Vídeo: deputada escolhida por Flávio para enfrentar PT por vaga no TCU pede pressão feminina sobre Congresso
'Todas as vezes em que as mulheres se levantaram, a chave virou', diz Soraya Santos (PL-RJ)

Ranier Bragon
Anunciada por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (8) como candidata do PL ao Tribunal de Contas da União (TCU), a deputada Soraya Santos (PL-RJ) pediu que as mulheres pressionem os parlamentares a votarem em seu nome na próxima terça-feira (14).
Soraya foi escolhida por Flávio para enfrentar o candidato do PT, Odair Cunha (MG), nome apoiado por Lula e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) -- nesta quarta Odair registrou sua candidatura com o apoio de 12 partidos.
A eleição é secreta, em turno único.
"O Flávio me disse que ele ouviu muito o meu nome, e perguntou se eu queria ser e que, se eu fosse, teria total apoio dele", disse Soraya.
"Aí eu falei, Flávio, você já sabe muito bem, quando uma mulher quer subir, ela é desqualificada de três formas", prossegui a deputada, afirmando que os argumentos usados nesse caso são de que ou ela é namorada de alguém, ou não é competente ou tem uma candidatura de faz de conta, apenas para servir de ponto de partida de negociação.
"A presença do Flávio aqui foi justamente para dizer: [a minha candidatura] não é fictícia."
A deputada --que já disputou uma vaga ao TCU, mas perdeu para Jhonatan de Jesus, nome apoiado pelo centrão-- disse esperar que a sociedade, que tem maioria feminina, pressione seus representantes a votar em uma mulher. "Todas as vezes em que as mulheres se levantaram, a chave virou."
Flávio tem buscado fazer gestos ao eleitorado feminino, grupo em que seu pai, Jair Bolsonaro, e o bolsonarismo como um todo enfrentam maior dificuldade.
Flávio, inclusive, votou a favor do projeto que criminaliza a misoginia, texto fortemente atacado pelo bolsonarismo sob o argumento de que o objetivo é o cerceamento da liberdade de expressão. Depois, ele recuou e disse que foi alvo de uma armadilha do PT.
O pré-candidato à Presidência também é pressionado para escolher uma mulher de vice.
Até o momento, todos os pré-candidatos à Presidência da República são homens.
A votação na Câmara para eleger o próximo ministro do TCU vai replicar entre os 513 deputados uma espécie de "esquenta" para a disputa presidencial entre Lula (PT), Flávio e uma terceira via.
Se colocaram para disputar ainda a vaga de Aroldo Cedraz (que se aposentou em fevereiro) os deputados Elmar Nascimento (União-BA), Hugo Leal (PSD-RJ) e Danilo Forte (PP-CE), entre outros.
O apoio partidário oficial é importante, mas a votação secreta abre espaço para traições.
O próprio PT de Odair Cunha tem um histórico de derrotas em indicações ao TCU frutos de traições de aliados.
Em 2005, na primeira gestão de Lula na Presidência da República, o deputado José Pimentel (PT-CE) perdeu a indicação para Augusto Nardes (PP-RS).
Um ano depois, o partido de Lula voltou a sofrer um revés ao ver Paulo Delgado (PT-MG) ser superado por Aroldo Cedraz (então no PFL, hoje União Brasil), o mesmo cuja vaga agora se abre.
O TCU é um órgão de auxílio ao Congresso e tem como principal função a análise das contas públicas.









