Política

Paulinho da Força diz ter pressa e quer votar "PL da Dosimetria" na quarta-feira (24)

Em entrevista ao SBT, deputado reconhece que Bolsonaro deve ser beneficiado em relação às penas: "Vai tirar tudo? Não sei"

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Victória Melo, Soane Guerreiro, Márcia Lorenzatto
19/09/2025, 17:18 • Atualizado em 19/09/2025, 18:16
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O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do chamado PL da Anistia (que deve ser rebatizado de PL da Dosimetria), disse em entrevista ao SBT nesta sexta-feira (19), que pretende apresentar um relatório com foco na redução de penas, e não em perdoar os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

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Ele fez questão de afastar a ideia de que a proposta em discussão seja uma anistia ampla, geral e irrestrita. Segundo o parlamentar, o texto deve ser entendido como uma "dosimetria", com o objetivo de reduzir condenações em casos considerados menos graves.

"Esse projeto não é de anistia. Ele trata da dosimetria, ou seja, do tamanho da dose da pena. O que queremos é pacificar o Brasil", afirmou o deputado.

Reunião com Temer e Aécio

Paulinho da Força contou que teve uma reunião com o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), na noite desta quinta-feira (18).

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participou de forma virtual. Ele negou que ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, estivessem presentes.

"A reunião foi um pouco para a gente discutir a ideia do projeto. Foi até uma sugestão do deputado Aécio Neves, dele ser chamado de dosimetria", explicou.

Impacto sobre Bolsonaro

Questionado se o projeto beneficiaria o núcleo 1 da acusação de golpe, do qual faz parte o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o relator disse que alguns crimes poderão ser contemplados, mas não todos.

"Aqueles crimes mais graves não serão beneficiados, mas os crimes mais leves serão beneficiados. O cara tacou uma pedra lá, ou invadiu junto lá e foi preso por isso, ele será beneficiado. E lógico que reduzindo as penas, muitas das penas imputadas ao presidente Jair Bolsonaro e outros ministros, também serão beneficiadas", declarou. "Vai tirar tudo? Não sei. Essa discussão vou fazer a partir de segunda-feira à noite com bancadas e parlamentares do Congresso Nacional."

Construção política

O parlamentar reforçou que pretende ouvir as bancadas já na próxima semana para definir os pontos finais do relatório. A meta é votar o texto ainda na quarta-feira (24).

"Se eu conseguir fazer o máximo de reuniões, formar um esboço de projeto e tentar votar na quarta-noite, exatamente para a gente poder assim, vamos votar isso, vamos nos livrar dessa encrenca que está hoje no Brasil", acrescentou.

Além disso, ele se propôs a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também espera atender ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), caso tenha algum "ruído" ou dúvidas sobre o projeto.

"Eu não vou fazer nenhum projeto para confrontar de novo a Câmara, o Congresso Nacional contra o Supremo", deixou claro.

Ainda, na próxima segunda-feira (22), ele prevê encontro com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para discutir o tema. Paulinho da Força também citou uma reunião com o senador Ciro Nogueira em São Paulo.

A proposta, segundo o relator, funcionará como um "pacto nacional". Apesar de saber que não vai agradar "todo mundo", ele espera que alguns pontos sejam ajustados para inteirar a direita e a esquerda.

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