Prisão de Daniel Vorcaro, mensagens com Alexandre de Moraes e decisões de André Mendonça levaram conflito ao plenário do Supremo
André Barbeiro
Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e Edson Fachin | Reprodução
O caso do Banco Master, que veio à tona em novembro de 2025 com a liquidação da instituição pelo Banco Central e a prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, transformou-se em uma crise que agora alcança diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio, inicialmente tratado como uma suspeita de fraude bilionária, passou a envolver autoridades dos Três Poderes e provocou um conflito entre ministros da própria Corte.
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Após a prisão, a Polícia Federal apreendeu o celular de Vorcaro. No aparelho, os investigadores encontraram mensagens e registros que apontam para uma extensa rede de contatos do ex-banqueiro com políticos, servidores públicos e integrantes do sistema financeiro.
Toffoli deixa o caso e Mendonça assume
Inicialmente, Dias Toffoli era o ministro responsável por supervisionar no STF as investigações relacionadas ao Banco Master. Em fevereiro, porém, o caso passou para André Mendonça diante de suspeitas relacionadas a negócios de Toffoli com um fundo ligado ao banco.
Toffoli deixou a relatoria após surgirem suspeitas sobre sua relação com Daniel Vorcaro e negócios envolvendo um fundo ligado a um resort da família do ministro. A Polícia Federal também apontou indícios que levantaram dúvidas sobre uma possível influência de Vorcaro em um julgamento de interesse do banco, mas destacou que os elementos ainda precisavam de aprofundamento e não permitiam conclusões definitivas.
Com a relatoria, Mendonça passou a conduzir as decisões judiciais relacionadas à investigação e, em 1º de setembro, determinou a retirada do sigilo de documentos que expuseram parte da relação entre Moraes e Vorcaro.
A decisão provocou uma reação de Moraes. O ministro utilizou relatórios de inteligência da PF, que não possuem caráter probatório, para questionar a atuação de Mendonça e pediu à Presidência do Supremo que o colega fosse investigado por abuso de autoridade.
Mendonça reagiu determinando a destituição do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro sustentou que a Polícia Federal estaria monitorando integrantes do STF.
A decisão foi posteriormente suspensa por Flávio Dino. O ministro determinou o retorno dos dois dirigentes aos cargos.
Moraes e Vorcaro
Um dos principais pontos da investigação envolve a relação entre Moraes e Vorcaro. Em setembro, Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo de documentos da investigação que mostravam diálogos entre o ministro e o ex-banqueiro.
As mensagens sugerem que Moraes conversava com Vorcaro sobre a possibilidade de uma operação da Polícia Federal contra o empresário. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, ele foi preso no aeroporto enquanto tentava deixar o Brasil.
O relatório da PF também apontou contratos milionários entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Um dos contratos, no valor de R$ 131 milhões, teria sido revisado e editado pelo próprio ministro, segundo os investigadores. Outro acordo, de R$ 50 milhões, previa pagamento em dinheiro ou bens, incluindo uma proposta com cotas de um jatinho e de um helicóptero.
A PF também encontrou registros de contatos frequentes entre Moraes e Vorcaro e informações sobre encontros pessoais. Os documentos citam ainda uma viagem a Campos do Jordão, em dezembro de 2023, para a qual Vorcaro teria organizado uma estrutura especial para convidados classificados como “ultra VIP”.
Moraes não se pronunciou sobre as investigações. O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que não atuou em causas de Vorcaro no STF e que o contrato foi suspenso após a liquidação do Banco Master.
Fachin tenta conter crise no STF
Diante do agravamento do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, tomou medidas para tentar reduzir a tensão. Na quarta-feira (9), retirou de Moraes a relatoria do chamado inquérito das fake news, no qual o ministro pretendia investigar Mendonça.
Fachin também suspendeu as decisões de Mendonça e Dino relacionadas à direção da Polícia Federal e determinou a abertura de sigilo de parte dos inquéritos ligados ao caso Master.
A divulgação dos documentos revelou investigações envolvendo, além de Flávio Bolsonaro, nomes como Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda.
Dino, Fachin e o plenário
Com as decisões cruzadas entre Moraes, Mendonça e Dino e a retirada de sigilo de documentos sensíveis, a crise chegou à Presidência do STF. Fachin marcou para terça-feira (15) uma sessão do plenário para discutir o impasse.
A sessão será transmitida ao vivo a partir das 10h pela Rádio e TV Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. Os ministros vão analisar o relatório da PF com mensagens de Daniel Vorcaro para Moraes e decidir se o material divulgado por Mendonça pode ser utilizado. A Corte também poderá avaliar se há elementos para abrir uma investigação contra Moraes.
A PGR defende a nulidade do relatório e afirma que Mendonça extrapolou sua competência ao determinar diligências sem solicitação do Ministério Público ou da PF.
No sábado (12), Fachin assumiu a relatoria do caso Vorcaro-Moraes e marcou para 23 de setembro uma sessão sobre supostas irregularidades da PF e alegações de abuso de autoridade contra Mendonça. Ele também suspendeu decisões de Mendonça nos casos Master e INSS, que agora dependem de sua anuência.
