Voto de Flavio a favor do projeto de misoginia racha direita e o coloca como alvo de fogo amigo
Reação da direita na Câmara dos Deputados, inclusive do PL, foi contrária ao texto, apontado como pauta da 'extrema-esquerda identitária'


Ranier Bragon
A aprovação pelo Senado nesta terça-feira (24) do projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo virou um flanco de desgaste para Flávio Bolsonaro dentro da própria direita.
O senador do PL e pré-candidato à Presidência foi um dos 67 parlamentares que votaram sim ao projeto que insere o ódio contra mulheres na Lei do Racismo, tornando o crime inafiançável e imprescritível.
Flávio não se manifestou publicamente na sessão, mas todos os senadores de direita presentes também votaram a favor, com a ressalva de que tentaram, sem sucesso, aprovar um "destaque" reforçando a necessidade de preservação das garantias e liberdades individuais previstas na Constituição --uma tentativa de blindar a liberdade de expressão e reduzir risco de interpretações judiciais amplas.
"Tem ódio contra a mulher, e só quem está mergulhada neste universo é que entende isso. Talvez alguns colegas aqui do Plenário não consigam entender isso, porque vocês não estão mergulhados neste universo, porque vocês amam mulheres, porque vocês respeitam mulheres, e, na cabeça de vocês, é impossível que alguém odeie tanto mulheres. Mas odeiam, colegas, e a gente vai ter que reconhecer isso", discursou Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra de Jair Bolsonaro e um dos principais nomes do bolsonarismo.
Apesar da unidade no Senado, a bancada bolsonarista e demais integrantes da direita na Câmara reagiram de forma oposta e, nos bastidores, colocaram Flávio na mira da alça por, segundo a avaliação de alguns, não ter tido coragem de votar contra um projeto da "extrema-esquerda identitária".
Nos bastidores, a bancada do PL se manifestou contra e prometeu barrar a proposta.
"Existe mal estar no grupo da bancada, mas ainda não analisamos a proposta", se limitou a dizer ao SBT News o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder da bancada.
Nas redes sociais, porém, expoentes do PL se manifestaram em termos duros.
Nikolas Ferreira (PL-MG), classificou a medida como "aberração". "Inacreditável é a palavra… Amanhã começa o trabalho pra derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado".
Bia Kicis (PL-DF) também prometeu trabalhar para derrotar o projeto. "Projeto de divisão e ódio entre homens e mulheres acelerado com sucesso. E a direita cai na armadilha da esquerda".
Na própria família Bolsonaro houve manifestação pública contrária. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro classificou o projeto apoiado pelo irmão como "antinatural" e "antimasculino". Segundo ele, o apoio de bolsonaristas ao texto deveria ser completamente repudiado.
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) subiu à tribuna do plenário da Câmara para criticar Flávio por não ter tido "coragem" de votar contra o projeto. "Se essa é a verdadeira direita prefiro ser a falsa."
Deputados ouvidos pelo SBT News afirmaram que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não sinalizou ainda qual destino dará ao projeto, se irá colocar em votação ou se irá engavetá-lo.
Motta está na Paraíba e tem imprimido um ritmo bem leve de votações na Câmara, adotando um compasso de esvaziamento em meio à crise política do caso Master.
O SBT News procurou a assessoria de Flávio nesta quarta-feira e aguarda uma manifestação.









