi vergonhosa. Ele não agiu como chefe de Estado durante sua visita ao Brasil, mas como alguém fazendo campanha eleitoral. Isso é muito ruim para a Argentina e também para a relação entre os dois países", avaliou. Segundo a especialista, Brasil e Argentina possuem uma parceria estratégica consolidada, principalmente dentro do Mercosul, e não deveriam permitir que divergências ideológicas comprometessem uma relação construída ao longo de décadas. "A política externa de um país não pode ser refém da ideologia do governo da vez. Governos passam, mas as relações entre os Estados permanecem. O Brasil é o principal parceiro da Argentina no Mercosul e um dos seus maiores parceiros comerciais no mundo." Flávia também elogiou a reação do Itamaraty, que convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou o representante brasileiro em Buenos Aires para consultas após as declarações de Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. "A resposta do Itamaraty foi firme, mas equilibrada. Era necessário dar uma resposta diplomática, sem colocar em risco uma relação estratégica entre os dois países." Na avaliação da professora, episódios como esse mostram que a política externa vem sendo cada vez mais contaminada por disputas ideológicas. "Estamos perdendo os limites da política externa. Ela está deixando de ser uma questão de diplomacia para se tornar uma disputa ideológica. Essa é uma situação grave e que pode repercutir em outros países." Questionamentos às urnas preocupam Além das críticas à atuação de Milei, Flávia Loss também contestou as declarações que colocam em dúvida a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Segundo ela, os questionamentos feitos pelo pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não encontram respaldo em evidências e acabam enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas. A avaliação ocorre após F durante um encontro com embaixadores e diplomatas de mais de 40 países. Na ocasião, o senador também relacionou o sistema eleitoral brasileiro ao da Venezuela e utilizou uma informação que já havia sido considerada falsa pela Justiça Eleitoral para defender mudanças no modelo de votação. Para a especialista, críticas ao processo eleitoral podem fazer parte do debate público, desde que sejam sustentadas por fatos e evidências. "A gente sempre recebe observadores internacionais da União Europeia, da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Instituto Carter e de outras instituições. Eles acompanham o processo eleitoral justamente para verificar sua integridade. O problema não é questionar as urnas, mas fazer isso sem apresentar qualquer prova. Quando isso acontece, deixa de ser um debate técnico e passa a ser a disseminação de boatos e fake news", afirmou. Flávia também comentou a possibilidade de uma missão de representantes do governo dos Estados Unidos acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Na avaliação dela, diante das declarações recentes do presidente Donald Trump e de integrantes de sua administração, a visita poderia reforçar narrativas sem respaldo sobre a lisura das eleições. "Pelas declarações que já vimos, me parece que o objetivo seria levantar ainda mais suspeitas sobre as urnas eletrônicas, sem qualquer base concreta. Isso enfraquece a democracia em vez de fortalecê-la", disse. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/milei-rompe-tradicao-diplomatica-diz-especialista
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