Eleições

Comparecimento nas urnas só aumentou no 2º turno uma vez

Lula tenta repetir exceção histórica de 2022 para reverter vantagem de Flávio Bolsonaro; abstenção no primeiro turno de 2026 bateu recorde

Avatar de Caio Barcellos
Caio Barcellos
O presidente Lula (PT) | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) | Ricardo Stuckert/PR

Das sete eleições presidenciais decididas em segundo turno desde a redemocratização, apenas a de 2022 registrou aumento no número de eleitores que compareceram às urnas em relação à primeira votação.

Quatro anos depois da exceção que consolidou a volta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto, o PT tenta repetir o resultado para reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno na liderança.

A estratégia ocorre após o primeiro turno de 2026 registrar um recorde de abstenções em números absolutos, com 33.469.244 de eleitores ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado -em termos proporcionais, a taxa só é menor que a de 1998, quando 21,49% dos brasileiros aptos a votar não compareceram às urnas.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Veja os números

Em 2022, o segundo turno registrou aumento de 570.424 eleitores em relação à primeira votação, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

  • 1º turno: 123.682.372 eleitores (79,05% do eleitorado);
  • 2º turno: 124.252.796 eleitores (79,41% do eleitorado);
  • Abstenção no 1º turno: 20,95%;
  • Abstenção no 2º turno: 20,59%.

O aumento interrompeu uma sequência de seis eleições presidenciais nas quais o comparecimento havia diminuído entre os dois turnos:

  • 1989: 72.290.216 eleitores (88,07%) no primeiro e 70.260.701 (85,61%) no segundo;
  • 2002: 94.805.583 eleitores (82,26%) no primeiro e 91.664.259 (79,53%) no segundo;
  • 2006: 104.820.459 eleitores (83,25%) no primeiro e 101.998.221 (81,01%) no segundo;
  • 2010: 111.194.137 eleitores (81,88%) no primeiro e 106.607.281 (78,50%) no segundo;
  • 2014: 115.122.611 eleitores (80,61%) no primeiro e 112.683.879 (78,90%) no segundo;
  • 2018: 117.364.560 eleitores (79,67%) no primeiro e 115.933.451 (78,70%) no segundo;
  • 2022: 123.682.372 eleitores (79,05%) no primeiro e 124.252.796 (79,41%) no segundo.

Não houve segundo turno nas eleições de 1994 e 1998 porque Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu ainda na primeira votação, com 54,28% e 53,06% dos votos válidos, respectivamente.

PT aposta em mobilização

Dois dias após a derrota do PT no primeiro turno, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou em entrevista ao SBT News que a campanha tinha como objetivo recuperar eleitores que já apoiaram Lula em outras eleições, mas não compareceram às urnas neste ano.

"Também buscar votos entre os eleitores que não compareceram às urnas. Por volta de 30 milhões de brasileiras e brasileiros não foram votar nesse primeiro turno. É possível, sim, nós trazermos uma parte importante desse eleitorado para que ele venha votar", disse Edinho em entrevista ao Central de Notícias, do SBT News.

Segundo revelou a coluna de Victoria Abel, o PT concentrou os últimos dias de campanha nas periferias das capitais e em cidades do sertão nordestino, regiões onde o partido identificou índices elevados de abstenção e que tradicionalmente apresentam maior apoio à esquerda.

A campanha também direcionou esforços aos eleitores com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo, e naqueles que votaram em branco, anularam o voto ou escolheram outros candidatos no primeiro turno.

Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos em 4 de outubro, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 2.224.965 votos. Os demais candidatos reuniram cerca de 7,81% dos votos válidos, enquanto brancos e nulos representaram 4,77% dos votos depositados nas urnas.

Últimas notícias