Pacheco diz que vive último ano na política
Durante evento do Lide, senador também descartou disputar governo de MG e disse que possibilidade de ocupar vaga no STF é ‘página virada’

O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou nesta quinta-feira (29) que não concorrerá ao governo de Minas Gerais e que está encerrando seu ciclo na política.
Durante participação no Seminário de Inovação e Tecnologia promovido pelo Lide, em São Paulo, o parlamentar também negou qualquer expectativa de ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Tenho 12 anos de vida pública. Fui deputado federal e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos. Tenho uma vida plenamente realizada e é sempre um momento de a gente avaliar ciclos. E há um fechamento de ciclo na política que eu decidi fazer com o sentimento de dever cumprido, com muitas realizações feitas e com o coração muito tranquilo em relação a essa decisão, disse.
Segundo o senador, a decisão de não disputar o governo mineiro já havia sido tomada antes mesmo de receber um convite do presidente Lula (PT) para entrar na disputa estadual. O senador afirmou que Minas Gerais possui bons nomes para representá-la nos próximos anos.
Em relação ao STF, disse que não tem expectativa e perspectiva de ingresso em qualquer tribunal superior.
“Se isso foi cogitado em algum momento, isso foi bem resolvido, é uma página virada e não tenho nenhuma expectativa nesse sentido”, disse.
Questionado se teria articulado junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, não fosse aprovado no Senado, ele negou qualquer interferência na derrota histórica do governo Lula na Casa.
“De minha parte, absolutamente nenhuma. Eu acabei sendo um personagem involuntário dessa história, porque em algum momento o meu nome foi cogitado pelos colegas senadores e pelas colegas senadoras. Mas, de minha parte, sempre houve um bom entendimento, uma boa aceitação em relação à opção do presidente da República, de modo que, de minha parte, absolutamente não houve qualquer iniciativa nesse sentido.”
PCC E CV como grupos terroristas
O senador também foi questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como grupos terroristas. Para ele, há uma banalização do conceito de terrorismo, e o governo de Donald Trump tomou uma decisão errada.
Pacheco afirmou que as facções praticam crimes graves e sofisticados e precisam ser combatidas com firmeza, mas avaliou que elas devem ser tratadas como organizações criminosas, e não como grupos terroristas. Na avaliação do parlamentar, o combate a essas estruturas deve ocorrer por meio dos instrumentos próprios de investigação, repressão financeira e atuação policial disponíveis ao Estado brasileiro.
“A classificação de terrorismo é uma classificação muito específica, que envolve aspectos muito particulares. Essas organizações criminosas visam o lucro, o lucro fácil, criminoso, que o Estado brasileiro tem a obrigação de combater. Então, eu não considero que seja uma decisão acertada. Ao contrário, eu acho que é uma decisão equivocada dos Estados Unidos da América. E caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os Estados Unidos e com outros países que podem nos ajudar a combater as organizações criminosas. Eu considero que essa classificação não é necessariamente uma ajuda.”
Escala 6x1
Outro tema abordado foi a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Segundo o senador, o assunto se tornou uma demanda relevante da sociedade brasileira e deve receber atenção prioritária do Senado quando chegar à Casa.
Pacheco afirmou que Alcolumbre está atento ao debate e que a discussão sobre a jornada de trabalho está entre os temas mais importantes da agenda nacional neste momento.
Sobre as recentes controvérsias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Pacheco defendeu o direito de defesa e o contraditório.
Segundo ele, é importante evitar que disputas políticas se confundam com investigações judiciais ou policiais e afirmou que não pretende explorar politicamente um caso que, em sua avaliação, ainda depende de esclarecimentos.















