Lula volta a citar “parentesco” com Lampião em recado para Trump: “Cuidado”
Presidente brincou sobre relação com o cangaceiro em dia que Brasil firmou acordo de cooperação com os EUA contra crime organizado


SBT News
Em nova alfinetada mirando Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (10) que o republicano deveria ser cauteloso ao fazer ameaças ao Brasil porque não sabe o que é um “nordestino nervoso". O petista participou de visita ao novo prédio de um campus do Instituto Federal de São Paulo, em Sorocaba.
Em tom de brincadeira, Lula voltou a citar um “parentesco” com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1898-1938), folclórico cangaceiro do agreste pernambucano – mesma região de origem de Lula – que comandava um bando responsável por atacar vilas, saquear mercearias e assustar moradores do interior pela brutalidade de suas ações. Lampião e seu bando mobilizaram as forças de segurança do Nordeste até que o líder do cangaço foi metralhado pela polícia no Sergipe, em julho de 1938, junto com a companheira Maria Bonita.
“O mundo está difícil, o Trump está aí ameaçando todo mundo. Ele não sabe o que é um pernambucano, senão ele não vai fazer ameaça nunca aqui. Se ele soubesse da minha descendência com Lampião, ele tomava muito cuidado. Se soubesse o que é um nordestino nervoso, não brincaria com o Brasil", alfinetou Lula.
Em fevereiro, antes da guerra no Oriente Médio, Lula já havia feito comentário de teor similar no Instituto Butantan, em São Paulo. Àquela altura, havia a expectativa de que Lula viajasse a Washington para se encontrar com Trump, mas o compromisso ficou em banho-maria desde então.
Nesta sexta (10), porém, o Brasil deu um passo para estreitar a cooperação em uma área sensível de combate ao crime com o governo dos Estados Unidos ao permitir a troca de informações em tempo real para identificar rotas do tráfico ilegal de armas e de drogas no comércio entre os dois países.
A iniciativa tem como pano de fundo um gesto brasileiro de mostrar prestatividade à Casa Branca no combate ao crime organizado e evitar outro cenário indesejado: a possibilidade de os EUA declararem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O rótulo abriria brecha para intervenções mais diretas em território brasileiro, inclusive com uso de força e operações especiais, a contragosto do governo Lula.
Com o foco voltado no momento para o Irã, Trump disse nesta sexta que a “única razão" de os iranianos "ainda estarem vivos” é para negociar um acordo formal de reabertura do Estreito de Ormuz. A delegação de ambos os países vai se reunir em Islamabad, no Paquistão, durante os próximos dias para tentar avançar em um escopo definitivo para o fim do conflito.









