Política

Tarcísio participa de evento da extrema-direita com Bolsonaro e Milei

De olho nas eleições municipais e em 2026, o governador de São Paulo mudou postura sobre encontros com Lula, frequentes em 2023 e no início de 2024

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Raphael Felice
07/07/2024, 21:24 • Atualizado em 07/07/2024, 21:45
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Tarcísio participa de evento da extrema-direita com Bolsonaro e Milei

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) ao lado de Jair Bolsonaro (PL) e Javier Milei. Durante discurso no sábado, o chefe do Executivo paulista elogiou ações do ex-presidente, um dos cabeças do CPAC, e também se encontrou com o presidente da Argentina – que faltará à cúpula do Mercosul, nesta segunda-feira (8), para participar do encontro.

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Nos últimos meses, Tarcísio voltou a fazer sinalizações a setores da extrema-direita, após ter acenado ao centro desde que assumiu o Palácio dos Bandeirantes.

Até o primeiro trimestre de 2024, o governador paulista teve diversos encontros e anúncios ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas, com a aproximação das eleições municipais, houve um afastamento nos últimos meses.

No dia 29 de junho, Tarcísio e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, faltaram a um evento de assinatura de contrato com o governo federal para obras do metrô da capital paulista, que vai levar a linha 5 até o Jardim Ângela, na Zona Sul paulistana.

Lula criticou as ausências das autoridades locais e sugeriu não assinar o contrato. Disse, ainda, que o governo federal não faz ações ou investimentos pensando no partido do governador ou do prefeito. Tarcísio, por sua vez, mandou uma indireta dois dias depois (1º de julho).

O governador estava em Londres para buscar investimentos para a Sabesp privatizada e disse que estava "tranquilo" pois o contrato já havia sido assinado.

Discurso

Durante o evento em Santa Catarina, Tarcísio de Freitas afirmou que Jair Bolsonaro governou entre 2019 e 2022 “bombardeado por narrativas” e fez aceno também ao setor evangélico – uma das bases do bolsonarismo – ao dizer que, para o Brasil crescer, é necessário recorrer a Deus e ao Espírito Santo.

Tarcísio defendeu também as escolas civico-militares e questionou “como alguém pode ser contra” o modelo. Em maio deste ano, o governador sancionou um projeto de lei que permite a implementação destes colégios nas redes públicas estaduais e municipais de São Paulo. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pediu explicações à gestão Tarcísio sobre a iniciativa.

Apesar dos acenos aos colegas do campo conservador, o governador não fez críticas diretas ao governo ou a setores da esquerda.

Com a provável ausência de Jair Bolsonaro, inelegível, Tarcísio ganha força como o principal nome da extrema-direita brasileira para as eleições de 2026. Ele pode enfrentar Lula, que já sinalizou algumas vezes a possibilidade de se candidatar à reeleição, principalmente se for para tentar barrar nomes da extrema-direita.

O provável embate no próximo pleito é apontado como um dos motivos para o afastamento entre os dois, segundo fontes do Palácio do Planalto.

Michelle Bolsonaro

Michelle Bolsonaro também discursou durante o CPAC e cutucou a atual primeira-dama, Janja Lula da Silva, ao afirmar que possuía vocação para "trabalhar", enquanto Janja possui para "viajar".

Cotada para disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, a ex-primeira-dama chegou a ser ventilada como um dos possíveis "players” para uma disputa presidencial, até mesmo pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. No entanto, seu nome foi perdendo força, especialmente com o crescimento de Tarcísio.

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