Saiba como caso Banco Master levou à crise do STFPrisão de Daniel Vorcaro, mensagens com Alexandre de Moraes e decisões de André Mendonça levaram conflito ao plenário do SupremoPolítica2026-09-15T09:00:00.000ZO , que veio à tona em novembro de 2025 com a liquidação da instituição pelo Banco Central e a prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, transformou-se em uma crise que agora alcança diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio, inicialmente tratado como uma suspeita de fraude bilionária, passou a envolver autoridades dos Três Poderes e provocou um conflito entre ministros da própria Corte. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Após a prisão, a Polícia Federal apreendeu o celular de Vorcaro. No aparelho, os investigadores encontraram mensagens e registros que apontam para uma extensa rede de contatos do ex-banqueiro com políticos, servidores públicos e integrantes do sistema financeiro. Toffoli deixa o caso e Mendonça assume Inicialmente, Dias Toffoli era o ministro responsável por supervisionar no STF as investigações relacionadas ao Banco Master. Em fevereiro, porém, o caso passou para André Mendonça diante de suspeitas relacionadas a negócios de Toffoli com um fundo ligado ao banco. Toffoli deixou a relatoria após surgirem suspeitas sobre sua relação com Daniel Vorcaro e negócios envolvendo um fundo ligado a um resort da família do ministro. A Polícia Federal também apontou indícios que levantaram dúvidas sobre uma possível influência de Vorcaro em um julgamento de interesse do banco, mas destacou que os elementos ainda precisavam de aprofundamento e não permitiam conclusões definitivas. Com a relatoria, relacionadas à investigação e, em 1º de setembro, determinou a retirada do sigilo de documentos que expuseram parte da relação entre Moraes e Vorcaro. A decisão provocou uma reação de Moraes. O ministro utilizou relatórios de inteligência da PF, que não possuem caráter probatório, para questionar a atuação de Mendonça e pediu à Presidência do Supremo que o colega fosse investigado por abuso de autoridade. Mendonça reagiu determinando a destituição do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro sustentou que a Polícia Federal estaria monitorando integrantes do STF. A decisão foi posteriormente suspensa por Flávio Dino. O ministro determinou o retorno dos dois dirigentes aos cargos. Moraes e Vorcaro Um dos principais pontos da investigação envolve a relação entre Moraes e Vorcaro. Em setembro, Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo de documentos da investigação que mostravam diálogos entre o ministro e o ex-banqueiro. As mensagens sugerem que Moraes conversava com Vorcaro sobre a possibilidade de uma operação da Polícia Federal contra o empresário. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, ele foi preso no aeroporto enquanto tentava deixar o Brasil. O relatório da PF também apontou contratos milionários entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Um dos contratos, no valor de R$ 131 milhões, teria sido revisado e editado pelo próprio ministro, segundo os investigadores. Outro acordo, de R$ 50 milhões, previa pagamento em dinheiro ou bens, incluindo uma proposta com cotas de um jatinho e de um helicóptero. A PF também encontrou registros de contatos frequentes entre Moraes e Vorcaro e informações sobre encontros pessoais. Os documentos citam ainda uma viagem a Campos do Jordão, em dezembro de 2023, para a qual Vorcaro teria organizado uma estrutura especial para convidados classificados como “ultra VIP”. Moraes não se pronunciou sobre as investigações. O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que não atuou em causas de Vorcaro no STF e que o contrato foi suspenso após a liquidação do Banco Master. Fachin tenta conter crise no STF Diante do agravamento do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, tomou medidas para tentar reduzir a tensão. Na quarta-feira (9), retirou de Moraes a relatoria do chamado inquérito das fake news, no qual o ministro pretendia investigar Mendonça. Fachin também suspendeu as decisões de Mendonça e Dino relacionadas à direção da Polícia Federal e determinou a abertura de sigilo de parte dos inquéritos ligados ao caso Master. A divulgação dos documentos revelou investigações envolvendo, além de Flávio Bolsonaro, nomes como Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda. Dino, Fachin e o plenário Com as decisões cruzadas entre Moraes, Mendonça e Dino e a retirada de sigilo de documentos sensíveis, a crise chegou à Presidência do STF. Fachin marcou para terça-feira (15) uma sessão do plenário para discutir o impasse. A sessão será transmitida ao vivo a partir das 10h pela Rádio e TV Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. Os ministros vão analisar o relatório da PF com mensagens de Daniel Vorcaro para Moraes e decidir se o material divulgado por Mendonça pode ser utilizado. A Corte também poderá avaliar se há elementos para abrir uma investigação contra Moraes. A PGR defende a nulidade do relatório e afirma que Mendonça extrapolou sua competência ao determinar diligências sem solicitação do Ministério Público ou da PF. No sábado (12), Fachin assumiu a relatoria do caso Vorcaro-Moraes e marcou para 23 de setembro uma sessão sobre supostas irregularidades da PF e alegações de abuso de autoridade contra Mendonça. Ele também suspendeu decisões de Mendonça nos casos Master e INSS, que agora dependem de sua anuência.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/saiba-como-caso-banco-master-levou-a-crise-do-stf