Política

Orçamento do Ministério das Mulheres “não é para pagar festa e formatura”, critica ministra sobre uso de emendas parlamentares

Ministério criou uma cartilha para ensinar políticos sobre como fazer emendas para projetos femininos

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A ministra das mulheres, Márcia Lopes, afirmou ao SBT News que é comum identificar emendas parlamentares com sugestões de políticas femininas desconectadas com a realidade do país, em que 4 mulheres são assassinadas diariamente, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça.

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“Não pode pagar festa, não pode pagar formatura. Os projetos vêm e a nossa equipe imobiliza, é uma equipe que já é pequena, porque às vezes uma emenda tem 10 projetos e cada projeto desse tem que ser analisado com cuidado, tem que ter a descrição correta, tem que ter as comprovações”, disse em entrevista ao programa Sala de Imprensa.

A pasta criou uma cartilha para orientar deputados e senadores sobre como as emendas devem ser organizadas, incluindo detalhes sobre o tipo de pedido. Também há encontros para orientação das prefeituras que, muitas vezes, submetem projetos incompletos ou sem necessidade.

“Nós vamos pagar as emendas e queremos pagar 100%. Agora, para pagar a emenda, ela tem que ter um projeto correto. Então, tem que ter todas as informações, tem que ter documentação. E nós sabemos que depois do orçamento secreto, depois do orçamento impositivo, isso para nós tirou muito da nossa governabilidade e do nosso planejamento”, ressaltou.

“Ano passado, no Consórcio Nordeste, uma secretária me disse: ‘Professora, o que eu vou fazer com três vans que eu recebi aqui? Porque meu município tem 4 mil habitantes, eu não tenho nem o que fazer’”, contou.

O ministério calcula que, apesar de cortes e congelamentos, aumentou de R$ 93 para R$ 122 milhões o valor disponível para emendas com temática feminina. A soma dos recursos chamados de “orçamento mulher”, que reúne projetos de todas as áreas de governo, alcança a cifra de R$ 200 bilhões em políticas públicas para mulheres. “Esse recurso nós temos à disposição, mas muitas vezes os próprios estados, ou por não terem terreno, ou por demorarem na licitação, tem um processo burocrático”, contou. “Emenda não é dinheiro do deputado, emenda é dinheiro público, dinheiro do orçamento”, complementou.

Atualmente, há 11 casas da Mulher Brasileira no país, lugares destinados ao atendimento dedicado a mulheres, especialmente em condição de vulnerabilidade por falta de emprego ou violência em casa. A meta do governo é construir 40 unidades até o fim do ano. Pouco tempo para o tamanho da promessa deixada pela antecessora, a ex-ministra Cida Gonçalves.

Márcia afirmou que será “feito todo esforço”. Uma casa com 3.600 metros custa R$ 19 milhões. Algumas unidades menores de Casa da Mulher Brasileira custam R$ 10 milhões.

Inaugurações recentes da Casa da Mulher Brasileira ocorreram nas cidades de Macapá e Vila Velha.

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