Oposição ‘releva’ continuidade do chavismo na Venezuela e aposta em desgastar Lula com Maduro
‘O que importa é a prisão de Maduro, amigo do Lula, e ver a esquerda indo para as ruas defender o ditador’, diz Sóstenes Cavalcante


Iander Porcella
A oposição brasileira vive um paradoxo ao defender a invasão dos Estados Unidos na Venezuela. Apesar de a ação ordenada pelo presidente americano, Donald Trump, ter resultado na prisão do ditador Nicolás Maduro, o chavismo continua no poder. O republicano passou a negociar com a vice, Delcy Rodríguez, que assumiu o governo venezuelano, e descartou apoiar os oposicionistas María Corina Machado e Edmundo González.
O bolsonarismo está ciente dessa contradição, mas avalia que é necessário endossar Trump para poder desgastar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela relação que o petista teve no passado com Maduro.
“O que importa é a prisão do ditador Maduro, amigo do Lula, e ver a esquerda indo para as ruas defender o ditador. Isso não tem preço, eles estão se expondo”, disse ao SBT News o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
A direita vai apostar na ligação de Lula com Maduro para aumentar a rejeição do presidente na campanha eleitoral deste ano. Mesmo que o governo brasileiro não tenha reconhecido a última eleição de Maduro, diante das acusações de fraude e da recusa do ditador em apresentar as atas da votação, o petista chegou a dizer neste mandato que havia “excesso de democracia” na Venezuela.
O Palácio do Planalto, por sua vez, vai levantar a bandeira da soberania, que já funcionou a favor do governo no caso do tarifaço de Trump contra o Brasil. O PT e seus aliados avaliam que boa parte dos eleitores deve rejeitar a posição da direita brasileira de defender a invasão dos EUA a outro país pelo precedente criado e pelo desrespeito à lei internacional.








