Política

Por unanimidade, STF rejeita denúncia contra dois acusados do Núcleo 3 e torna réus outros 10 denunciados

Nove militares e um policial federal viraram réus por trama golpista; STF considerou acusações frágeis contra assessor militar e oficial do Exército

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Ellen Travassos, Paola Cuenca
20/05/2025, 20:50 • Atualizado em 21/05/2025, 01:52
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Prazo dado por Moraes à PGR encerrou-se em 25 de março | Rosinei Coutinho/STF

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Em uma decisão no julgamento do Núcleo 3 da trama golpista , os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Carmen Lúcia e Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram nesta terça-feira (20) contra o recebimento da denúncia contra dois investigados: Cleverson Ney Magalhães, assessor do general Theóphilo, e Nilton Diniz Rodrigues, oficial do Exército. Os ministros consideraram as acusações "muito frágeis" e sem o "mínimo de indícios" necessários para seguir com a ação penal.

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Outros nove militares — da ativa e da reserva — e um policial federal se tornaram réus por envolvimento nos planos de golpe de Estado investigados pela Polícia Federal. Segundo a denúncia, os acusados são apontados como responsáveis pela elaboração de planos que incluíam a prisão e até o assassinato de autoridades, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Entre os réus estão militares das Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos” — profissionais altamente treinados para atuar em operações sigilosas e de alto risco. A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República detalha que os acusados participavam de um grupo organizado que pretendia impedir a posse do presidente eleito em 2022 por meio de medidas extremas e violentas.

Em relação ao réus que não tiveram a denúncia aceita, Moraes, relator do caso, destacou que não há elementos mínimos que comprovem a prática de crimes pelos dois acusados:

"Não se verifica aqui nos autos indícios mínimos da ocorrência do ilícito criminal. Há descrição, mas ela não está razoavelmente baseada em provas concretas", afirmou.

Sobre Cleverson, o ministro concordou com a defesa ao afirmar que a acusação se limitava a sua proximidade com o general Theóphilo, sem apresentar mensagens, documentos ou testemunhos que o vinculassem a atos ilícitos.

Quanto a Nilton, Moraes ressaltou que as alegações do Ministério Público se resumiam a sua participação em reuniões, sem qualquer evidência de que ele teria atuado para pressionar o comando do Exército. A defesa ainda destacou que o militar nem estava no Brasil no período, cumprindo missão no Reino Unido.

Dino reforça: "O que há é muito frágil"

O ministro Flávio Dino acompanhou o voto de Moraes e foi além, afirmando que as acusações não atendem ao padrão mínimo necessário para justificar uma denúncia:

"Não chego a dizer que há inexistência de indícios, mas o que existe é muito frágil. Essas alusões não vêm acompanhadas de fatos, mensagens ou ações documentadas nos autos. A prudência exige que, neste juízo preliminar, afastemos o recebimento da denúncia", declarou.

A ministra Carmen Lúcia concordou com Dino. "As referências são realmente frágeis, sendo o bastante pra não se sustentar levando a uma instrução que poderia aprofundar."

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