PSOL tem racha após PT fazer nova ofensiva por federação partidária
Nova ofensiva do partido de Lula para atrair os psolistas tem apoio do ministro Guilherme Boulos, mas enfrenta resistência em outras alas da sigla

Iander Porcella
O PSOL rachou após o PT fazer uma proposta de federação partidária para as eleições deste ano. A nova ofensiva do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para atrair os psolistas tem apoio do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), mas enfrenta resistência em outras alas da sigla.
Integrantes do PSOL se reuniram nesta quarta-feira (25) com o presidente do PT, Edinho Silva, que reiterou o convite para que a legenda passe a integrar a federação petista com o PCdoB e o PV. Mas não houve consenso. A decisão deve ser tomada em reunião do PSOL em 7 de março, em São Paulo.
A federação facilitaria o cumprimento da cláusula de barreira pelo PSOL, que não contará neste ano com seu principal puxador de votos, Boulos. O ministro deve ficar no governo até o fim do ano, sem disputar eleições. Em 2022, ele teve 1 milhão de votos em São Paulo.
A cláusula de barreira estabelece um número mínimo de deputados federais eleitos para que os partidos tenham acesso a recursos do fundo partidário, tempo de rádio e TV e cargos no Congresso. Os puxadores de votos, como Boulos, acabam aumentando a bancada na Câmara e garantindo o cumprimento das regras.
Mesmo assim, integrantes do PSOL contrários à federação apostam na deputada Erika Hilton (SP) para compensar a falta dos votos de Boulos. Além disso, argumentam que formar uma federação com o PT faria o partido perder a identidade e se tornar apenas um satélite do petismo.
No momento, de acordo com cálculos internos, três quartos dos integrantes do PSOL são contrários à federação. Alguns dizem, nos bastidores, que a aliança é apenas um projeto pessoal de Boulos, que é cotado para ser o sucessor político de Lula.
Partidos que formam federações precisam atuar em conjunto nas eleições e no Legislativo por pelo menos quatro anos. Não podem, por exemplo, lançar candidatos diferentes a cargos como presidente, governador e prefeito.








