Política

Vereador preso por elo com PCC pede afastamento do PT

Senival Moura solicita desligamento do partido após ser preso em investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

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SBT News
27/06/2026, 23:12 • Atualizado em 27/06/2026, 23:12
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O vereador Senival Moura, que está na mira da Polícia Civil

O vereador Senival Moura, que está na mira da Polícia Civil

O vereador Senival Moura (PT-SP), preso na quinta-feira (26) durante uma operação contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), pediu afastamento do Partido dos Trabalhadores. O anúncio foi feito pela legenda neste sábado (27), por meio de nota oficial.

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Segundo o partido, Senival encaminhou o pedido ao Diretório Municipal do PT em São Paulo para se dedicar à própria defesa e evitar que as investigações sejam associadas à legenda.

"Informamos que o vereador Senival Moura encaminhou, neste sábado, à direção do Diretório Municipal do PT São Paulo, o pedido de afastamento de sua filiação ao Partido dos Trabalhadores, com a justificativa de se dedicar à sua defesa e de não vincular os últimos acontecimentos ao partido", informou o PT.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil, Senival Moura é suspeito de utilizar a empresa de ônibus Transunião para lavar dinheiro em benefício da facção criminosa.

Além do vereador, foram presos o presidente da concessionária, Air Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", e Devanil de Souza Nascimento, o "Sapo", apontado pela investigação como motorista e braço direito do parlamentar.

Segundo os investigadores, havia um núcleo paralelo que tomava decisões dentro da empresa e seria responsável por movimentações financeiras destinadas a integrantes do PCC.

Empresa teve capital ampliado de forma suspeita

As investigações apontam que a estrutura societária da Transunião sofreu uma mudança considerada incompatível com sua capacidade financeira.

Segundo o MPSP, o capital social da empresa passou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem que a origem dos recursos fosse devidamente comprovada. A suspeita é de que a concessionária tenha sido utilizada para ocultar e movimentar dinheiro de origem ilícita.

Justiça bloqueia contas, imóveis e veículos

Com base nas provas reunidas, a Justiça determinou o bloqueio de valores em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, até o limite de R$ 194.457.851,90 por conta.

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, como esse teto é aplicado individualmente, o valor potencial dos bloqueios pode chegar a cerca de R$ 30 bilhões, embora esse montante represente apenas um limite teórico, e não o total efetivamente indisponibilizado.

A decisão judicial também determinou o bloqueio de 117 veículos, o sequestro de 21 imóveis e de três embarcações, além da suspensão das atividades de dezenas de empresas apontadas como integrantes do esquema de lavagem de dinheiro.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que os ônibus da Transunião continuam circulando normalmente e que não houve impacto no atendimento à população. A administração municipal afirmou que aguarda a notificação oficial da decisão judicial para definir as medidas que serão adotadas.

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a gestão acompanha os desdobramentos da operação e destacou que, em 2024, assinou dois decretos para romper contratos com uma empresa de ônibus que, segundo as investigações da época, teria ligação com o crime organizado. Ele disse ainda que a prefeitura adotará as medidas cabíveis em relação à Transunião assim que for oficialmente notificada.

A assessoria do vereador Senival Moura disse que ele está à disposição das autoridades e busca acesso ao processo.

"No momento, a equipe jurídica está se inteirando dos detalhes e buscando acesso integral aos autos do processo/inquérito. O vereador está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Emitiremos uma nota oficial com mais detalhes assim que tivermos informações precisas."

Investigação ligada a outras operações

Ainda de acordo com o MPSP e a Polícia Civil, o esquema investigado teria pontos de contato com outros casos apurados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi. Esta última foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema de tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a máfia italiana 'Ndrangheta.

A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. Segundo o MPSP e a Polícia Civil, as apurações concluíram que a concessionária, que recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte apenas em 2025, era utilizada para a prática de lavagem de dinheiro da organização criminosa.

A Operação Última Parada mobiliza cerca de 350 policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), seis promotores de Justiça e equipes dos grupos operacionais GRT (Demacro), Garra e GER, do Dope.

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