Ibovespa fecha em 192 mil pontos e bate novo recorde com cessar-fogo
Índice chegou a superar os 193 mil pontos no começo do dia, renovando, também, o recorde intraday


Exame.com
Bastou uma trégua no conflito entre Estados Unidos e Irã para o Ibovespa retomar o rali do começo do ano. O índice de referência do mercado acionário brasileiro acompanhou o exterior e operou em forte alta ao longo do dia, chegando a superar os 193 mil pontos. Só não fechou nesse patamar por causa das ações da Petrobras, em forte em baixa por conta do tombo do petróleo no mercado internacional.
O Ibovespa fechou o dia com alta de 2,09%, aos 192.201 pontos, uma pontuação inédita de fechamento. Blue chips como Vale, Itaú e B3 tiveram forte valorização, garantindo o primeiro recorde do índice em quase dois meses. As ações da Petrobras, segundo maior peso do portfólio, terminaram o dia em queda de mais de 4%.
Reflexo da queda abrupta do petróleo no mercado internacional. O Brent, referência para o mercado internacional, chegou a cair 16% na mínima do dia. Reduziu as perdas, mas ainda tinha um recuo considerável, de mais de 12%, oscilando na casa dos US$ 95. O WTI recuava ainda mais, 15,2%.
O presidente americano Donald Trump aceitou o cessar-fogo proposto pelo Paquistão na noite de ontem. No começo da terça-feira, o republicano escreveu: "uma civilização morrerá hoje". A ameaça, postada na rede social Truth Social, era o ultimato para que o Irã reabrisse o estreito de Ormuz até as 21h de ontem (pelo horário de Brasília). A trégua foi estabelecida a menos de duas horas do final desse prazo.
Já o dólar, que chegou a ser negociado a R$ 5,06 na mínima do dia, se recuperou parcialmente das perdas, mas ainda assim fechou em baixa de 1%, a R$ 5,10.
Bolsas nos Estados Unidos
As bolsas em Nova York também fecharam com fortes ganhos, em um dia de destaque para as ações de tecnologia. Por outro lados, os papéis de petrolíferas como Exxon Mobil e Chevron recuavam forte.
O Nasdaq Composite subiu 2,8%, enquanto Dow Jones e S&P 500 avançaram, respectivamente, 2,85% e 2,51%.
Na agenda do dia, o destaque foi a ata da ultima reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve. O Banco Central americano manteve as taxas de juros inalteradas no encontro do mês passado, mas chegou a discutir a possibilidade de elevação da taxa.
Bolsas europeias
As bolsas europeias dispararam nesta quarta-feira com o alívio provocado pelo cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã. O Stoxx 600 subia fechou em alta de 3,68% com montadoras, mineradoras e ações de viagens liderando os ganhos. A exceção ficou com o setor de energia. A Shell, primeira grande petrolífera a reportar resultados desde o início do conflito, apresentou um resultado misto: de um lado, lucrou mais com a compra e venda de petróleo no mercado — a chamada operação de trading, que se beneficia da alta dos preços causada pela guerra. Porém, a companhia apresentou uma queda na produção de GNL, o gás natural liquefeito — versão resfriada do gás que permite seu transporte por navios entre continentes. Com operações no Oriente Médio diretamente afetadas pelos combates, a produção recuou de 948 mil para o intervalo entre 880 mil e 920 mil barris no primeiro trimestre de 2026. As ações caíam mais de 5%.
Bolsas asiáticas
O alívio geopolítico também abriu espaço para um rali generalizado na Ásia. A Coreia do Sul liderou os ganhos: o Kospi, índice que teve negociações suspensas mais de uma vez em março, disparou quase 7%, fechando aos 5.872 pontos. O Kosdaq, índice coreano de empresas menores, avançou 5,12%. No Japão, o Nikkei 225 subiu 5,39%, encerrando o pregão aos 56.308 pontos — um dos maiores saltos do índice em meses recentes. Na China, o CSI 300 fechou em alta de 3,49%, e a bolsa de Hong Kong, o Hang Seng, subia cerca de 2,95% após retomar os negócios na volta do feriado. A Índia também entrou no embalo: o Nifty 50 avançou 3,65%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 ganhou 2,55%. Acompanhe tudo sobre:IbovespaAçõesDólar









