Política

Presidente Lula põe multilateralismo e o Acordo de Paris como pontos fundamentais da COP30: “É hora de encarar a verdade”

Presidente Lula abriu a Cúpula dos Líderes da COP30, evento de abertura política da Conferência do Clima da ONU

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Murillo Otavio
06/11/2025, 15:00 • Atualizado em 06/11/2025, 16:22
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o multilateralismo e a necessidade de prosseguir com a busca pelas metas do Acordo de Paris durante a abertura da Cúpula dos Líderes da COP30 nesta quinta-feira (6). O evento inaugurou a Conferência do Clima da ONU.

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“O ano de 2025 é um marco para o multilateralismo. Provamos que a organização coletiva gera resultados”, declarou. Em outro momento de sua fala, o presidente reforçou a defesa de que os países intensifiquem os esforços para alcançar as metas climáticas. “Não podemos abandonar os objetivos do Tratado de Paris”, afirmou.

Ao reforçar o privilégio sobre a COP30 ser realizada na Amazônia, o presidente destacou que os povos originários sofrem com os impactos das mudanças climáticas, lembrando a vital importância dessa população na preservação da flora e fauna.

“[Os povos originários] podem não assimilar o significado de um aumento de um grau e meio na temperatura global, mas sofrem com secas, enchentes e furacões. O combate à mudança do clima deve estar no centro das decisões de cada governo, de cada empresa, de cada pessoa”, pontuou.

O presidente afirmou, também, que rivalidades entre países e conflitos armados concentram verbas que deveriam ser empregadas no combate ao aquecimento global.

"Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades econômicas e degradação ambiental", afirmou o petista.

O presidente Lula foi acompanhado por autoridades brasileiras. Estavam presentes o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, e os líderes do Congresso Nacional: o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Além disso, os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Marina Silva, da pasta de Meio Ambiente e Mudanças do Clima, também estavam na mesa.

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Guterres prega urgência

Antes da fala de Lula, o Secretário-geral da ONU, António Guterres, teve um discurso contundente ao afirmar que a COP30 é a edição da implementação.

Ele ressaltou as consequências socioeconômicas do aumento da temperatura do planeta e alertou para a necessidade urgente de uma ação conjunta das nações para que a situação seja minimamente revertida.

Em alinhamento com o tom do presidente Lula, ele defendeu os investimentos para tentar reverter a atual condição climática, sobretudo o projeto capitaneado pelo Brasil, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (saiba mais abaixo).

“Precisamos reduzir o desmatamento das florestas, renovar nossa energia, precisamos conter. Precisamos implementar. Chegou o momento em que não há espaço para negociação. É preciso implementar, implementar!”

Logo após a Cúpula dos Líderes, todos os agentes de negociação vão participar de um almoço, onde o presidente Lula apresentará o programa de investimento.

Ao fim da tarde, os líderes se reunirão para uma sessão temática sobre Clima e Natureza, com foco em florestas e oceanos. Ao final do primeiro dia de cúpula, participarão de uma sessão de fotos e de um coquetel oferecido por Lula.

Ao todo, 143 delegações participarão dos dois de cúpula em Belém. Além de chefes de Estado, o número inclui vice-primeiros-ministros, ministros de finanças, meio ambiente e relações exteriores, bem como representantes de organismos internacionais como a ONU, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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O que é TFFF

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Facility – TFFF) é uma iniciativa internacional liderada pelo Brasil.

O mecanismo propõe remunerar financeiramente países que conservem florestas tropicais, invertendo a lógica tradicional da economia climática, que costuma punir quem desmata. O anúncio é considerado um dos principais da conferência.

O TFFF funcionará como um fundo global de financiamento ambiental, com pagamentos anuais proporcionais à área de floresta preservada. O fundo destina pelo menos 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades tradicionais, reconhecidos como os principais protetores dos biomas tropicais.

Atualmente, o fundo reúne 74 países em desenvolvimento com florestas tropicais e subtropicais, que juntos somam mais de 1 bilhão de hectares de vegetação nativa. Entre os participantes confirmados estão Colômbia, Gana, República Democrática do Congo, Indonésia e Malásia, além de países financiadores como Alemanha, França, Noruega, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos.

O aporte inicial previsto é de US$ 25 bilhões, podendo chegar a US$ 100 bilhões com a entrada de investidores privados e institucionais. O dinheiro será aplicado em fundos sustentáveis, e o rendimento financiará repasses de até US$ 4 por hectare preservado, desde que o desmatamento anual fique abaixo de 0,5%.

De acordo com o governo brasileiro, o TFFF poderá gerar US$ 4 bilhões por ano em repasses para países que comprovem redução do desmatamento e preservação florestal. No Brasil, os recursos devem reforçar políticas públicas como o Bolsa Verde, a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais e incentivos à bioeconomia.

A proposta também busca fortalecer o mercado global de títulos verdes e créditos de carbono, criando uma estrutura financeira duradoura e estável para a conservação das florestas tropicais — que concentram 80% da biodiversidade terrestre e desempenham papel essencial na regulação climática do planeta.

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