Política

Canais de WhatsApp se tornaram protagonistas nesta eleição

Entenda como a disputa em torno dos canais políticos levou o TSE a estabelecer novas regras eleitorais na reta final do segundo turno

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Beatriz Nogueira
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Fotos: Valter Campanato/Agência Brasil; e Tânia Rêgo/Agência Brasil

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Fotos: Valter Campanato/Agência Brasil; e Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os canais de WhatsApp ganharam destaque nas discussões entre as campanhas dos presidenciáveis e nas análises do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na disputa do segundo turno das eleições deste ano. Na reta final do período eleitoral, cogitou-se até desativar os maiores canais políticos 48 horas antes da votação, marcada para o domingo (25), mas isso acabou não ocorrendo.

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A origem das principais movimentações no TSE foi o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que teve um crescimento exponencial durante o segundo turno, batendo a marca de 10 milhões de inscritos. A mobilização há menos de 15 dias para a eleição gerou tantas reações que no intervalo de três dias cinco medidas judiciais foram adotadas para garantir ou proibir seu funcionamento.

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Veja como esses grupos se tornaram tão importantes nas eleições deste ano:

Batalhas no TSE

  • 10 de outubro – Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva pede esclarecimentos à campanha de Lula após denúncia de propagação de notícias falsas no canal “Exército do Lula”.
  • 11 de outubro – O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, ordena a suspensão. No mesmo dia, Cueva derruba a decisão, sob o argumento de que o caso deveria ser submetido ao plenário do TSE, e restabeleceu seu funcionamento.
  • 11 de outubro - A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE avaliou os conteúdos compartilhados e não identificou irregularidades.
  • 13 de outubro – Kassio retomou a suspensão e estabeleceu que o canal precisava ser registrado junto ao órgão. No mesmo dia, Flávio registrou o canal “Tropa do Flávio” no tribunal e evitou restrições.
  • 13 de outubro – O ministro Marco Aurélio Bellizze determina a retirada do vídeo publicado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL) e replicado no canal “Tropa do Flávio” e também em seu próprio canal no prazo de 24 horas. O conteúdo foi julgado como “propaganda eleitoral irregular”.
  • 14 de outubro – Kassio se reúne com representantes das campanhas para um consenso dos critérios que definem quando canais e perfis nas redes sociais, administrados por terceiros, devem ser considerados oficiais. Não houve consenso sobre o assunto.
  • 16 de outubro - Sem unanimidade entre as campanhas, o TSE define os critérios, que estão: quando há recursos, coordenação, suporte ou orientações de publicação por parte da equipe oficial. E quando os meios oficiais divulgam links direcionando seguidores para o canal.
  • 21 de outubro - TSE discute se canais políticos com mais de 200 mil seguidores, formalizados ou não, devem ser desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição.
  • (CENÁRIO 1) 23 de outubro - TSE autoriza o funcionamento dos canais durantes o final de semana de votação.
  • (CENÁRIO 2) 23 de outubro - TSE não autoriza o funcionamento dos canais durantes o final de semana de votação.

Canais em apoio às candidaturas

O único canal oficializado pela campanha do Flávio é o “Tropa do Flávio”, com 2.1 milhões de inscritos.

Mas há outros canais, não vinculados à lista do TSE, que compartilham conteúdos em apoio à candidatura do senador, como seu próprio, com 263 mil inscritos. Outro é o “Bolsonaro TV”, gerido por admiradores do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 186 mil inscritos. Além do canal “Nikolas Ferreira Oficial 🇧🇷” com 107 mil inscritos, administrado pelo deputado e aliado de Flávio.

Na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os registrado são: o canal próprio, com 2,2 milhão de inscritos e o “Exército do Lula”.

Entre os canais não registrados estão o do PT, criado em 2023 e com 416 mil inscritos, o “Tropa da Erika Hilton com Lula”, com 837 mil inscritos, o “Cristãos com Lula 13”, com 8,7 mil inscritos, e o canal “Lula 13 Dia 25#13 Vote Lula” com 5,4 mil inscritos, criado por admiradores.

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